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Diário da Região

14/02/2016 - 00h51min

Comportamento

Quer namorar comigo?

Comportamento

Johnny Torres Luzia Boratto de Andrade, 82 anos, e Altemiro Paiva de Andrade, 85, se conheceram há dez anos, em um baile em Mirassol
Luzia Boratto de Andrade, 82 anos, e Altemiro Paiva de Andrade, 85, se conheceram há dez anos, em um baile em Mirassol

A agente de turismo Cristina Maria Arroyo de Oliveira, 56 anos, divorciada, e o aposentado Edivaldo de Oliveira, 71, viúvo, se conheceram há cinco anos em um baile em Rio Preto. Ele estava viúvo havia dez anos. "Tirei ela para dançar e a partir daí começamos a nos encontrar e não nos separamos mais", conta ele. O casal faz parte de uma estatística crescente no Brasil, a de pessoas que, após o término de uma relação ou a viuvez, se abrem para novos relacionamentos amorosos. A organização das Nações Unidas (ONU) prevê que, até 2050, a população idosa vai triplicar, passando de 21 para 64 milhões - isso só no Brasil. No mundo, o número de pessoas com mais de 60 anos chegará a 200 milhões. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a expectativa de vida do brasileiro em 2014 era de 75,2 anos. No ano anterior, era de 74,9 anos. 

A experiência de um namoro na terceira idade, assim, pode ser algo cada vez mais comum. A dificuldade maior está em enfrentar as convenções sociais e os preconceitos, que surgem principalmente na família. Em alguns casos, a preocupação não acontece pelo aspecto sexual ou amoroso dos mais velhos, mas sim por interesses. É comum que os parentes se questionem sobre herança, investimentos de aposentadoria ou substituição do pai ou da mãe, em casos de viuvez.

"Nosso relacionamento é ótimo e temos o apoio de toda a família", conta Cristina, que fala das vantagens de uma nova relação na maturidade. "Passamos por todas as experiências em um relacionamento, e a maturidade é legal por isso. Nos damos muito bem porque respeitamos a individualidade um do outro", explica ela. "E temos os mesmos gostos", complementa ele. Cristina garante que não tem saudade da época em que se casou aos 16 anos. "A experiência e vivência que temos supera qualquer coisa e nos faz crescer", diz. "Unimos o útil ao agradável" completa Edivaldo.

"É muito saudável recompor-se no amor, não importa a idade. A experiência sabe filtrar e valorizar a boa companhia", diz a psicóloga Karina Younan. "Já sabemos o que desejamos e nossas expectativas com relação a juventude, carreira, filhos já foram supridas. Não se julga mais pelos outros, só a essência importa. Não é tudo de bom?", pergunta Karina. "Muitas pessoas encontram na terceira idade o verdadeiro amor de suas vidas, e isso é lindo, porque podem desfrutá-lo sem as amarras das aparências e sim na simplicidade de estar junto. A idade ressalta outras qualidades, como a cortesia e a boa educação, a sexualidade não é mais um peso, uma obrigação."

 

Cristina Arroyo Oliveira e Edivaldo de Oliveira A agente de turismo Cristina Maria Arroyo de Oliveira, 56 anos, e o aposentado Edivaldo de Oliveira, 71. “Temos apoio de toda a família e respeitamos a individualidade do outro”, diz Cristina

Tendência para acertar mais

A escritora e tradutora Lya Luft defende que, naturalmente, pessoas maduras, que já tiveram experiência de sucessos e fracassos, que se conhecem um pouco mais e à alma humana, tendem a acertar mais, a tolerar mais (sem se anular), a ter mais camaradagem e até melhor humor. "Ambos apostam alto numa relação na maturidade e querem acertar", diz Lya.

Podem talvez usar diferenças e discussões para se unir mais, com liberdade, afeto e respeito. A relação só pode ser boa se nenhum dos dois perde a identidade, ao contrário, cada um ajuda a reforçar a identidade do outro. 

"Tolerância não significa anular-se pelo outro, mas entender melhor ao outro e a si mesmo. Ter mais harmonia na relação", diz a escritora. A perda da identidade, ressalta, o sacrifício, o martírio, especialmente esperado da mulher só serve para destruir uma relação.

Luzia Boratto de Andrade e Altamiro Paiva de Andrade se conheceram há 10 anos, quando ela tinha 72 anos, e ele, 75, em um baile em Mirassol. Ela era viúva, com um filho. Ele, solteiro. Após um ano de namoro, decidiram se casar. "Vivemos como amigos, graças a Deus. Um cuida do outro", contam. 


O CINEMA E O AMOR NA TERCEIRA IDADE:

 

ELSA & FRED
(Romance/comédia/drama, Estados Unidos, 2014)

Direção: Michael Radford
Elenco: Shirley MacLaine, Christopher Plummer, Marcia Gay Harden 

Elsa é uma mulher de idade que vive sozinha. Um dia, ela comete uma barbeiragem ao sair com o carro e quebra os faróis do carro de Lydia, a filha de seu novo vizinho, Fred. Revoltada com o ocorrido, Lydia exige que Elsa pague o conserto. 
O filho de Elsa aceita cobrir os danos, mas, ao entregar o cheque a Fred, Elsa lhe conta uma história triste que acaba convencendo-o a recusar o valor. Com o tempo, Elsa e Fred se aproximam cada vez mais, apesar de seus temperamentos diferentes: enquanto ela é cheia de vida, ele é rabugento e mal sai de casa

Assista o trailer do filme:

 

 


GLÓRIA (Drama/comédia, Chile, 2014) 
 
Direção: Sebastián Lelio
Elenco: Paulina García, Sergio Hernandez, Marcial Tagle

Santiago, Chile. Gloria é uma mulher solitária de 58 anos, cujos filhos já saíram de casa há algum tempo. Como se recusa a ficar sozinha à noites, ela tem o hábito de ir a bailes dedicados à terceira idade. Lá, ela conhece vários homens, com os quais costuma se empolgar e, tempos depois, se decepcionar. A situação muda quando conhece Rodolfo, um ex-oficial da Marinha que é sete anos mais velho do que ela. Gloria se apaixona por ele e passa até mesmo a aspirar um relacionamento permanente, mas logo é obrigada a confrontar alguns dos seus segredos mais obscuros

Assista o trailer do filme:

 

 

ALGUÉM TEM QUE CEDER
(Romance/comédia, Estados Unidos, 2004)


Direção: Nancy Meyers
Elenco: Jack Nicholson, Diane Keaton, Amanda Peet, Keanu Reeves

Harry Sanborn é um executivo que trabalha no ramo da música e namora Marin, que tem idade para ser sua filha. Harry e Marin decidem ir até a casa de praia da mãe dela, Erica, para visitá-la. Lá, Harry sofre uma parada cardíaca, ficando sob os cuidados de Erica e de Julian, um jovem médico local. Aos poucos, Harry percebe que está se interessando cada vez mais por Erica, mas tenta esconder seus sentimentos. Julian também sente atração por ela, tornando-se um rival de Harry

Assista o trailer do filme:

 

 

AUMENTE A CHANCE DE DAR CERTO

Ao entrar em uma relação já com bagagem emocional (não importa se já casou, viveu, descasou ou teve filhos) e quer que a relação dê certo, lembre-se de não racionalizar demais. O natural é que relacionamentos amorosos, carinhosos, respeitosos deem certo. Isso não significa ausência de diferenças, discussões, desentendimentos, mas que a alegria e o afeto sejam maiores

Assim como quando jovem, uma relação jamais deve ter espaço para atitudes egoístas, autoritarismo, mau humor constante, críticas frequentes, deslealdade, traição, ironia, desinteresse ou humilhações. A lista do que não se deve fazer é grande. Cada um sabe a sua

Não espere milagres só porque é experiente. Toda relação - não importa se aos 20, 40, 60 ou 80 anos - 
tem dificuldades. O jeito de superar isso é que pode melhorar com a experiência
 
Fonte: Lya Luft, escritora


Relações mais íntegras

O amadurecimento tende a trazer mais tolerância, compreensão e flexibilidade, qualidades que, unidas ao amor, tornam mais fácil a felicidade a dois. "Quem teve problemas na relação anterior, passou por crises, enfrentou doenças e perdas, tende a valorizar mais o companheiro e entender o quanto é importante estar ao lado de alguém", explica a psicóloga e analista junguiana Leniza Castello Branco. Coisas menores, que eram consideradas importantes e geravam brigas nas uniões anteriores, pode perder o valor. Maturidade e tolerância certamente irão contribuir para uma relação mais íntegra.


Vida sexual 


"Qualidade de vida reflete na longevidade, e a ciência na sexualidade. Além de vivermos mais e melhor, tecnologia e medicina possibilitam que exista vida sexual ativa para pessoas de mais idade. Além disso, estudos constatam que a sexualidade continua com o passar dos anos, não em frequência, mas em qualidade, com maior liberdade e afeto", explica a psicóloga Cristiane Lorga. 
Algumas mulheres ficam mais seguras e conscientes do próprio corpo. Simplesmente são, não precisam provar nada mais a ninguém. A sensibilidade e a sensualidade mudam. "A mesma coisa acontece com alguns homens, que se permitem ser mais sensíveis e afetuosos", complementa. 

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