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Diário da Região

01/08/2016 - 16h13min

Entrevista

Pai e filho

Entrevista

Divulgação O psiquiatra tem 35 anos de carreira e 27 livros publicados, entre eles ‘Pais e Filhos Companheiros de Viagem: uma educação para a felicidade’ (Foto: Divulgação)
O psiquiatra tem 35 anos de carreira e 27 livros publicados, entre eles ‘Pais e Filhos Companheiros de Viagem: uma educação para a felicidade’ (Foto: Divulgação)

Pais e filhos precisam ser grandes companheiros na viagem da vida. Amigos e cúmplices, inevitavelmente vão enfrentar grandes transformações juntos nas experiências que trazem aprendizado mútuo. A afirmação é do psiquiatra Roberto Shinyashiki. “Uma relação feliz entre pais e filhos envolve ensinamentos, afeto e superação, mas também respeito e conforto para a alma”, diz. Segundo ele, estrutura e disciplina são importantes para que os filhos cresçam conscientes de seus direitos e deveres, porém é o amor que torna tudo tão especial um para o outro. “Educar não é esculpir o filho, mas descobrir a vida com ele. Portanto, o pai pode ser os dois, amigo e educador”, complementa.
Ao longo de seus 35 anos de carreira e 27 livros publicados, entre eles ‘Pais e Filhos Companheiros de Viagem: uma educação para a felicidade’ (ed. Gente), o psiquiatra consultor e autor best-seller alcançou o reconhecimento nacional e internacional. Nesta edição especial de Dia dos Pais, Roberto Shinyashiki falou com exclusividade para a revista         Vida&Arte.

Vida&Arte - O que os pais podem fazer diante de uma geração superestimulada, hiperconectada com o mundo virtual, mas com imensas dificuldades nas relações intra e interpessoais?
Roberto Shinyashiki
- Ao dar o celular, tablet e outro aparelhos tecnológicos para o filho, os pais devem fazê-lo com muito critério e monitoramento. Eles devem considerar que as novas tecnologias têm um risco, pois expõem a criança a um mundo que ela pouco conhece e que pode se aproveitar de sua ingenuidade. Os pais precisam observar se a criança tem maturidade para manusear aquela tecnologia e impor limites para que a criança não passe o dia na frente da telinha do computador ou celular, além de orientar e observar o filho.

V&A - Por que os pais têm encontrado tantas dificuldades na tarefa de ensinar a criança as habilidades socioemocionais?
Shinyashiki
- Os pais não estão presentes em todas as jornadas dos filhos e isso cria até um sentimento de culpa, que deve ser evitado. Entretanto, para se desenvolver plenamente, a criança não precisa da presença dos pais 24 horas por dia. O que ela realmente necessita é se sentir amada e respeitada. Não faz mal que tenhamos apenas 15 minutos diários ou meia hora. Utilizar bem esse tempo é que é fator essência.

V&A - É importante que os pais ensinem essas habilidades socioemocionais?
Shinyashiki -
É muito importante que contribuam para desenvolver essas habilidades nos filhos, pois o amor, no fundo, é a chave de tudo e palavras como compreensão e carinho funcionam como suporte para os desafios inerentes à convivência familiar. Uma pessoa de bem consigo mesma vai conseguir ter bons relacionamentos. Então, o primeiro passo é cuidar das carências afetivas do filho e não deixar um vazio em seu coração.

V&A - O que um pai pode fazer para conduzir um filho para um bom caminho? 
Shinyashiki -
Na difícil tarefa da educação, não há manuais e regras sobre como criar os filhos, porém o que muitos pais não percebem é que cada um dos filhos têm uma maneira especial de ser e que, portanto, manuais não ensinam tudo, e não são nem de longe o suficiente. Quanto mais rápido os pais descobrirem a natureza dos filhos e a deixarem se realizar, mais a criança poderá ser feliz. A família tem que descobrir a melhor maneira de desenvolver um processo de aprendizado coletivo e proveitoso para todos os membros do grupo. Também devemos estar atentos para valorizar as vitórias cotidianas das crianças. Isso é tão importante quanto ajudá-las a superar obstáculos. Notas boas merecem elogios do tipo, por exemplo, pois aumentam a autoestima e colaboram para que a criança passe a se dedicar mais na escola. Quando acontece o contrário e as notas não são tão animadoras, vale a pena ressaltar o quanto acreditamos no seu potencial e deixar claro que estamos prontos a ajudá-los.

V&A - Até que ponto um pai serve de modelo?
Shinyashiki -
Muitas pessoas consideram seu pai uma carta fora do baralho, mas é bom lembrar que um jogo não prossegue quando falta uma carta. Na vida, as maiores fraquezas dos homens em seus relacionamentos se manifestam na omissão e na ausência. A ausência do pai gera no filho do sexo masculino um sentimento de medo em relação às mulheres. O menino passa a se relacionar somente com mulheres que têm no dia a dia poderes sobre ele como a mãe, a professora, por exemplo, e dessa forma ele aprende a ver o sexo feminino como seres temíveis e poderosos. Por isso, mais tarde, se sentirá tão inseguro que passará a querer dominá-las ou evitará o compromisso para não se sentir ameaçado. Para as filhas, a ausência do pai traz como consequência o amor por homens também ausentes ou distantes, cujo afeto buscam conservar a qualquer custo e até mesmo com a anulação de si mesmas. A convivência com os pais possibilita ao filho manter uma conexão profunda com a figura masculina que vai formando para si mesmo. E a filha aprenderá a valorizar o homem com quem poderá compartilhar o dia a dia.

V&A - No mundo de hoje ainda há espaço para que o pai imponha suas ideias aos filhos? 
Shinyashiki -
Muitos pais querem definir para os filhos o que significa sucesso e ser realizado: ser presidente de uma grande empresa, ser modelo, médico, advogado. A consequência é que os pais dirigem todas as atividades da criança para que ele seja uma pessoa bem-sucedida nesse sentido, mas se esquecem de considerar e respeitar sua natureza. Se os filhos não seguem o caminho desejado pelos pais, o pai e a mãe ficam frustrados, aborrecidos. Se a alma do filho não for escutada e muito menos respeitada, esse filho se tornará uma pessoa desencontrada, sem valores claros, emoções autênticas e sem condições de se relacionar direito com a sociedade, por isso os pais não podem enquadrar o filho em um projeto de vida que não é dele.

V&A - Quais os valores considera importante que um pai transmita ao filho atualmente?
Shinyashiki -
Quem é pai ou mãe precisa pensar no significado de ter filhos e compreender o sentido da existência deles em sua vida, pois assim não irão desperdiçar as dádivas de tê-los como companheiros. Ter um filho é como receber uma missão de fazer uma conexão profunda com seres que chegam na sua vida e que conferem a você o direito de cuidar deles, ajudá-los na sua vocação. É dar amor e estrutura para que ele possa se realizar a partir do que sua natureza diz que ele é. Saber criar uma estrutura de carinho e disciplina para ajudá-lo a conquistar autonomia e felicidade é um dever dos pais. O amor e as palavras como compreensão e carinho são muito importantes para que os filhos tenham bases sólidas para os desafios inerentes à convivência familiar.

V&A - A autoridade é importante para criar filhos seguros e amados e que tenham as referências de que necessitam para construir sua identidade?
Shinyashiki -
Os pais devem ser autênticos no papel de educador de seus filhos. Isso significa que você precisa deixar que eles saibam que podem contar com você, mas que existe uma autoridade que precisam respeitar para poderem crescer felizes e seguros. Nesse contexto os filhos aprendem a respeitar os pais, mas ao mesmo tempo descobrem que podem colocar suas ideias sem medo de punição. Filhos que respeitam os pais vão saber se relacionar com os outros, mas os que são apenas obedientes vão procurar evitar situações desagradáveis e, por isso, não vão saber impor suas ideias quando necessário. É importante que os pais criem espaço para os filhos mostrarem suas ideias, mesmo que às vezes agressivamente, mas ao mesmo tempo mostrar a eles que o respeito pelo outro é fundamental. 

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