X
X

Diário da Região

11/10/2015 - 01h31min

Terceira Idade

Os mistérios do mal de Alzheimer

Terceira Idade

Stock Images/Divulgação NULL
NULL

Uma equipe de cientistas da University College London, na Inglaterra, diz ter encontrado evidências de uma possível transmissão do Mal de Alzheimer durante procedimentos médicos. No estudo, encabeçado por John Collinge e Sebastian Brandner, publicado no dia 9 de setembro na revista científica "Nature", os pesquisadores sugerem que fragmentos de uma proteína encontrada no cérebro de indivíduos com a doença podem ser transmitidos para outras pessoas a partir de contaminação por certos procedimentos médicos ou cirúrgicos.

A hipótese foi levantada durante um estudo sobre os cérebros de oito pessoas que morreram com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), popularmente conhecida como a "doença da vaca louca". As pessoas estudadas contraíram a doença após décadas de realizar um tratamento com hormônios do crescimento que foram retiradas de glândulas de cadáveres humanos entre 1958 e 1985, quando a prática foi proibida. Seis dos cérebros desenvolveram, além das lesões provenientes da DCJ, um tipo de lesão cerebral com o nome "angiopatia amiloide cerebral", que é associada à doença do Alzheimer.

Segundo os autores, a pesquisa não traz nenhuma conclusão de que o Alzheimer possa ser contagioso, mas o estudo dos cérebros dos oito pacientes mortos com DCJ sugere que as "sementes" da proteína beta amilóide podem ser transmitidos por procedimentos médicos. Essas proteínas, típicas da doença de Alzheimer, formam placas entre as células do cérebro, impedindo que elas se comuniquem entre si. "Esta é a primeira prova da real transmissão da patologia amilóide", disse o neurocientista John Hardy, da Universidade de Londres, acrescentando que essa situação "é potencialmente preocupante".

A doença

O Alzheimer é um tipo de demência que é mais comum em pessoas de idade avançada. Trata-se de uma "morte" de células cerebrais e de um encolhimento do órgão, o que afeta muitas de suas funções. Cerca de 35 milhões de pessoas no mundo sofrem de Alzheimer. No Brasil, estima-se que a doença degenerativa afete cerca de 1,2 milhão de pessoas, muitas delas ainda não diagnosticadas

Fatores e riscos

Idade: quanto mais avançada a idade maior a porcentagem de idosos com demência. Aos 65 anos, o percentural é de 2% a 3% dos idosos, chegando à 40% na faixa acima de 85-90 anos.
Idade materna: filhos que nasceram de mães com mais de 40 anos podem ter mais tendência à problemas demenciais na terceira idade
 
Sexo: alguns estudos têm sugerido que a doença afeta mais as mulheres do que os homens. No entanto, isto pode ser induzir em erro, porque as mulheres, enquanto grupo, vivem mais tempo do que os homens. Isto significa que se os homens vivessem tanto tempo como as mulheres, e não morressem de outras doenças, o número afetado pela doença de Alzheimer seria sensivelmente igual ao das mulheres.
 
Genética e hereditariedade: para um número extremamente limitado de famílias, a doença de Alzheimer é uma disfunção genética. Os membros dessas famílias herdam de um dos pais a parte do DNA  

Não há motivos para temor

Entretanto, outros especialistas já refutaram os resultados do estudo da University College London, dizendo que estes são inconclusivos e que não significam que o Alzheimer possa ser contagioso. A Sociedade Espanhola de Neurologia afirmou que o Alzheimer não é contagioso diante das dúvidas levantadas sobre um estudo que aponta para a possibilidade da doença ser "transmissível". 

Os autores também destacam que não há motivos para temor, já que o contágio é apenas uma hipótese. "Nosso estudo está especificamente relacionado às injeções de hormônios do crescimento derivadas de cadáveres, um tratamento que já não existe há anos. É possível que a descoberta possa se aplicar também a outros procedimentos médicos ou cirúrgicos, mas para avaliar esse risco serão necessárias novas pesquisas", reforça o neurocientista John Hardy.

"É perigoso falar em transmissão. O estudo foi pequeno e preliminar. É preciso tomar cuidado porque este tipo de coisa que não ajuda em nada os médicos ou pacientes. Não se pode assustar as pessoas em relação a se submeterem a procedimentos cirúrgicos e terem alguma coisa", diz o neurologista Rodrigo Schultz, coordenador do ambulatório de demência grave da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) diretor científico da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). 

O que as pessoas têm estudado é sobre a possibilidade das proteínas anormais da doença de Alzheimer se multiplicarem e essas lesões aumentarem no sistema nervoso central como se comportassem com uma doença priônica. "Isso abre novas portas do ponto de vista de tratamento, é mais um porque é na verdade uma doença multifatorial e existem várias fontes de pesquisas em andamento", complementa. 

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso