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CRIME VIRTUAL

Foto íntima de mulher exposta na internet vira caso de polícia

Mulher que integra uma das corporações da Polícia Militar na região fez fotos sensuais e de nudez e imagens chegaram às redes sociais

por Joseane Teixeira
Publicado em 26/06/2026 às 20:15Atualizado em 29/06/2026 às 08:27
Foto íntima de mulher exposta na internet vira caso de polícia (Freepik/Divulgação)
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Foto íntima de mulher exposta na internet vira caso de polícia (Freepik/Divulgação)
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A Polícia Civil vai instaurar inquérito para investigar o vazamento e a publicação de fotos íntimas de uma policial militar da região de Rio Preto em um site russo de conteúdo adulto. O crime foi descoberto nesta semana após a divulgação de capturas de tela (prints) que mostram a mulher nua ou fardada e exibindo partes do corpo, em um suposto alojamento da Polícia Militar.

A soldado não é a única vítima desta modalidade criminosa. Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam que, somente neste ano, 348 mulheres denunciaram que tiveram fotos e vídeos divulgados sem consentimento no estado de São Paulo. O levantamento mostra que 85% das vítimas foram expostas em contexto de relacionamento amoroso (215), união estável (60) ou casamento (21), ou seja, tipos de convivência que exigem vínculo de confiança.

A reportagem apurou que com a policial não foi diferente. Uma fonte ouvida pela reportagem afirma que ela registrou boletim de ocorrência e indicou um suspeito – única pessoa para quem ela teria enviado as fotos.

A agente de segurança pública teria sido encaminhada para atendimento psicológico pela corporação, que também instaurou Procedimento Administrativo Disciplinar para apurar as circunstâncias e local onde as imagens foram produzidas.

PENALIDADE

Atuante no combate à violência de gênero, a promotora Heloisa Gaspar Martins Tavares, da Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Rio Preto, afirma que embora a exposição indevida da imagem da mulher seja uma violência antiga, a tipificação penal é relativamente recente (2018), o que faz com que ainda exista pouco conhecimento, tanto por parte das vítimas quanto dos próprios autores, sobre a gravidade dessa conduta e suas consequências legais.

Previsto no artigo 218-C do Código Penal, o crime teve a pena aumentada em 2025 para até 10 anos de reclusão como resposta a um crime que provoca sequelas emocionais permanentes.

No ano passado, 812 casos chegaram à Polícia Civil – 764 denunciados pela própria vítima. Engana-se quem pensa que somente mulheres jovens são alvos dessa modalidade criminosa. Infográfico da SSP indica que a idade das vítimas varia de 0 a 75 anos.

“Não se pode transformar essa realidade em uma regra de proibição dirigida às mulheres. A responsabilidade nunca é de quem teve sua confiança traída. O problema central é a quebra de confiança e o uso da intimidade como forma de violência, vingança ou controle. É claro que a prevenção passa também por informação e orientação sobre riscos no ambiente digital, mas a palavra de ordem precisa ser outra: respeito, consentimento e responsabilização de quem divulga. Produzir uma imagem íntima, quando há consentimento, não é crime; crime é divulgar sem autorização”, diz a promotora.

Para ela, o foco deve estar no acolhimento às mulheres, para que elas não sintam vergonha ou medo de denunciar, especialmente quando o agressor é alguém próximo. “Importante lembrar que o número de registros de casos apontados pela SSP em todo o estado no ano passado não reflete a real dimensão do problema, porque existe a subnotificação. Informação e conscientização são fundamentais para que essa violência seja combatida”.

A vítima foi procurada por WhatsApp, mas não retornou à mensagem. A PM não se manifestou até o fechamento desta edição.

Atualização 29/06/2026 às 8h25

A Polícia Militar informa que, ao tomar conhecimento dos fatos envolvendo uma policial militar de seu efetivo, adotou imediatamente as providências institucionais cabíveis, incluindo o acolhimento e atendimento especializado por meio do Núcleo de Atenção Psicológica e Social (NAPS).

A Instituição acompanha o caso, presta apoio à policial militar e adota as medidas administrativas pertinentes, preservando sua intimidade, o sigilo das informações e os direitos das pessoas envolvidas. Em respeito à privacidade da policial militar e para evitar sua revitimização, não serão divulgadas outras informações sobre o caso.