Bia Seidl vive vilã na novela Apocalipse
Em Apocalipse, novela da Record, atriz Bia Seidl vive uma vilã que nutre um amor edipiano pelo filho, um homem que se prepara para dominar o mundo
Bia Seidl é a vilã Débora em Apocalipse, novela das 20h45 da Record. No folhetim de Vivian de Oliveira, a personagem vive um casamento infeliz ao lado de Adriano (Eduardo Lago). No entanto, fica presa à relação para se vingar do marido e permanecer perto do filho, Ricardo (Sergio Marone), que se prepara para dominar o mundo.
Na entrevista a seguir, a atriz de 56 anos comenta as vilanias de Débora, a relação da personagem com Ricardo e como foi a experiência de dividir o papel com Manuela do Monte, que participou da primeira fase da trama. Além disso, Bia revela o que descobriu ao fazer um workshop sobre judaísmo para a novela e de que forma criou seus próprios filhos.
Você acha que as más atitudes da Débora são justificáveis?
Bia Seidl - A história de vida dela é complexa. Ela tem um passado difícil, de muita decepção e frustração. Tem aquele casamento mal resolvido, mas, em contrapartida, sente grande amor pelo filho. É um amor edipiano. Débora tem um comportamento que, às vezes, é um pouco difícil, duvidoso, ambíguo. Embora se justifique por um lado, por outro é impensável o que ela faz na história.
Você gosta de fazer vilãs?
Bia - Sim, porque a gente entra em uma sequência de personagens de boa índole, que não exigem tanto e têm menos ambiguidade. Uma vilã dá mais possibilidades de nuances na interpretação.
Manuela do Monte fez a Débora na 1ª fase. Como trabalharam a personagem?
Bia - Nós tivemos muitos encontros e workshops juntas. Combinamos algumas coisas, pois acho que todas as pessoas têm características marcantes na forma de falar, de andar, de se comportar. São esses detalhes que definem a partitura corporal de alguém. Foi um trabalho de observação. Ela me entregou um assoalho para que eu entrasse exatamente no matiz de cores que ela colocou no trabalho dela. A Débora tem uma empáfia, isso é algo fácil de você sacar. Manuela trabalhou facilmente, porque a personagem é bem escrita. Ela tinha material para se debruçar e eu também, por completo.
Você também estudou o judaísmo?
Bia - Sim. No workshop sobre o judaísmo, fiquei impressionada com o quanto me aproximava disso. Embora o meu sobrenome seja austríaco e eu não seja judia, percebi que devo ter algum antepassado. Notei que tenho hábitos muito parecidos com os dos judeus.
Que hábitos seus são parecidos?
Bia - Eles não comem porco, por exemplo. Tenho esse olhar, não como porco nem carne vermelha. Também tem a relação com o Deus deles em que brigam, o que em outras religiões é impensável. Eles discutem quando entram em contato com Deus, que é algo particular deles. Isso é muito interessante. Perguntam para esse Deus o que ele está querendo, porque nenhuma situação é posta na sua vida sem trazer alguma transformação. A não ser que você não queira mudar.
Na trama, Débora criou o filho de forma errada. Como você educou os seus?
Bia Seidl - Na relação com os meus filhos, primeiro, eu busquei a amorosidade, mas acredito em disciplina. Acredito em organização, em controle mental. Acho que trabalhei nos meus filhos a resiliência e, além disso, a humildade. E são as minhas escolhas que margeiam a vida deles.