Famerp comemora 50 anos entre as melhores faculdades de medicina no Brasil
Desde sua fundação, a Faculdade de Medicina de Rio Preto contribuiu para que a cidade se tornasse referência em saúde; entidade também transformou a vida de seus alunos

O sonho de um grupo de jovens no final da década de 1960 de fundar uma faculdade de medicina em Rio Preto não só foi concretizado como contribuiu para que a cidade ganhasse uma identidade, se transformando em referência na saúde. Neste domingo, 15, esse sonho, também conhecido como Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), celebrou o jubileu de ouro. São 50 anos de história da faculdade que já formou 2.857 médicos e 1.205 enfermeiros.
Aluno da segunda turma, o radiologista Arthur Soares Souza Junior relembra que a Famerp foi criada como Fundação Regional de Ensino Superior da Araraquarense (Fresa). "Houve um envolvimento de, praticamente, todos os grupos médicos de Rio Preto. Havia pouquíssimas faculdades de medicina no Brasil", diz o médico que relembra seus anos de graduação: "Quando comecei estudar, o prédio do hospital escola não estava nem pronto ainda. A faculdade era bem pequena. Havia somente aquele prédio da frente, um auditório e as áreas de ciências biológicas", conta. "Na época estavam construindo a rodovia Washington Luís e tínhamos que desviar pela Alberto Andaló e atravessar um pedaço de terra. A faculdade ficava em meio a chácaras", disse Arthur, que é livre-docente pela Famerp.
O desejo e a organização dos médicos da época, nas palavras de Arthur, provocou uma "mudança muito grande na medicina em Rio Preto". "Tivemos a felicidade de ter professores do mais alto nível. Também foi feito um convênio com a Universidade da Flórida, vieram professores americanos dar aula. Já tinha uma ideia extremamente inovadora e uma vontade muito grande de fazer uma coisa diferente de tudo que já existia em qualquer outro lugar, com envolvimento dos alunos e profissionais."
Estadualização
O médico Cacau Lopes, especialista em saúde pública, que começou a estudar na Famerp, em 1975, quando ainda era uma instituição particular, foi um dos estudantes que participaram das ações que resultaram na estadualização da faculdade, que oficialmente ocorreu em 1994. "Dentro do movimento da faculdade tinha toda uma luta nossa para torná-la pública. Em 1979, acampamos por seis dias no Ministério da Educação exigindo intervenção para que a faculdade se desprivatizasse."
Troca de cadeiras
Muitos estudantes de medicina trocaram de lugar e ocuparam cadeiras de docentes e na diretoria da instituição. Aluno da primeira turma, o infectologista Irineu Luiz Maia foi contratado como auxiliar de ensino em 1975, dois anos após a formatura. "Foi uma experiencia importantíssima porque, com um ano de formado, eu já era professor da faculdade, me encheu muito de orgulho, mas me deu preocupação. Precisava estudar muito para mostrar que era capaz", disse Maia, que trilhou sua carreira docente na instituição.
Excelência
Em 50 anos, a Famerp escreveu sua história formando profissionais de excelência. A instituição é considerada uma das melhores de ensino superior do país e hoje recebe estudantes de 22 Estados brasileiros. Em 2016, foi anunciada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) como a primeira colocada no Exame da entidade em todo o Estado de São Paulo. No ano passado, ficou entre as oito melhores instituições no mesmo exame e foi uma das três do Brasil a receber nota máxima para o curso de medicina no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes).
Formação
O diretor geral da Famerp, Dulcimar Donizeti de Souza, ressalta a importância do complexo Famerp / Funfarme na formação dos alunos. "Temos um hospital que é o segundo maior em atendimento do estado de São Paulo e a faculdade que forma nas áreas da enfermagem, medicina e, agora, psicologia. Além de pós-graduação de referência e 67 campos de aprendizagem residência, com 500 residentes."
Além disso, a instituição vem ganhado cada vez mais destaque no Brasil e no mundo por suas pesquisas, como a de zika e gestantes e sobre a relação entre a zika e dengue. "Sem esquecer o viés do SUS, o atendimento e acolher bem, principalmente, os pacientes com mais necessidade de atendimento", complementa o diretor dizendo que para o futuro o foco são novos cursos e intensificar as pesquisas.
Referência
Acompanhando o crescimento de Rio Preto, a Famerp se desenvolveu e contribuiu para que a cidade se tornasse referência na área da saúde. "A cidade era preponderantemente comercial e tinha um forte peso no setor agrícola. A Famerp teve a capacidade, ao longo desses anos, de criar uma vertente de colocar a saúde como estratégia de desenvolvimento local", afirma o deputado estadual Orlando Bolçone.
Orgulho
A ginecologista-obstetra Regina Maria Volpato Bedone, que se formou em 1976 na Famerp, conta o orgulho de ter passado pela instituição é diário. "Eu adoro olhar meu diploma. Sinto orgulho não só da formação cientifica, mas também das amizades que fiz", disse a médica.