Diário da Região
FOCO E DISCIPLINA

Estudante rio-pretense conquista 1º lugar em medicina na UFSCar e música na USP

Jovem ocupa o topo da lista de aprovados em ampla concorrência das três universidades públicas; exímio pianista, Paulo Arnaldo Duarte já ouviu seu coração e decidiu seu caminho

por Joseane Teixeira
Publicado há 20 horasAtualizado há 14 horas
Paulo Arnaldo Duarte (Arquivo pessoal)
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Paulo Arnaldo Duarte (Arquivo pessoal)
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“Ouviremos falar de você em salas de concerto do mundo, com certeza”. A fala do diretor pedagógico do Colégio Agostiniano São José, Jesus Maria Martinez Piñeiro, é direcionada ao estudante Paulo Arnaldo Duarte, 18 anos, que conquistou o feito de ser aprovado em 1º lugar em três renomadas universidades públicas do País: Piano na USP, Música na Unesp e Medicina na UFSCar – todos na lista de ampla concorrência.

Na última semana, o Ministério da Educação divulgou que o curso de Medicina da UFSCar conquistou o 1º lugar nacional no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025.

Apesar disso, Paulo ouviu o seu coração e já decidiu seu caminho, que é a graduação em Música com Habilitação em Piano pela Universidade de São Paulo.

A paixão pela música vem dos pais, o procurador Frederico Duarte, que já integrou bandas e toca diversos instrumentos, e da mãe, Fabiana Colturato Duarte, que é cantora.

Aos 3 anos de idade, Paulo já tocava violino e, anos depois, iniciou no saxofone. O piano é um instrumento relativamente recente na vida do rapaz: ele começou os estudos em 2020, com a professora Jussara Pinto, que foi fundamental nesse despertar. Rapidamente ele demonstrou habilidade com o instrumento e o hobby virou paixão.

"Minha rotina de estudos era quase totalmente dedicada ao piano. Eu buscava sempre aproveitar ao máximo as aulas no Colégio Agostiniano São José, para ter tempo de me dedicar à prática do instrumento. Conciliar as duas coisas não foi fácil, já que para o estudo do piano são necessárias várias horas todos os dias, chegando a 6 ou 7 nos finais de semana", diz.

A graduação no curso de música da USP, em São Paulo, era o foco do estudante. Mas, por que Medicina?

"Como nenhuma das universidades nas quais eu me interessava aceitavam a nota do Enem como forma de ingresso no curso de música, eu não poderia utilizá-la para esse fim. No entanto, como tive um resultado excelente na prova, pensei em testar se a nota seria suficiente para ingressar no curso mais concorrido de uma das melhores universidades públicas do estado de São Paulo. E, assim, fui surpreendido com a primeira colocação na UFSCAR", justifica.

Apesar do pouco tempo de formação, Paulo participou de concursos, recitais e masterclasses com renomados pianistas, com destaque para sua participação no 12° Curso de Masterclasses para Jovens Pianistas em Radziejowice, organizado pelo Instituto Chopin, na Polônia, em 2025. Recebeu orientações de grandes nomes, como Cristian Budu, Richard Kogima, Roberto Domingos, Claudio Martínez Mehner, Nikolai Demidenko e Philippe Giusiano.

Nas redes sociais, a mãe Fabiana ressaltou a disciplina de Paulo com as aulas de música: “Parabéns filho por aproveitar todas as oportunidades que tem com muita dedicação!”.

Nos últimos anos, realizou um recital solo nas tradicionais Série Jovens Pianistas, em Cabo Frio (RJ), e Série Jovens Talentos Aronne Pianos, em São Paulo, além de outras apresentações solo e de música de câmara em Rio Preto e São Paulo. Também participou do 21º Festival de Música de Ourinhos e da VI Oficina de Piano USP.

Sua trajetória inclui ainda premiações em diversos concursos, destacando-se o 2º lugar no XIV Concurso Edna Bassetti Habith (2024), em Curitiba, e o 1º lugar no III Concurso GruPiano (2023), em Guarulhos, além de outras distinções em São Paulo, Campinas e Ituiutaba (MG).

Atualmente, Paulo Arnaldo Duarte é orientado pelo pianista e professor Luiz Guilherme Pozzi, o qual tem grande admiração.

O futuro no piano ainda está em aberto. O jovem considera fazer concertos, tocando solo, com orquestras ou em grupos de câmara. "Também tenho interesse pelo ensino do piano, por exemplo, em universidades. No futuro, poderia até mesmo conciliar as duas atividades", finaliza.