Estudante de Direito é vítima de transfobia no Terminal Urbano de Rio Preto
Vigilantes da Emurb agiram rapidamente em proteção à vítima: "Me senti acolhida e respeitada", disse Ravenna

Uma estudante universitária de 29 anos foi vítima de transfobia (preconceito e discriminação contra travestis e transexuais) na noite desta terça-feira, 29, no Terminal Urbano de Rio Preto. O crime foi cometido por um grupo de jovens e um adolescente de 16 anos foi conduzido para a Central de Flagrantes. Ele vai responder a procedimento por ato infracional de injúria, equiparado ao crime de racismo.
Apesar dos ataques, a vítima menciona que atuação dos vigilantes da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb) na proteção a ela e na tomada de providências foi uma demonstração de sensibilidade da sociedade ao tema.
Ravenna Louise Barbosa é estudante de Direito. Na noite desta terça-feira, 29, por volta das 23h30, ela retornava da faculdade acompanhada do namorado quando foi alvo de comentários jocosos e piadas por um grupo de jovens enquanto aguardava ônibus no Terminal Urbano.
"Retornei e perguntei a eles quem gritou as ofensas, mas ninguém quis assumir. Mencionei que transfobia é crime e que devo ser respeitada na minha identidade de gênero, portanto, a violência que estavam praticando era contra uma mulher. Um deles, mais exaltado, disse que eu não era mulher e que só não me bateria porque os vigilantes estavam ali", conta.
Percebendo a movimentação, diversos vigilantes da Emurb se aproximaram e Ravenna explicou que tinha sido alvo de transfobia. Eles detiveram o adolescente infrator, que já estava dentro de um ônibus, e acionaram a Polícia Militar.
“Isso acontece diariamente no Terminal Urbano. Um grupo de jovens hostis ofendem alguns tipos (de pessoas). Mas a Ravenna foi corajosa, pediu a nossa ajuda e nós seguramos o rapaz até a chegada da polícia”, disse um dos guardas, identificado como Wilson.
Outros dois agentes prestaram solidariedade à vítima e manifestaram que estão a disposição dos demais usuários do transporte coletivo caso precisem de ajuda.
“O acolhimento e respeito com que me trataram me emocionou muito. Disseram, inclusive, que estão a disposição, caso eu necessite do testemunho deles”, disse Ravenna ao Diário.
O adolescente foi conduzido para a Central de Flagrantes e negou ter direcionado comentários ofensivos à vítima. O caso foi registrado como injúria e será encaminhado para a Vara da Infância e Juventude.
“O STF definiu que atos de homofobia e transfobia sejam enquadrados como injúria racial, quando a ofensa é dirigida pra uma única pessoa. O adolescente que praticar esse ato infracional fica sujeito a processo na Vara da Infância e Juventude. A medida socioeducativa a ser aplicada dependerá da sua avaliação psicológica e de seus antecedentes”, disse o juiz Evandro Pelarin.
Após o registro do boletim de ocorrência, o menor infrator foi entregue sob responsabilidade da mãe, que foi buscá-lo na delegacia durante a madrugada.
"Não podemos deixar de ser quem somos, trabalhar, estudar, amar, pegar uma condução e viver nossas vidas com dignidade. Diante de casos como este, não podemos ter medo, precisamos enfrentar! Se há lei, devemos lutar para que ela seja aplicada", escreveu em suas redes sociais.