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Diário da Região

29/06/2017 - 19h42min

Razão e Emoção

Seu cérebro toma decisões por você

Razão e Emoção

Stock Images/Divulgação NULL
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O cérebro humano é complexo. Possui 86 bilhões de neurônios, que podem formar 100 trilhões de conexões. Estimativa de cientistas da Universidade Stanford aponta que se fosse possível criar um computador com o mesmo número de circuitos do cérebro o equipamento consumiria 60 milhões de watts por hora, equivalente a 0,4% de toda a energia produzida pela usina de Itaipu, uma das maiores do mundo. Mas para exercer suas atividades o cérebro humano gasta pouquíssima eletricidade - 20 watts por hora, menos que uma lâmpada.

Mas apenas 5% das nossas decisões são gerenciadas pelo nosso consciente. Os outros 95% dos nossos processos cognitivos são inconscientes, ou seja, operados sem o nosso controle racional. Uma experiência feita no Centro Bernstein de Neurociência Computacional, em Berlim, comprovou que nossas escolhas são resolvidas pelo cérebro antes mesmo de chegarem à consciência. De acordo com o estudo, quando você decide alguma coisa, na verdade o cérebro já decidiu - com uma antecedência que pode chegar a 10 segundos.

No nível da mente consciente, ocorrem em torno de 40 ativações neurais por segundo; no nível da mente inconsciente, são até 40 milhões de ativações por segundo. "Isso demonstra que a mente subconsciente tem alto potencial de performance na ativação neuronal. Baseando-se nessas informações, aproximadamente 95% dos nossos pensamentos, sentimentos e ações são ativados, acessados e dirigidos pela mente subconsciente", afirma o neurologista Eduardo Carlos da Silva.

O psiquiatra Ururahy Botosi Barroso afirma que o cérebro decide com base em experiências anteriores. "Acredita-se que ele decida 0,5 segundo antes. Isso nos protege de decisões automáticas que exijam respostas rápidas."

Para Eduardo Silva, o processo de tomada de decisões está relacionado majoritariamente à ativação e recuperação dos programas armazenados no subconsciente. "Deve-se adquirir, através de aprendizado, treino e muita disciplina, a capacidade de atravessar a barreira que separa o consciente do subconsciente, e com isso ter mais controle."

As decisões mais complexas que podem mudar o rumo de nossas vidas, como carreira a escolher e ter ou não filhos, pressupõem racionalização e envolvem uma série de informações. "O que vai determinar a direção da decisão é o nosso conjunto de crenças mentais a respeito daquela decisão. Informações presentes e passadas se juntam para auxiliar na tomada de decisão. O conjunto dor e prazer é acionado e, dependendo da pessoa, ela pode projetar no futuro o que ela passou e não o que ela quer. Isso pode alterar as decisões", diz Barroso.

Já o psicólogo Alexandre Caprio afirma que a pesquisa alemã, publicada este ano e conduzida pela equipe de John Dylan-Haynes, não é tão surpreendente como se pintou por aí e também não nos torna reféns de nosso cérebro. 

"Imagine que você seja o chefe de uma empresa e precisa tomar uma decisão em relação a um novo produto que irá lançar no mercado. Você pede um levantamento de informações para tomar a decisão de lançá-lo ou não. Resultados de uma pesquisa de mercado, aceitação do cliente, custo de produção e outras variáveis são colocadas em sua mesa para que você analise e tome sua decisão. As variáveis que nortearão sua decisão já estão ali, você só precisa tomar ciência delas. Se não forem promissoras, você não lançará o produto, e se forem, você lançará." 

Essa analogia ele aplica às decisões do nosso cérebro. "Quando se prepara para tomar uma decisão, ele repassa informações, tendências e desejos que existem sobre aquele tema, criando uma resposta antecipada e progressiva que será encerrada pela decisão final. Não trata-se, portanto, de um único ato, mas sim de um processo, que tem um começo, meio e fim. Seria como dizer que um processo que aponta todas as provas na direção do acusado retirasse o poder de decisão de um juiz. O juiz apenas conclui o óbvio, da mesma forma que nós, em nossas análises e consequentes decisões", argumenta.

Para o psicólogo, o cérebro não é o vilão, mas sim o processador de variáveis moldado por nossa aprendizagem, desenvolvimento, cultura, educação e formas de enxergar o mundo e a si mesmo. O cérebro não é responsável pela vivência e experiência do indivíduo, assim como o computador não é responsável pelo usuário. 

"Quando temos desejos, dependências e tendências destrutivas, nosso cérebro analisa decisões a serem tomadas levando em conta, por exemplo, os ganhos de se fazer a coisa certa e os ganhos de se fazer a coisa errada. Se você está em uma dieta e sabe que comer chocolate engorda, seu cérebro analisa os ganhos de ser magro a longo prazo ou de saciar seu desejo agora. Se você tem uma autoestima legal, não desenvolveu muita disciplina na sua vida e atende impulsos em um nível maior do que segue adiante seus planos e metas, a chance de que coma o chocolate (e sinta culpa depois) é enorme", diz.

 

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