Agronegócio turbina o PIB per capita dos municípios da região de Rio Preto
Agronegócio é o setor que mais contribui para o desempenho do PIB per capita das cidades da região; segundo dados do IBGE, esses municípios têm menos de 10 mil habitantes e grandes empresas

O agronegócio é o principal motor a impulsionar a economia das cidades da região. As cinco cidades com o maior PIB per capita têm populações que sequer ultrapassam os 10 mil habitantes, mas têm um indicador médio de R$ 97,7 mil por ano. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As cinco cidades da região com o maior PIB per capita são: Sebastianópolis do Sul (R$ 116,1 mil), Meridiano (R$ 103,2 mil), Jaci (R$ 92,7 mil), Estrela d’Oeste (89,4 mil) e Orindiúva (R$ 87,5 mil). Em comum, setores fortes como a indústria sucroenergética, pecuária, borracha natural e indústria moveleira.
Na teoria, isso significa que cada morador de Sebastianópolis do Sul, por exemplo, teria recebido R$ 13,8 mil por mês. Mas a teoria está bem longe de ser a realidade.
O Produto Interno Bruto (PIB) de um local (município, estado ou país) é calculado considerando os bens e produtos produzidos em um local, os serviços, os investimentos (sejam eles da iniciativa privada ou do governo) e os gastos públicos. O PIB per capita (ou PIB por pessoa) dos municípios indica o que cada pessoa que mora na cidade teria do total de riqueza produzida naquela cidade. “O PIB per capita é um exercício teórico, uma abstração, de você pegar o PIB e dividir pela população. É só uma abstração teórica para a gente analisar o nível de vida das pessoas” diz o economista Bruno Sbrogio.
Ele explica que quando se tem uma cidade muito pequena e uma indústria grande, uma usina, por exemplo, e essa usina produz muito, vende muito e tem um grande ganho, isso faz com que o PIB da cidade seja alto. “Não necessariamente o nível de vida daquela cidade é alto porque o ganho fica concentrado naquelas pessoas que são donas ou acionistas da empresa e não se distribui por toda a cidade”, completa Sbrogio.
Qualidade de vida
É por isso que muitos pesquisadores são relutantes em utilizar o PIB per capita como uma forma de avaliar a qualidade de vida da população. Em cidades maiores, com população maior, há uma maior circulação de mercadorias, serviços e, por isso, há uma tendência de que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) seja melhor do que em municípios que tenham o PIB per capita maior, porque a riqueza se distribui de uma maneira mais eficiente.
Sebastianópolis do Sul é a cidade da região de Rio Preto com o maior PIB per capita: R$ 116,1 mil por habitante. Segundo o prefeito, Manoel Magalhães, a população é de 3.130 habitantes, segundo o Censo de 2022 do IBGE, e a parte econômicamente ativa se divide entre o poder público municipal e uma usina de açúcar, álcool e energia solar.
“A gente tem 10% da população que é funcionário público e temos uma usina multinacional geradora de energia açúcar e álcool, e uma metalúrgica. Cerca de 20% dos nossos moradores trabalham na usina”, afirma o prefeito.
Outra cidade presente no topo da lista dos municípios com maior PIB per capita é Jaci. Segundo os dados do IBGE, Jaci tem um PIB per capita de R$ 92,4 mil. Segundo a prefeita Valéria Guimarães, a vocação econômica são as indústrias moveleiras e a heveicultura. “A cidade que tem um polo moveleiro industrial muito forte que emprega pessoas de várias cidades da região. Temos a usina de borracha comprada pela Pirelli”, afirma.
Rio Preto
Rio Preto ficou na 18ª posição na região quando o assunto é o PIB per capita, com o valor de R$ 44,6 mil por habitante e um PIB total de R$ 20,9 bilhões.
Em nota, a prefeitura se disse satisfeita com os números, que aumentaram de R$ 39 mil em 2020 para R$ 44 mil em 2021, e que adota as mais diversas ações para fortalecer a economia local. “É meta prioritária da administração municipal o fortalecimento da economia, desenvolvendo ações estratégicas para aumento do número de empresas, geração de empregos e renda, no comércio, na prestação de serviços, na indústria, na ciência e tecnologia”, diz o texto.