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Diário da Região

07/11/2015 - 00h08min

Entrevista

Richard D. Roberts fala sobre educação emocional

Entrevista

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Quando você pesquisar na internet qualquer assunto relacionado à educação emocional, ao impacto da personalidade na aprendizagem ou à inteligência afetiva, certamente, você irá encontrar o nome do australiano Richard D. Roberts. Rich, como ele gosta de ser chamado e da forma como ele mesmo assina sua biografia acadêmica, já escreveu mais de uma dezena de livros e publicou mais de 150 estudos científicos sobre personalidade e educação emocional. Doutor em psicologia e filosofia pela Universidade de Sydney, ele é considerado um dos maiores especialistas do mundo em análise e avaliação de personalidade. 

Atualmente, vive em Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde dirige o Professional Examination Service, entidade especializada no desenvolvimento de avaliações para novos modelos de educação. Sobre a importância da educação emocional, Richard D. Roberts, falou com exclusividade com a revista Vida&Arte.

Vida&Arte - Por que é tão importante ensinar desde cedo os estudantes a lidar com as emoções?
Richard D. Roberts - Na verdade isso é algo que já se começa muito antes da idade escolar, quando o bebê começa a desenvolver a linguagem, a entender o que as expressões faciais das pessoas querem dizer, como uma linguagem de sinais, entende? Isso começa com os pais e passa a ser reforçada na escola.

V&A - Como trabalhar nos estudantes essas habilidades que muitas pessoas precisam investir em anos de psicoterapia para ter um resultado?
Roberts - A melhor forma a se fazer não é eliminar o que está estabelecido no currículo escolar, mas introduzir o aprendizado socioemocional dentro do que já existe. Isso provavelmente já o fazemos há muito tempo, na literatura, por exemplo, quando se fala sobre a paixão do autor ou quando se estuda alguma passagem de qualquer textos e se identifica as emoções ali contidas. Entretanto ainda existem professores que apresentam certo ceticismo.

V&A - Já com tão poucas horas dedicadas ao ensino nas escolas como é que esse aspecto socioemocional pode ser implementado nas salas de aulas?
Roberts - Até pouco tempo atrás, seguíamos um padrão familiar onde o pai ia trabalhar e a mãe ficava em casa e assim era muito fácil de a habilidade emocional ser diretamente ensinada pelos pais. Já nos dias de hoje, ambos os pais saem para trabalhar e aqui nos Estados Unidos temos uma série de programas para depois das aulas que se dedicam ao ensinamento socioemocional. Aí no Brasil, onde há três ou quatro períodos escolares, há uma excelente oportunidade para que programas assim possam ser introduzidos, já que as crianças precisam de atividades nesse período enquanto os pais ainda estão no trabalho. Sabemos através de estudos que se os professores infundirem essa habilidade no aprendizado das crianças, isso vai resultar em um enorme impacto no futuro delas. É o retorno de um investimento onde a cada moeda que se investe, a sociedade recebe uma outra moeda como retorno.

V&A - E qual seria o retorno imediato?
Roberts - Elas deixam de praticar o bullying e passam a ter mais responsabilidades ao tomarem decisões e se tornam mais educadas.

V&A - Essa educação socioemocional pode ser aplicada independentemente da cultura de um país?
Roberts - O que acontece atualmente é que esses programas socioemocionais estão surgindo em todas as partes do globo, por exemplo, na Suíça, na Alemanha, no Brasil, na Suécia, na Argentina, também nos países asiáticos, na Austrália. O que se vê é uma modificação silenciosa nesses países. No Brasil, podemos citar Ana Luiza Colagrossi que faz um trabalho maravilhoso através do Programa Compasso que foi inspirado no programa americano chamado “Second Step” e adaptado à cultura brasileira. A educação socioemocional também pode ser aplicada em subculturas específicas, por exemplo, aqui nos Estados Unidos temos um programa introduzindo a habilidade socioemocional nos meninos afro-americanos. O currículo é modificado para refletir esse aspecto. Também há vários programas destinados aos nativos americanos e aos nativos esquimós onde se introduz suas tradições dentro do planejamento curricular.

V&A - Existe algum país considerado modelo no ensino das habilidades sociemocionais?
Roberts - Talvez o país que tenha investido mais em programas socioemocionais seja sem dúvida os Estados Unidos, onde há uma diversidade de programas, alguns já presente há mais tempo, mas eu não diria que há um país considerado modelo. O Brasil está fazendo um trabalho muito bom nesse sentido. O importante é o tipo de modelo de ensino a ser utilizado.

V&A - Os professores estão preparados para lidar com questões emocionais? Como prepará-los?
Roberts - Nos Estados Unidos existem vários cursos destinados a preparar os professores a desenvolver um programa socioemocional, mas em geral eu diria que o ideal é que os cursos para a formação de um professor incluíssem programas para lidar com essas questões.

V&A - No Brasil, existe um certo preconceito com as escolas que optam por trabalhar emoções em relação às escolas que oferecem o modelo tradicional. Existe esse preconceito nos Estados Unidos?
Roberts - Nos Estados Unidos existe um currículo padrão para se ensinar a ler e escrever e nada específico sobre a educação socioemocional. Gradativamente isto está sendo mudado, mas as escolas particulares ainda são as que mais aplicam o ensino socioemocional porque elas têm mais condições de investir em programas que trabalham essas características. É uma situação complicada, mas é como já mencionei antes para cada moeda que se investe, uma outra retorna à sociedade.

V&A - Como seria uma sociedade onde as pessoas fossem produtos de investimentos na educação socioemocional?
Roberts - O que os programas desenvolvidos almejam são formar indivíduos capazes de tomar decisões de forma responsável, trabalhar em equipe, lidar com os estresses. Essas pessoas vão ser mais cooperativas, vão estar mais preparadas para enfrentar uma série de situações de maneira eficiente, de mudar o que precisa ser mudado. Entretanto, ainda estamos engatinhando e vai demorar muitas décadas até chegarmos a esse patamar. 

 

Colaboração - Sandra Bernacer

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