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RIO PRETO EM FOCO

Com fotos históricas, coluna mostra a criação da cidade de Fronteira

Relação da cidade mineira com Rio Preto é antiga e tem laços fortes; cidade foi planejada para ser polo de atração turística

por Fernando Marques
Publicado em 16/09/2023 às 17:10Atualizado em 16/09/2023 às 18:08
Fusca é abastecido em posto de combustíveis em Fronteira (Jaime Colagiovanni/Digitalização: Zé Nogueira)
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Fusca é abastecido em posto de combustíveis em Fronteira (Jaime Colagiovanni/Digitalização: Zé Nogueira)
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A cidade de Fronteira, em Minas Gerais, sempre teve uma grande ligação com Rio Preto devido à figura do inesquecível Maurício Goulart. Nascido em Petrópolis (RJ), em 1908, Maurício Goulart foi jornalista, advogado, escritor, poeta e deputado federal.

Foi candidato a prefeito de Rio Preto por duas vezes, em 1959 e em 1963, e presidente do Jockey Club, em 1960. Elegeu-se deputado federal em 1963 a 1966 e de 1967 a 1970. Atuou em O Estado de São Paulo, em 1926; foi proprietário do jornal Correio da Tarde, em 1927, e diretor da revista “Arlequim”, no Rio de Janeiro, de 1928 a 1929. Foi fundador da Legião Revolucionária em 1930.

Exilou-se, também em 1930, em Buenos Aires, Argentina, com Luís Carlos Prestes e outros revolucionários. Em 1943, ele foi o responsável pela construção da Ponte Mendonça Lima sobre o Rio Grande, interligando os estados de Minas Gerais e São Paulo, quando teve a ideia de fundar a cidade de Fronteira, oficializada no dia 18 de julho de 1943.

Ao contrário de outras cidades da região, ela foi planejada antes de sua construção e contou também com uma grande colaboração de jornalistas e intelectuais de São Paulo. Alternando períodos em São Paulo e Rio, Goulart foi amigo e sócio de Samuel Wainer e Rubem Braga na revista “Diretrizes”, no Rio de Janeiro, de 1941 a 1952, enquanto instalava, em Fronteira, uma destilaria de álcool e açúcar.

Segundo o site oficial da prefeitura de Fronteira, o nome Fronteira não foi escolhido em virtude da condição fronteiriça da nova cidade, mas pelos significados que a ideia de se erguer um núcleo em plena selva trazia para seus construtores.

A cidade foi planejada para ser polo de atração turística, e em tudo a natureza colaborou para a realização desse sonho com suas belíssimas cachoeiras: dos Patos, do Marimbondo, das Andorinhas, o Rebojinho e o histórico Ferrador, com uma quantidade de peixes de cair o queixo.

A partir da edificação das primeiras casas, foi instalado, em 1945, um centro telefônico e, posteriormente, construída a Usina Hidrelétrica de Marimbondo, das Centrais elétricas de Furnas.

O núcleo cresceu integrado ao município de Frutal, do qual se desligou em 30 de dezembro de 1962, quando a Lei n.º 2764 criou o município e a cidade. Inúmeros rio-pretenses instalaram, por décadas, ranchos de pesca às margens do Rio Grande.

Em 1967, Goulart convidou o amigo e fotógrafo Jaime Colagiovanni para dar um volta pela cidade. Jaime, sempre “armado” com sua inseparável câmera Rolleiflex, fez uma belíssima sessão de fotos, mostrando aspectos da pequena cidade, sua gente, a Ponte Mendonça Lima e as belas cachoeiras, antes da inundação, em 1975. Que pena. Era uma beleza.