Diário da Região

18/12/2004 - 00h43min

Faxina mental

Revisitar o passado ajuda a lidar com o presente

Faxina mental

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Presente, passado e futuro são palavras indissociáveis do comportamento humano. Não restam dúvidas de que o tempo presente deve ser o mais importante, já que remoer o passado e especular o futuro podem evocar frustração e ansiedade. Mas não é sempre que conseguimos nos sintonizar completamente no presente. Em muitos momentos é preciso recorrer ao passado para entender melhor nossas atitudes. Vislumbrar o futuro também ajuda a manter acesa a chama da busca e do aprendizado. Essencial é aprender com o que passou. Se não houve aprendizado, às vezes é necessário passar algumas questões a limpo, revisitar os medos, as angústias e incertezas e organizar o ?arquivo da memória?. ?É impossível esquecer o passado. Mesmo ficando para trás, muitas coisas interferem no tempo presente?, afirma o educador e escritor Eugênio Mussak, de São Paulo. Autor de um artigo publicado recentemente sobre o assunto, ele acredita que podemos sim alterar o passado quando buscamos resolver pendências que influenciam negativamente o momento presente.

Essa busca tem a ver com as teorias desenvolvidas por Freud, pai da psicanálise, que descreveu sobre o inconsciente. Quando voltamos ao passado, temos contato com sensações e emoções que podem fazer com que agora reelaboremos melhor o que passou. Freud teorizava que o recalque é responsável por muitas atitudes. Problemas com a auto-estima e a autoconfiança, por exemplo, podem ser amenizados quando entramos em contato com o que passou e entendemos melhor o processo. Algumas pessoas têm dificuldades de lidar com situações do presente por estarem muito ligadas ao passado. Em geral, comportamentos assim nos dão o rótulo de ?pessoa mal resolvida?. Segundo a psicóloga Vera Márcia Paráboli Milanesi, pós-doutorada pela Universidade de São Paulo, a estrutura mental do ser humano está fundamentada na capacidade de vivenciar situações, elaborar os conflitos decorrentes delas, aprender com elas e vivenciar outras, em uma espécie de graduação. ?Isso nos possibilita viver desde situações mais simples até as mais complexas. Quem não consegue vivenciar esta graduação adoece emocionalmente e muitas vezes até fisicamente?, diz a psicóloga.

Organização
Diante desse contexto, para promover mudanças é necessário organizar as emoções passadas. Quando o pensamento está muito bagunçado fica mais complicado seguir em frente. Vera Márcia reforça. ?Freud já reconhecia a necessidade de se elaborar as emoções e conflitos para seguir em frente. E essa visão é confirmada pela teoria e prática da psicologia atual. Todos percebem que, quando ?a cabeça está bagunçada?, nada na vida funciona de forma saudável. Para organizar emoções passadas é muito importante reconhecê-las e trabalhar com elas, de preferência com a ajuda de um profissional?, diz.

Mussak afirma que situações negativas que ocorrem no passado e que hoje parecem ?ridículas? podem ter influência em nosso comportamento. Até uma briga na escola, por exemplo, pode ter deixado marcas que precisam ser apagadas. Nessa tarefa, refletir e perdoar é muito importante. De acordo com Vera Márcia, quando conflitos e situações do passado não são bem resolvidos ocorre um enorme gasto de energia do nosso aparelho psíquico para recalcá-los, afastá-los de nossa consciência. ?Isso provoca um desgaste de todo o organismo, gera neuroses e até mesmo somatizações ou doenças psicossomáticas?.

Final do ano é propício para reflexões
Para quem está disposto a realizar uma ?faxina mental?, o final do ano é uma época propícia para fazer um balanço. O primeiro passo é ter sempre em mente os objetivos. A partir disso, planeje estratégias para alcançar estas metas. ?Coloque-se metas de curto, médio e longo prazos e cheque, periodicamente, se elas estão sendo atingidas. Colocar as idéias no papel ajuda?, ensina a psicóloga Vera Márcia Paráboli Milanesi. Outro passo importante é tentar descobrir o que o faz feliz e praticar tudo o que contribui para isso. ?Nunca se esqueça de agradecer à vida pelos objetivos alcançados. Premie-se por eles?, sugere Vera.

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