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PROMESSAS E ILUSÕES

Especialistas alertam sobre aplicações com rentabilidade acima da média

Caso de Gustavo Scarpa, que investiu em criptomoedas esperando retorno de 5% ao mês, liga o alerta sobre ganhos irreais; especialistas ouvidos pelo Diário dizem que rentabilidade alta pode ser sinal de golpe

por Marcos Lavezo
Publicado em 04/04/2023 às 22:30Atualizado em 05/04/2023 às 05:56
Tamires Barrionuevo, da Blue 3 Investimentos (Divulgação)
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Tamires Barrionuevo, da Blue 3 Investimentos (Divulgação)
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Encontrar uma aplicação com rentabilidade acima da média é o sonho de todo o investidor, mas é preciso cuidado para não cair em golpes. Recentemente, o jogador de futebol Gustavo Scarpa alegou ser vítima de um golpe milionário, acreditando estar investindo em criptomoedas que renderiam 5% ao mês. Mas será que isso é possível?

Os especialistas ouvidos pelo Diário dizem que este tipo de oferta é um alerta para fraude, até porque não tem como garantir um rendimento em ativos na renda variável. “Dentre os investimentos, naqueles em que há taxa pré-determinada, não existe nada que renda 5% ao mês. Não há a possibilidade de uma aplicação séria pagar isso”, afirma Tamires Barrionuevo, head da Blue3 Investimentos de Rio Preto.

Rafael Zaqueo, assessor de investimento na Wit Invest, também concorda que esta promessa de rentabilidade tão alta pode indicar um golpe. “Investimentos que oferecem uma rentabilidade de 5% ao mês geralmente são considerados muito altos e podem ser um sinal de alerta para uma possível fraude. É importante ter cautela e não se deixar levar por promessas de ganhos muito altos sem uma análise detalhada da situação”, afirma.

O caso de Scarpa mostra como investimentos fraudulentos podem ser identificados antes da decisão de contratação. Mas para isso é preciso ficar atento à rentabilidade exorbitante e fixa por mês. Além disso, confira a garantia, que não pode ser difícil de converter em dinheiro.

“Sempre que houver promessas de ganhos fixos e quando forem muito acima da taxa básica de juros atual, a SELIC, já haverá um forte indício de que aquele investimento pode ser uma fraude. Ou tem algum risco muito maior do que o que aparenta”, diz Tamires.

Para João Francisco Custódio, assessor de investimento na 1A Investimentos XP, o importante é identificar de onde vem este investimento, qual a instituição que a pessoa representa. “A corretora é uma ponte que leva o investidor até os ativos financeiros. Ela é confiável? Tive indicações? Ela é regulamentada? Isso já é o primeiro passo”, afirma.

Os especialistas explicam que, na hora de investir na renda variável – como ações e criptomoedas – é importante estar cercado de profissionais que conhecem o assunto. Além disso, o investidor deve se atentar para a regulamentação da corretora.

“É importante verificar se a corretora é regulamentada por um órgão competente, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil ou a Securities and Exchange Commission (SEC) nos Estados Unidos. A regulamentação pode garantir que a empresa cumpra com padrões de segurança e transparência”, diz Zaqueo.

Para João, a garantia sobre o investimento depende de qual é esta aplicação. Quando for a renda fixa, como CDB, o Banco Central autoriza e dá até R$ 250 mil como garantia.

“Se o banco do CDB quebrar, ele garante o valor até R$ 250 mil. Uma criptomoeda criada recentemente, por exemplo, tem o risco maior do que um bitcoin, que é mais tradicional. Os fundos imobiliários, as ações, cada um tem os seus riscos e o investidor precisa avaliá-lo”, afirma.

O risco inerente às criptomoedas

Rafael Zaqueo, da WIT Invest (Divulgação)
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Rafael Zaqueo, da WIT Invest (Divulgação)

Os especialistas ouvidos pelo Diário afirmam que investir em criptomoedas é um risco que deve ser considerado. Por isso, eles mostram que existem alguns cuidados específicos que os investidores devem ter para reduzir possíveis prejuízos.

O primeiro é pesquisar este investimento e entender a tecnologia por trás dele, assim como os riscos e os benefícios. Além disso, avalie o histórico da moeda no mercado. “A segurança é fundamental em criptomoedas. Certifique-se de escolher uma carteira de criptomoedas segura e confiável, com autenticação de dois fatores ativada. Nunca compartilhe suas chaves privadas e mantenha suas criptomoedas em uma carteira off-line”, afirma Rafael Zaqueo.

Outro ponto importante é a diversificação, investindo em diferentes moedas ajuda a reduzir o risco de perda total. Além disso, invista um dinheiro que você “possa perder” e não uma reserva de emergência, por exemplo. “É comum vermos pessoas que, sem orientação, tem o patrimônio investido em ativos que oscilam e, quando precisam de dinheiro, têm que vender com prejuízo para ter acesso ao dinheiro”, afirma Tamires Barrionuevo.

Por fim, e o mais importante, os especialistas indicam verificar se a corretora que você está investindo é regulamentada e pesquisar sua reputação. “As criptomoedas ainda não são regulamentadas em muitos países, o que significa que os investidores devem estar atentos a possíveis golpes e fraudes”, diz Zaqueo. (ML)

QUAIS OS RISCOS DE INVESTIMENTO?

Criptomoedas

São conhecidas por sua volatilidade e o valor varia amplamente em curtos períodos de tempo, o que significa que os investidores podem perder dinheiro rapidamente se o valor cair. Além disso, também estão sujeitas a riscos de segurança, como roubos e fraudes. A Receita exige declaração de valor igual ou superior a R$ 5 mil e a pagar imposto em movimentações sobre lucro acima de R$ 35 mil/mês.

Fundos Imobiliários (FII’s)

Eles são parte de imóveis que o investidor compra, recebendo um aluguel (dividendo) todo o mês. Os fundos imobiliários são afetados pelas condições econômicas gerais, bem como pelas condições do setor imobiliário. Além disso, o desempenho costuma ser afetado pelos imóveis que compõem o fundo. Os FIIs também estão sujeitos a riscos de crédito, de inadimplência do locatário e de vacância do imóvel. Os dividendos são isentos de imposto, mas o lucro na venda deve ser declarado dependendo do valor.

Fundos de Investimento

Eles são compostos por uma variedade de investimentos, como ações, títulos e outros ativos. Isso significa que o desempenho do fundo pode ser afetado por diversos fatores, incluindo a volatilidade do mercado, mudanças nas taxas de juros e ações específicas dentro do fundo. Além disso, os fundos de investimento estão sujeitos a riscos de liquidez, ou seja, difícil de vender as suas participações em momentos de baixa liquidez.

Ações

Investimento mais tradicionais da renda variável, o investidor se torna “sócio” da empresa que comprou a ação. Elas sofrem com a volatilidade do mercado e o desempenho costuma variar por fatores como condições econômicas gerais, mudanças regulatórias, notícias corporativas, desempenho da empresa. Além disso, investir em ações individuais se torna arriscado, pois você corre o risco de perda total em uma única empresa. A taxa de tributação é de 15% sobre o lucro da ação, mas em caso de day trade (compra e vende no mesmo dia) é de 20%.