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Diário da Região

11/10/2015 - 01h13min

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Pais, sexo, drogas e rock`n roll

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Guilherme Baffi Mara Lúcia Madureira é psicóloga
Mara Lúcia Madureira é psicóloga

Pais, avós ou outras pessoas que assumam a tutoria de crianças são as primeiras e mais importantes referências na construção da personalidade de um ser humano. A natureza das relações estabelecidas com essas figuras durante a infância influenciará e interferirá nas decisões até depois da idade adulta, de maneira consciente ou inconsciente. Amar, cuidar, proteger e ser modelo de bons costumes é fundamental, mas não o suficiente. Para que cresçam emocional e socialmente sadios, é vital ensinar e permitir que os filhos aprendam as razões de causa e efeito, escolha e consequência, ação e reação. De geração em geração, a despeito das consequências desastrosas, as pessoas se apegam aos pensamentos e crenças mágicas para evitar o enfrentamento dos problemas e o medo do desconhecido. Nossa mente tenta nos convencer de que estamos certos quando não estamos, para poupar esforços e manter os padrões de pensamentos e comportamentos habituais ineficazes, e até nocivos muitas vezes.

Em situações de riscos calculados, é necessário permitir que os filhos se danem um pouco para evitar que danifiquem a vida toda - a deles e a de outros. Quando escolhem agir bem, merecem apoio e incentivos. Quando escolhem mal, devem assumir as consequências de seus erros. Privar crianças e jovens de tarefas normais, facilitar tudo, entregar pronto o que eles deveriam buscar e construir, ou exigir deles sacrifícios desnecessários e desempenho acima de suas reais potencialidades, é uma excelente maneira de torná-los inseguros e sem autoestima. Alguns pais duvidam tanto de seus ensinamentos e da capacidade de aprender de seus filhos que negligenciam suas vidas para fazer pelos filhos o que eles próprios deveriam fazer por si. Muitas vezes, é preciso sair de cena para que os filhos assumam seus papéis e se tornem protagonistas de suas histórias. Não se aprende a andar de bicicleta ouvindo alguém dizer como se equilibrar ou observando um ciclista. Aprende-se fazendo. O fracasso é fruto do despreparo, do medo de enfrentar desafios e da crença de incapacidade. Pais heróis fazem tudo por seus filhos. Lutam por eles, vencem por eles, assumem os erros e o pódio deles. Esperam ser aclamados, mas, ao contrário, são condenados e agredidos por isso. Sentem-se perplexos e culpados, pois reconhecem que se sacrificaram para transformar seus filhos em espectadores de vitórias e conquistas alheias.

A superproteção mata a iniciativa, aumenta as chances de fracasso escolar, profissional, social e afetivo. Muitos desses indivíduos, durante a adolescência e início da idade adulta, percebem os pais como figuras castradoras, a sociedade como um sistema opressor e a si mesmo como vítimas. Tornam-se intolerantes às criticas e refratários a elogios, não suportam a solidão nem o convívio, o amor nem o desprezo, a segurança ou os desafios. Incapazes de se ajustarem às regras, passam a transgredi-las. Sem um mapa confiável de si mesmos, sem acertos e recompensas sociais, muitos filhos se identificam com os erros e condição de inferioridade. Nesse estado, os comportamentos de riscos são comuns - abuso e dependência de álcool e outras drogas, sexo irresponsável, violência, comportamentos opositivos e desafiadores. A sensação de parasitismo, a necessidade de autoafirmação e a impotência do despreparo dos filhos culminam no cumprimento, quase profético, dos piores temores dos pais. Algumas canções gravadas há tempos valem ser ouvidas e lidas as biografias de seus autores e intérpretes. Alguns exemplos inclui: 'Filho único", de Erasmo Carlos; "Mother", de Pink Floyd; "Essa noite não", de Lobão; "Sapato 36", de Raul Seixas; "Meu Amigo Pedro", de Paulo Coelho. Todos com história de abuso e dependência de drogas, conflitos emocionais e apelos aos pais para que os deixem viver suas vidas, a seus modos e assumirem seus erros.  De Erasmo Carlos a Pink Floyd, passando por Lobão, Raul Seixas, Paulo Coelho e outros tantos artistas que usaram a música para expressar a inconformidade com a superproteção parental e o pavor de enfrentar a vida, são claros os apelos por mudanças. Percebe-se nas letras das músicas, nas atitudes das bandas e na legião de seguidores um estrondoso pedido para que os pais parem de erguer muros entre os filhos e a realidade, entre eles próprios e a razão.

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