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Diário da Região

29/06/2017 - 19h40min

Saúde

Xixi na cama

Saúde

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Elas se sentem envergonhadas. Ficam com receio. E os pais muitas vezes não sabem como lidar quando o colchão aparece molhado após uma noite de sono. O fato é que fazer xixi na cama até os cinco anos de idade é considerado normal, porque as crianças ainda estão amadurecendo seu sistema urinário, embora seja muito comum já adquirirem esse controle por volta dos dois anos.

O urologista Miguel Zerati Filho, do Instituto de Urologia e Nefrologia de Rio Preto e presidente da Unimed Rio Preto, tranquiliza os pais ao afirmar que o controle urinário noturno da criança é variável, iniciando-se a partir dos 2 anos de idade. "Entretanto, muitas crianças necessitam um tempo maior. Só consideramos enurese noturna quando a criança urina na cama após os 5 anos e pelo menos três vezes por semana." 

O especialista acrescenta que se a criança tem o controle miccional diurno, ou seja, não perde urina quando está acordada, não é um problema preocupante e geralmente irá se resolver com o tempo.

Cerca de 15% das crianças são portadoras de enurese noturna, sendo duas vezes mais frequentes em meninos. "A normalização espontânea sem tratamento algum ocorre em cerca de 10% ao ano, sendo que apenas 1% permanecerão enuréticos aos 15 anos", avisa Zerati Filho.

A causa da enurese é multifatorial. As crianças têm maior volume urinário noturno. "É uma hiperatividade da bexiga, isto é, a bexiga se contrai mais vezes involuntariamente. Os enuréticos têm sono profundo e isso agrava o automatismo da bexiga. Associado a esses fatores, há uma causa genética: em até 70% dos casos os pais foram enuréticos", enumera o urologista.

Geralmente, o tratamento começa após os 8 anos. Antes disso, os especialistas orientam os pais que a enurese noturna não é uma doença. É uma fase que provavelmente vai acabar e que não adianta ficar bravo ou dar castigo. É indicado diminuir a ingestão de líquidos à noite, se possível parar duas horas antes de dormir, urinar antes de dormir e motivar a criança. "Importante retirar as fraldas, pois elas funcionam como uma permissão para a criança urinar. Se os pais puderem, podem tentar levar os filhos no meio da noite para urinar sem acordá-los."

A enurese noturna pode ser tratada com diferentes medicamentos, que devem ser individualizados, além de dispositivos como alarme, que produz barulho quando se molha para condicionar a criança a acordar. "Há medicamentos para diminuir o volume urinário noturno, diminuir a hiperatividade da bexiga ou mesmo aumentar o controle do xixi", explica o urologista.

O médico explica que se a criança ou o adolescente urina normalmente quando está acordado, não é nenhuma patologia, não precisando nem de exames específicos. Entretanto, se houver perdas urinárias diurnas, pode sim ser decorrente de outros problemas e necessitar investigação diagnóstica. "Outro conceito importante: aquela criança que sempre fez xixi na cama não tem fatores psicológicos envolvidos. Só pensamos em causas psicológicas quando a criança já tinha o controle total, dia e noite, e por algum problema volta a urinar na cama, como nascimento de irmão ou problema na escola, por exemplo."

Nesta época do ano, a vontade de urinar aumenta. Isso porque, de acordo com Zerati Filho, nosso organismo consome menos líquido, seja para falar, respirar, etc, e principalmente: transpiramos menos. "Assim, 'sobra' mais líquido para formar a urina, por isso urinamos mais no frio, e quem tem problemas urinários, seja enurese ou bexiga hiperativa, piora."

Incontinência e bexiga hiperativa

A bexiga hiperativa na infância é caracterizada pela urgência para urinar. As crianças saem correndo e os pais geralmente atribuem à distração, ou que os filhos, por estarem brincando, deixam para urinar na última hora. Isso não é correto, conforme explica o urologista de Rio Preto Miguel Zerati Filho.

"Na verdade, a criança sente um súbito desejo miccional. Muitas vezes, chega até a comprimir os genitais para tentar segurar e nem sempre consegue."

A bexiga hiperativa é mais frequente no adulto, principalmente com o envelhecimento. Sendo duas vezes mais frequente em mulheres. "A pessoa não tem um desejo miccional progressivo, já sente vontade e tem de ir rápido ao banheiro, senão escapa urina. Pode ter ou não incontinência. Geralmente, urina muitas vezes durante o dia, pelo menos oito, a maioria muito mais."

Já a incontinência urinária é a perda involuntária de urina, e a gravidade varia: em alguns casos, a pessoa não consegue segurar a urina ao fazer esforços como tossir ou espirrar, em outros casos, a vontade de urinar é tão súbita e forte que não dá tempo de chegar a um banheiro.

Cerca de 2/3 dos homens e 1/3 das mulheres com bexiga hiperativa não apresentam incontinência urinária. "Uma característica é que apenas 40% das pessoas com bexiga hiperativa procuram auxílio médico, a maioria vai se adaptando e se acomodando, seja por desconhecimento ou constrangimento", diz o urologista.

Dicas

  • Deixe claro à criança ou ao adolescente que ele não é o único e que não há culpado
  • Busque ajuda médica e psicológica, psicoterapêutica
  • Evite intolerância dos pais ou responsável
  • Evite interromper o tratamento proposto pela equipe multidisciplinar - os resultados aparecem em mais ou menos 6 meses

Fonte: Ana Claudia Belmar, fisioterapeuta especialista em uroginecologia

Biofeedback ajuda

Trocar a roupa de cama e colocar o colchão para secar são situações muito comuns para quem tem filhos pequenos, especialmente no processo de retirada das fraldas.

O diagnóstico fisioterapêutico busca a história pregressa dos hábitos miccionais do paciente e dos familiarres, de acordo com a fisioterapeuta especialista em uroginecologia, Ana Claudia Belmar. "O diário miccional é um controle realizado em casa, que avalia a frequência e o volume dos episódios. Outros métodos de controle são o exame de urina, para descartar infecções de urina; e a inspeção funcional através do biofeedback com eletromiografia, exame que demonstra a contração e o relaxamento dos músculos do assoalho pélvico, ou se os músculos estão hipoativos ou hiperativos. Lembrando que o diagnóstico final deve ser realizado junto com o diagnóstico clínico", afirma Ana Claudia.

Para tratar o problema, a especialista orienta evitar alimentos irritativos ou diuréticos à noite. Entre os tratamentos fisioterapêuticos, Ana Claudia destaca o biofeedback. "Através do aparelho, a criança aprende a contrair e relaxar completamente os músculos do períneo, evitando resíduos miccionais e eletroestimulação para bexigas diagnosticadas hiperativas ou hipersensíveis."

 

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