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Sexualidade

Vamos falar sobre sexo, doutor?

Sexualidade


    • São José do Rio Preto
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Conversar com o médico sobre sexo pode ser, para muitas mulheres e homens, uma tarefa árdua. Mesmo adultos e com toda facilidades em adquirir conhecimentos, eles se fecham, ficam com dúvidas e, consequentemente, vivem uma sexualidade com qualidade ruim. Ao conversar com o especialista, a pessoa omite informações importantes para a manutenção da saúde sexual. A timidez em falar sobre sexo pode ser algo cultural, familiar ou religioso. Em outros casos, a vergonha pode ter relação com o medo de ser avaliado ou julgado. Em especial, muitas mulheres ainda sentem vergonha de se expor. Diego Henrique Viviani, psicólogo e sexólogo, afirma que sexo sempre foi tabu e, apesar de, atualmente, as pessoas terem mais liberdade para tratar sobre o assunto, ainda carregam uma lista de mitos que foram se solidificando ao longo do tempo. 

São crenças como homens não podem recusar sexo, masturbação faz mal para a vista, mulher deve ser virgem até o casamento... "Então, muitas vezes as pessoas falam de sexo por diversão e descontração, quando na verdade estão evitando falar sobre isso de maneira mais séria. Ou seja, sexo, ainda hoje, é entendido como algo que deve ser feito, e não conversado." Muitos médicos precisam dar abertura ou iniciar uma conversa com o paciente durante a consulta de rotina. Carlos Eduardo Ferreira, ginecologista e obstetra, conta que esse tipo de diálogo deveria fazer parte de todas as consultas. "Infelizmente, alguns especialistas não dão abertura. Às vezes, pelo excesso de pacientes e também pelo estilo que o médico trabalha, ele evita prolongar a consulta. Uma pena", revela. 

A internet deixou as informações mais acessíveis. No entanto, segundo o médico, os adolescentes acabam descobrindo o universo sexual fora de casa. "Por isso incentivo as mães a levarem suas filhas ao ginecologista. O objetivo é evitar que muitas mães passem experiências equivocadas para as meninas. Quando vejo as mães tomando esta atitude, eu as parabenizo. A paciente vai levantar o problema e caso o ginecologista não possa ajudar, ele encaminha para outro especialista para fazer o diagnóstico correto. Às vezes, um psicólogo é a melhor solução."

Celia Caceres Ortunho, obstestra e ginecologista, conta que o paciente que consegue conversar com seu médico sobre seus medos e dúvidas sobre sexo, consegue viver mais leve. "Em muitos casos, quando ele conversa, se sente aliviado. Tanto homem quanto mulher, em diferentes idades. Percebe que existe um caminho para solucionar determinado problema. A conversa também deve se estender em casa, onde o casal deve falar das queixas e achar soluções. No final, os dois acabam se arrependendo de ter adiado o diálogo ou escondido a queixa."

Na visão da psicologia, quem conversa sobre sexo é mais feliz. Quem garante é a psicóloga Rosana Zanella. Segundo ela, o diálogo aberto sobre sexo, sem medo e sem preconceitos deixa as pessoas descomplicadas. "A sexualidade é inerente ao ser humano e a todos os seres vivos. Ter sua vida sexual saudável e livre de dúvidas e preconceitos torna a vida mais feliz. Um psicólogo, além de poder sanar dúvidas, poderá acompanhar as angústias." Rosana conta que algumas questões podem ser resolvidas com o ginecologista ou o urologista. 

 

Orientação contraceptiva

O diálogo franco com o médico é importante também para a escolha do método contraceptivo adequado às condições de saúde e estilo de vida. De acordo com a ginecologista Marta Finotti, é importante ter acesso universal a todos os métodos. Neste cenário, o médico faz uma orientação a respeito da eficácia de cada um deles e dos possíveis efeitos colaterais. "É necessário avaliar as possíveis contraindicações e permitir que, preferencialmente, o casal tome uma decisão livre e informada."

A orientação contraceptiva prestada pelo médico e pela equipe de saúde responsável é essencial para aderência e eficácia. "Além disso, devemos orientar sempre a dupla proteção, ou seja, um método contraceptivo eficaz para prevenir a gravidez associado ao preservativo ou à camisinha feminina para prevenção de doenças sexualmente transmissíveis."

O paciente pode aproveitar a consulta para aprender a se cuidar. Isso inclui medidas simples e até a prevenção das DSTs. A ideia é sanar todas as dúvidas com o médico e deixá-lo munido de dados que o auxiliem em qualquer tipo de diagnóstico. O bate papo precisa acontecer de forma honesta, natural e, sobretudo, livre de preconceitos, para uma boa troca de informações. 


DICAS:

  • Providenciar uma listinha com tópicos importantes para a conversa pode ser uma boa saída para nenhum assunto ficar de fora
  • Você deve ser transparente na descrição do seu dia a dia e preferências. Não omita nenhuma informação, por mais simples que seja. Isso dificulta o diagnóstico médico
  • Abra o coração, conte tudo, não esconda nada. Suas informações e histórico de vida servem para traçar um perfil de saúde
  • Fale dos projetos femininos, como estado civil, planejamento profissional e familiar de curto,  médio ou longo prazo

 
Fonte - MSD, empresa de cuidados com a saúde


ALERTA

Procurar um especialista pode ajudar muito quando se tem dúvidas sobre sexo, mas isso é só a ponta do iceberg, segundo o psicólogo e sexólogo Diego Henrique Viviani. "Normalmente, são questões mais sérias, muitas vezes associadas a disfunções, e o diálogo tem que iniciar em casa, com o próprio parceiro. Esse diálogo simples pode facilitar as experiências e os encontros sexuais. Se não for o suficiente, procurar um especialista é uma boa ideia", afirma