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BONS TEMPOS

Duas décadas do último título do Rio Preto

Há exatos 20 anos, Jacaré comemorava título da Série A-3 do Campeonato Paulista. Time de Márcio Rossini superou condições precárias e marcou época, sendo o último campeão na sua história

por Claudia Paixão
Publicado em 28/08/2019 às 23:31Atualizado em 09/06/2021 às 01:30
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União, amizade e vontade. Estes foram os ingredientes que há exatos 20 anos deram ao Rio Preto seu último título em uma competição profissional masculina, o da Série A-3 do Campeonato Paulista de 1999. O elenco montado pelo gerente de futebol Olímpio Batista Ferreira Júnior, o Pinho, e o técnico Vicente Rocha, o Tim, ganhou força com chegada de Márcio Rossini, que perdeu apenas uma partida no comando (2 a 1 para o Taquaritinga fora de casa) e ergueu o caneco em 29 de agosto no estádio Anísio Haddad, depois de uma goleada de 3 a 0 sobre o Oeste de Itápolis. Foram mais dez vitórias e cinco empates sob sua batuta.

Rossini mora em Marília atualmente, onde tem uma escolinha de futebol do Santos. "Saí do Garça e fui pro Rio Preto. Eu cortava grama e os meninos catavam pra gente treinar. Durante o treino tinha de ver se tinha comida, se acabava gás tinha de ir atrás. Tinha carta branca do Vergílio Dalla Pria [Neto - presidente na época] para fazer tudo", conta o técnico Márcio Rossi, que entre idas e vindas comandou o clube em seis torneios. "Era um time muito experiente, começando pelo goleiro Nilton, Cafezinho, Esquerdinha, Marcus Aurélio, que era centroavante e fiz dele segundo volante. Um time onde todos marcavam e todos atacavam. Leonardo no meio, Juba na frente com o Ângelo."

O Rio Preto teve depois o inédito acesso à elite, sendo vice do A-2 de 2007, além do retorno ao A-2 sendo vice em 2016. O futebol feminino, na parceria com o Juventude/Smel, ainda deu o título brasileiro de 2015 e o bicampeonato paulista - 2016 e 2017.

Em campo, o Jacaré de 1999 era capitaneado pelo zagueiro Alexandre, hoje técnico em segurança no trabalho e funcionário de uma empresa de Sertãozinho. Porém, ainda reside em Pinheiral, no Rio de Janeiro. "Foi o último título como profissional e marcou minha vida pessoal pelo nascimento do meu filho [Thalles] mais novo", conta o ex-jogador, que ainda vestiu a camisa verde até 2001, antes de voltar ao Taubaté. "O time tinha característica aguerrida, forte, traços do Rossini, e qualidade pra jogar. Era muito unido dentro e fora do campo. Tínhamos muitos problemas na parte financeira, ficamos meses sem receber salários, mas em nenhum momento a equipe deixou de se dedicar."

O capitão ergueu então o quinto caneco seguido em sua carreira, encerrada em 2003 no Barretos. Antes tinha subido com Matonense (B1 para A-3 e para o A-2) nos anos de 1995 e 96. Depois foi para o A-2 com Mirassol e São Caetano nos anos seguintes. "Em nenhum deles os problemas foram tão grandes como os que enfrentamos aí. Alimentação, corte de energia no estádio, mesmo diante disso nossa equipe não deixou de ser aguerrida e buscar o bem do Rio Preto. O jogador que tinha um pouco mais ajudava quem tinha menos. Fica a lição que se conseguir gerir bem um grupo tem resultados extraordinários como foi aquele título", finalizou Alexandre.

Rossini, ex-zagueiro do Santos, Flamengo e da Seleção Brasileira em 1983, tem o título com apreço, já que foi o único na carreira de técnico. "Ia muito para salvar os clubes, título foi esse. Tá na hora de ser campeão novamente, se tem boa estrutura hoje, é investir e resgatar isso que aconteceu", disse Rossini.