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Diário da Região

29/06/2017 - 19h44min

Carreira

Viciados em Trabalho

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Trabalhar por horas a fio e ter um bom salário, para muitas pessoas, é sinônimo de sucesso, assim como ser chamado de "workaholic" é um elogio. O grande problema é quando a vontade de trabalhar acontece em detrimento de outras coisas como saúde, relacionamento e até mesmo a qualidade do trabalho. 

Profissionais com essas características são fáceis de ser identificados: constantemente trabalham mais de 12 horas por dia no escritório e ainda levam serviço para casa. Já em casa, também recebem críticas no fim de semana por ficarem sempre de olho no celular e checarem as mensagens a cada hora para ver se existe alguma pendência no trabalho. Segundo o especialista em recursos humanos Celso Bazzola, é mais fácil encontrar alguém com esse problema do que tratar. 

"Trabalhar muito, sem descanso e momentos de lazer e para a família já foi sinônimo de colaborador comprometido", diz o consultor empresarial Carlos Alex Fett, autor do livro Domínio - A Arte de Vender e Liderar com Sucesso. Acreditava-se que viver para o trabalho fazia do colaborador alguém confiável, que tinha na profissão sua razão de vida. "Hoje, quando a qualidade de vida é baseada mais no ser feliz do que no ter dinheiro ou galardão profissional, onde o quociente emocional vale mais que o intelectual (já que estar bem consigo mesmo é que traz capacidade de interação e produtividade), ser 'workaholic' é ir contra a maré", argumenta.

"Hoje são frequentes os casos de 'workaholics' e isso se percebe a partir do momento que a pessoa não consegue se desligar do trabalho, deixando de lado sua convivência social, seja com familiares ou amigos", explica o especialista. Assim, a pessoa se torna um trabalhador viciado e compulsivo, e mesmo fora de seu ambiente de trabalho cria um novo ambiente recheado de temas sobre seus negócios, não há situação que o faça se desligar do trabalho. E isso pode trazer sérios prejuízos não só para o profissional, mas também para a empresa.

"O estresse profissional representa aproximadamente 3,5% do PIB brasileiro. Este custo é médico e econômico, manifestado pelos afastamentos do trabalho, pelos custos de tratamento e também pelo presenteísmo (quando as pessoas vão para o trabalho, mas não contribuem inteiramente para a produtividade da organização naquele dia), pelo aumento da rotatividade, pelos passivos trabalhistas, entre vários outros aspectos", afirma André Caldeira no livro Muito Trabalho e Pouco Stress (Ed. Évora). 

Para ele, encontrar equilíbrio entre trabalho e o resto é uma tarefa para todos e também uma necessidade absoluta. "Para os profissionais, o estresse é um mal invisível que prejudica a produtividade no trabalho e mina a vida pessoal, afetando a qualidade de vida, o tempo com a família, o desenvolvimento pessoal e espiritual", diz. 

Inicialmente, esse comportamento pode ser interessante, pois a velocidade dos resultados é satisfatória. "Porém, há um desgaste emocional natural do profissional, pois ele estará isolado e restrito ao tema trabalho, bloqueando sua sociabilização, o que poderá resultar em sérios transtornos futuros para sua vida", diz Celso Bazzola.

A situação pode ser tão grave que estudos recentes de casos clínicos em consultórios psicológicos e psiquiátricos apontam que o vício de trabalho é similar à adição ao álcool ou cocaína. Tornando o trabalho, nesses casos, uma obsessão doentia. 

Uma análise recente feita por pesquisadores da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, concluiu que os viciados em trabalho são menos produtivos do que colegas com atitudes mais saudáveis com relação ao trabalho. Pesquisadores da Universidade de Bergen, na Noruega, também encontraram correlação entre trabalhar demais e distúrbios psiquiátricos como transtorno obsessivo compulsivo, ansiedade e depressão. "Não é uma questão de quantas horas passamos no trabalho, mas o que acontece dentro de nós", escreve o psicoterapeuta Bryan Robinson, no livro "Chained to the Desk" (Acorrentado à Cadeira, em tradução livre). Ele descreve esse movimento como uma compulsão, um impulso para trabalhar ou pensar no trabalho, e diz já ter cuidado de pacientes que acabaram se separando ou foram demitidos.

Domínio do tempo

"Quando acontece, ou o profissional está mal orientado, tendo falsos líderes que exigem um comprometimento fatigante sem ser positivo", diz o consultor Carlos Alex Fett. Ou o profissional tenta demonstrar com o trabalho em excesso algo que não tem (capacidade, foco, assertividade). Então, falsamente, se diz sempre ocupado, atarefado, corrido. 

"Mas seu excesso de trabalho é improdutivo e falseia seu real sentido: é mal preparado para a função. Há ainda os que se refugiam no trabalho em excesso para fugir dos problemas pessoais. Ledo engano. Pois não se resolvem problemas jogando a sujeira deles para debaixo do tapete", complementa. 

Encarar a situação pessoal e resolvê-la fará com que o profissional renda mais, dinamizando seus horários, tendo tempo para a profissão, a família e principalmente para si mesmo. Encontrará, então, domínio das ações, e seu tempo, precioso que é, será aproveitado a contento. "E não só ele, mas a empresa que representa será beneficiada por um novo profissional: aquele que tem consciência que dominar seu tempo é o que o fará mais proativo, capacitado, harmonioso e em paz consigo e com quem o cerca", diz Fett.

É preciso saber viver

Não existe nenhum problema em trabalhar esporadicamente além da jornada de trabalho. Mas para Celso Bazzola, compete ao profissional de recursos humanos identificar quando há exageros na rotina de trabalho. 

"Será saudável enquanto não aprisiona a pessoa na necessidade constante de falar e estar agindo pelo trabalho." 

O caminho para combater esse problema é assegurar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, buscar valorizar mais os momentos de lazer e perceber que o descanso é fundamental para a melhoria de resultados e a busca de novas ideias que podem potencializar os resultados no trabalho. 

É importante sabermos diferenciar o amor ao trabalho do vício. Um amante do trabalho tem noção de que o excesso se refletirá em conflitos nos relacionamentos pessoais, além de proporcionar efeitos nocivos à saúde e ao bem-estar. "Existem profissionais que buscam entregar resultados e isso é positivo. É importante ter em mente que o fato de ser um 'workaholic' não significa que o profissional seja mais produtivo. Muitas vezes, vemos pessoas que não conseguem ter organização no seu dia a dia e acabam trabalhando mais tempo para entregar o mesmo resultado."

Você é workaholic? Faça o teste.

1 - Que sentimento e/ou atitude você tem sobre a aposentadoria?

(a) Desde que começou a trabalhar, você conta os dias que faltam para a grande data

(b) Está louco para que chegue este dia de libertação

(c) Tem projetos alternativos para sua vida pessoal e profissional

(d) Você acha que no dia que sair da empresa morre antes de dormir

2 - Você está jantando com sua família e começa a falar sobre seu chefe:

(a) Imediatamente pede um remédio para o estômago

(b) Esta cena jamais ocorreria, pois assuntos profissionais não entram em casa

(c) Combinam convidá-lo para um próximo jantar

(d) Você guarda um pedaço da torta de chocolate para levar para ele no dia seguinte

3 - Você ganha R$ 5 milhões na mega-sena:

(a) Imediatamente redige uma carta para sua empresa "dizendo o que nunca teve coragem para dizer"

(b) Fica feliz com sua independência

(c) Começa a pensar em uma nova relação de trabalho com sua própria empresa (parceria)

(d) Compra os 5 milhões de reais em ações da sua organização

4 - Ao dormir domingo à noite e lembrar que o dia seguinte é segunda-feira:

(a) Você começa a tremer e toma um Lexotan

(b) Passa por você uma certa sensação esquisita

(c) Você mentaliza que se inicia mais uma semana de criação e desenvolvimento

(d) Você dá graças a Deus e sonha com os anjos

5 - Quando seu chefe o chama para trabalhar no final de semana para terminar um projeto:

(a) Você toma um litro de uísque para "esquecer a desgraça"

(b) Você vai com uma pesada sensação de que está caminhando para a forca

(c) Você pensa que é um sacrifício eventual que vale para o desenvolvimento da empresa

(d) Você propõe que a equipe se mude para um hotel para trabalhar 24 horas por dia

6 - Quando você está trabalhando com sua equipe:

(a) Você percebe que ficam todos encostados na parede com medo da "ação do próximo"

(b) Você percebe que seus companheiros de trabalho se sentem com a obrigação de se entenderem bem

(c) Você se sente em um time cujos membros são unidos pelo respeito e até pela admiração mútua

(d) Você considera esta turma muito mais importante que sua família

7 - O feriado cai na quinta-feira e a empresa vai "emendar":

(a) Você acha que o presidente da República deveria assinar uma lei que tornasse feriado toda quinta ou terça

(b) Desde o início do ano você já tem planos de viagem para esta data

(c) Você gosta, mas se preocupa com os impactos negativos nos resultados do seu trabalho e no desempenho da empresa

(d) Você se rebela contra a "emenda", vai trabalhar na quinta, na sexta e, para dar o exemplo, também no sábado até às 9 horas da noite

8 - Fora da empresa e do horário de trabalho:

(a) Você deleta a empresa da sua mente e não admite confundir as coisas

(b) Esporadicamente você faz algum comentário sobre "o local do sacrifício"

(c) Sem exageros você busca conexões entre o mundo, o ambiente externo e o lugar onde você se desenvolve como ser humano e profissional

(d) Quem está fora da empresa é seu corpo, pois seu cérebro pertence 24 horas à organização

9 - Ao se imaginar daqui a dez anos na mesma empresa:

(a) Você chega a pensar em suicídio

(b) Você começa a chorar

(c) Você planeja como será o seu desenvolvimento pessoal dentro da organização neste período

(d) Você não tem dúvida de que esta é a única opção que você admite para sua vida

10 - Qual sua relação com o trabalho:

(a) Um castigo de Deus

(b) Uma relação burocrático-jurídica, em que você troca dez horas do seu dia por um cheque no final do mês

(c) Uma oportunidade para você cumprir sua missão terrena, agregando valor ao universo e recebendo uma justa remuneração material em troca

(d) A única coisa importante na sua vida

11 - No almoço de trabalho ou no elevador da empresa você se junta a mais quatro ou cinco colegas:

(a) Tem sempre um advogado junto, ajudando a "tchurma" a entrar na Justiça para receber direitos trabalhistas do passado

(b) O papo se concentra no próximo aumento salarial

(c) Ideias são trocadas para melhorar a integração pessoal, o ambiente humano e o desempenho da empresa

(d) Discutem-se o corte de custos e a próxima demissão de pessoal

12 - Você recebe um convite para sair da empresa. Em que situação você recusa ou aceita a nova oportunidade?

(a) Sai agora até por menos vinte por cento do salário que ganha hoje

(b) Pelo mesmo salário você aceita

(c) Depende de vários fatores, incluindo o ambiente humano da nova organização, a perspectiva de desenvolvimento oferecida  e, claro, uma justa remuneração

(d) Você quer dinheiro, dinheiro, dinheiro. 

Some

1 ponto para cada resposta (a)
2 pontos para cada resposta (b)
3 pontos para cada resposta (c)
4 pontos para cada resposta (d)

Resultado

  • Entre 12 e 17 pontos: Deve estar difícil viver. Uma boa solução é realmente jogar na mega-sena e em todas as loterias ou então torcer para aquela velha tia rica morrer e deixá-lo como único herdeiro. Apesar de tudo, tente rever sua relação com o trabalho e as crenças que construíram esta raiva tão grande que você tem do trabalho.
  • Entre 18 e 27 pontos: Você caminha todo o dia para o sacrifício, mas em alguns momentos há uma luz no fim do túnel onde a motivação começa a aparecer. Uma boa solução talvez seja a troca da empresa. Não deixe, também, de rever suas crenças em relação 
  • ao trabalho.
  • Entre 28 e 39 pontos: Parabéns. Você é um exemplo de motivação e apresenta um excelente equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional. Você entende que o trabalho (especificamente na sua empresa) é um importante instrumento de desenvolvimento e evolução. Tente mostrar aos outros suas crenças em relação a ele.
  • Entre 40 e 45 pontos: Mais do que motivado, você é dependente do trabalho. Workaholic é seu estado de espírito. Você deve estar com sua família de centro de custo e se comunicando por e-mail com seus filhos. Tente voltar à faixa dos 36 pontos.
  • Mais de 45 pontos: Você não é um ser humano. Você é um robô. A vida para você é um fluxo de caixa e as palavras humanas escrevem da seguinte forma: @mor; $entimento, Feli$$idade.

Fonte: Marco Aurélio Ferreira Vianna, Instituto MVC

 

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