Maior tragédia rodoviária, acidente que matou 59 estudantes de Rio Preto completa 62 anos
Alunos da fanfarra do colégio Dom Pedro 2º seguiam para apresentação no aniversário de Barretos quando ônibus caiu no rio Turvo. Ato ecumênico homenageia as vítimas

“A notícia chegou como uma bomba. O carro de bombeiros foi a afirmação da tragédia. A cidade se movimentou aguardando as primeiras informações. E estas chegaram. Aterradoras a ponto de não acreditar. Um ônibus que conduzia parte da delegação dos alunos da Escola Técnica de Comércio e Ginásio Riopretano para Barretos havia tombado na ponte sobre o rio Turvo”.
Foi com essas palavras que o Diário noticiou, em 25 de agosto de 1960, o maior acidente rodoviário do Estado de São Paulo, ocorrido no dia anterior. A tragédia do Turvo como ficou conhecida completa 62 anos nesta quarta-feira, dia 24, e continua viva na memória dos rio-pretenses.
Naquele dia, 59 estudantes da fanfarra do colégio Dom Pedro 2º, entre 14 e 22 anos, que iriam se apresentar no aniversário de Barretos morreram após o ônibus em que estavam cair no rio. Desde então, nunca mais o dia 24 agosto foi igual em Rio Preto. Isso porque a tragédia que aconteceu no Noroeste Paulista é até hoje a terceira do Brasil em número de vítimas.

O historiador Rui Guimarães, de 75 anos, lembra bem do dia que Rio Preto parou. Estudante e colega de parte das vítimas, Guimarães recorda que foi pelo rádio que a cidade ficou sabendo da tragédia. “A cidade ficou pavorosa, porque ninguém sabia quem estava no ônibus. Foi difícil tirar os corpos do ônibus, porque ele ficou de ponta cabeça”, conta.
O ônibus transitava pela rodovia Assis Chateaubriand, quando no quilômetro 27 o motorista perdeu o controle do veículo e caiu no rio Turvo. Dos 64 ocupantes, apenas cinco sobreviveram – entre eles o condutor.
“No dia seguinte, foi até difícil conseguir caixão para todo mundo. Eram 59 jovens com toda uma vida pela frente, que da noite para o dia morreram. Os velórios foram feitos na casa de cada um. Imagina, a cidade inteira em estado de luto, em praticamente todas as regiões da cidade estava tendo um velório”, conta Guimarães.

Um dos momentos marcantes da celebração de despedida aconteceu quando todos os caixões foram reunidos em frente à Catedral de Rio Preto, antes do enterro no Cemitério da Vila Ercília.
O prefeito da época, Philadelpho Gouvea Netto, decretou luto oficial e os empresários rio-pretenses abaixaram as portas do comércio local. A missa de sétimo dia, no estádio do América Futebol Clube, reuniu mais de 20 mil pessoas em uma época que a cidade tinha 80 mil habitantes.

Homenagens
O acidente foi notícia em todo o mundo. Durante meses, o colégio recebeu correspondências de todos os cantos com mensagens de solidariedade.
Até o mundo da música lembra da tragédia. Ao menos duas canções foram feitas em homenagem aos estudantes. É o caso de "Tragédia do Rio Turvo", cantada por Vieira e Vieirinha, e “Rio Preto de Luto”, famosa nas vozes de Tião Carreiro e Pardinho.
A Câmara de Rio Preto na década de 1960 mudou o nome da antiga avenida Mirassol para avenida dos Estudantes, onde também foi erguido um monumento com os nomes dos 59 jovens.
Também em Rio Preto, em 2010, no aniversário de 50 anos do acidente, foram plantados 59 jequitibás e instalado um memorial com os nomes das 59 vítimas em uma praça que recebeu o nome de Bosque da Saudade, no Jardim Universitário. Além disso, na margem do Turvo, na divisa entre Guapiaçu e Olímpia, local do acidente, foi erguida uma capela.
Nesta quarta-feira, dia 24, como de costume, serão celebradas duas missas na Catedral de Rio Preto, em homenagem aos estudantes. Uma será às 12h30 e outra às 19h. “É um acidente que ficará para sempre na história de Rio Preto”, diz Rui.
Já no domingo, dia 28, orações serão realizadas, entre 10h30 e 12h na capela feita às margens do rio Turvo, onde aconteceu o acidente.
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