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Diário da Região

29/03/2015 - 00h02min

Turismo

O mundo em Milão

Turismo

Agência O Globo/Divulgação O Duomo di Milano (Catedral de Milão) é o principal monumento da cidade e passou por ampla restauração
O Duomo di Milano (Catedral de Milão) é o principal monumento da cidade e passou por ampla restauração

Quem chega a Milão e está acostumado a olhar o Castelo Sforzesco como cartão-postal de boas-vindas pode estranhar o estilo contemporâneo da estrutura em aço e vidro montada na Via Beltrami, bem em frente à entrada do castelo. É o Expo Gate, uma espécie de showroom da feira universal Expo 2015, que acontecerá entre 1º de maio e 31 de outubro. Com o tema "Alimentando o planeta, energia para a vida", os organizadores esperam receber 20 milhões de visitantes nos seis meses do evento. 

Estrelas brilham na Expo

A área da Expo 2015 se baseia no traçado das cidades romanas, com a interseção de duas vias centrais, Cardo e Decumano, ao longo das quais se distribuem os pavilhões dos países, clusters temáticos e áreas de lazer. No Cardo, no sentido norte-sul, estão os prédios da Itália e áreas importantes de shows e exibições - como o Lago Arena e o teatro ao ar livre, onde, entre as atrações, haverá a apresentação do show do Cirque du Soleil criado para o evento, "Allavita!", com participação de artistas italianos e de outros países. 

No Decumano, sentido leste-oeste, ficam os pavilhões dos países. A Expo vai reunir 148 participantes (sendo eles, 145 países e três organizações internacionais). O Palazzo Italia, coração simbólico da festa, de frente para a Piazza d'Acqua - vai representar o governo italiano com suas técnicas agrícolas de cultivo de alimentos. Ao longo do Cardo, que se estende por 325 metros de área coberta, a festa prossegue com a variedade de produtos italianos, incluindo um pavilhão dedicado à produção de vinhos. 

Entre os destaques está a área de 8 mil m² montada pelo grupo Eataly, fundado por Oscar Farinetti, sob o comando de Mario Batali e Joe e Lidia Bastianich, com 20 restaurantes. A oferta de lugares para comer será grande por toda a área de exposições. Cada país vai oferecer, em seu pavilhão, restaurantes e pontos de alimentação, além de áreas de vendas e mercados para compra de gêneros alimentícios diversos.

No quesito inovação, a Expo se juntou ao MIT de Cambridge, Massachusetts, para montar o Distrito da Comida do Futuro, onde o "supermercado do futuro" ganha destaque. O que muda é o jeito de fazer as compras, de as pessoas se movimentarem, a informação que se obtém sobre os produtos. A forma de pagar é um salto para o futuro. Em vez de prateleiras, tudo estará disposto em mesas eletrônicas. Quando você puser a mão sobre uma maçã, um holograma surge com informações sobre a variedade, a origem, o preço, a composição dos nutrientes. 

O carrinho também é diferente porque toda vez que receber um artigo, será feita a soma da compra. O sistema de reposição também será automatizado, com o uso de robôs - acrescenta.cO Pavilhão Zero, que é considerado o portão de entrada da exposição, vai contar a história do homem através da comida, usando instalações e cenários de grande impacto visual. 

Para o Brasil, 600 mil ingressos

Para sediar a exposição, Milão renovou seus principais monumentos e planejou uma programação de eventos paralelos que inclui música, concertos, exposições de arte. Estão previstas ainda atividades ao ar livre, como apresentações de piano. Partindo do Expo Gate, a Via Dante - que segue até o Duomo - e a Corso Vittorio Emanuele II estão ladeadas por bandeiras dos países participantes da Expo.

Com 1,1 milhão de metros quadrados, o local de exposições fica na área metropolitana de Milão a noroeste do centro, entre as cidades vizinhas de Pero e Rho. Lá estão sendo finalizadas as construções dos pavilhões dos 145 países participantes. Nas vitrines, serão destacadas não só as especialidades gastronômicas, mas técnicas de produção com foco em inovação e sustentabilidade. Arquitetos e chefs renomados não pouparam esforços para mostrar o que países como França, Emirados Árabes, EUA, Brasil, Angola e Japão têm de melhor.

Até o início deste mês, 8,5 milhões de ingressos foram vendidos. Espera-se que, em maio, quando a Expo abrirá seus portões, 9,5 milhões tenham sido emitidos. O restante será vendido durante a feira. Do Brasil, 600 mil já foram garantidos, e a expectativa é de um milhão de ingressos. Os bilhetes estão à venda no Expo Gate, no site da Expo ou, dependendo da operadora, podem ser incluídos em pacotes de viagem das agências. Quem se programa de forma independente deve ficar de olho nos preços dos hotéis. 

Um imenso jardim na colina

O Parque da Biodiversidade, sob a responsabilidade da Universidade de Milão, conta com a participação do movimento Slow Food. Planejado como um imenso jardim onde estarão representados diversos ecossistemas. Fica numa colina, o que garante um belo ângulo para fotos panorâmicas. 

Países que não têm condições de bancar presença na Expo vão integrar os clusters - pavilhões temáticos como Arroz, Café, Cacau, Cereais e tubérculos, Temperos, Bio-Mediterrâneo, Frutas e legumes, Zonas áridas e Ilhas, mar e comida. Cada cluster terá uma exposição de fotografia da Magnum. Sebastião Salgado assina as fotos do cluster Café. 

ARQUITETURA E GASTRONOMIA DE ENCHER OS OLHOS

A feira de Milão, que começa em 1º de maio, vai receber 20 milhões de visitantes em 184 dias de funcionamento. A última, realizada em Xangai (China) em 2010, contabilizou 73 milhões de visitantes e participação de 190 países. A primeira Expo aconteceu em Londres, em 1851. No Brasil, foi realizada no Rio de Janeiro, em 1922, com a primeira transmissão oficial de rádio. Objetivo da Expo 2015: o que deve ser feito para garantir comida saudável para todos os povos, respeitando o planeta e seu equilíbrio.

PAVILHÕES COM DESIGN ESTRELADO

A gastronomia do mundo se espalha ao longo do Decumano. Os países capricharam não só no tempero, como também na apresentação dos pratos. O boulevard de pavilhões desfila projetos com design assinado por estrelas da arquitetura contemporânea. Os Emirados Árabes Unidos, que sediarão a próxima Expo em 2020, em Dubai, prometem um banquete como tira-gosto. O pavilhão é projetado pelo escritório Norman Foster, que assina marcos arquitetônicos contemporâneos como a Cúpula do Reichstag de Berlim e a Millenium Bridge sobre o Tâmisa, em Londres.

Com o tema "Sustente, cuide, inove, compartilhe", o pavilhão divide a exposição em duas partes: na primeira, há um cilindro com um auditório giratório que brinca com nosso senso de direção. A segunda, dedicada ao futuro, inclui uma rampa, um restaurante e um oásis sob o auditório, onde o tema sustentabilidade é explorado. A arquitetura e a paisagem dos Emirados Árabes Unidos serviram de inspiração a Foster, que usou não só a areia, mas também o vento, simulando seu efeito sobre dunas.

O Japão celebra a "Diversidade harmoniosa", com design de Atsushi Kitagawara em um pavilhão montado por milhares de peças de madeiras unidas somente por encaixe, sem que um prego fosse usado. Bonito de ver, melhor para comer. O grid tridimensional formado pelas toras de madeira simboliza a origem da diversidade do país - as quatro estações, a natureza, o ecossistema e a comida.

A França vai mostrar a paisagem montanhosa do país de ponta-cabeça, esbanjando madeira como matéria-prima. O pavilhão faz referência também aos mercados cobertos, um símbolo da cultura gastronômica regional em muitas cidades francesas. Os Estados Unidos desembarcam seus food trucks na Expo. O pavilhão, com projeto de James Biber, o mesmo do Museu Harley-Davidson, em Milwaukee, evoca a estrutura de tradicionais celeiros para contar a história da comida do país - e falar de inovação, diversidade e empreendedorismo. A montagem reaproveita madeira do calçadão de Coney Island.

A gastronomia com ingredientes da Lombardia vem acompanhada de um bom espumante. A cem quilômetros de Milão, as vinícolas de Franciacorta, na região de Brescia, participam como parceiros da realização da Expo e aguardam visitantes em suas propriedades para visitas e degustações.

O Lago Garda talvez seja o mais famoso de Brescia. É o Iseo, entretanto, que nos leva às vinícolas que produzem o Franciacorta, o vinho que tem mais prestígio. Propriedades como Bersi Serlini e Bellavista têm o lago como cenário com suas pequenas cidades no entorno, emolduradas pelos Alpes. No verão, o lago é usado para prática de diversos esportes aquáticos. Ferry boats fazem travessias entre as principais cidades às suas margens. De Iseo, por exemplo, pode-se atravessar até Sarnico, ou o Monte Isola, a maior ilha lacustre da Europa, onde só se anda a pé.

Ocupada pelos monges clunistas no século 11, Brescia deve a eles a herança do cultivo das vinhas, pois eles trouxeram em sua bagagem as uvas vermelhas, cabernet e merlot. Hoje Franciacorta se orgulha de ser a primeira na Itália a obter o status DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida), para uma produção de espumantes delimitada em 20 quilômetros entre os arredores da cidade de Brescia e as margens do Lago Iseo. 

O espumante - branco ou rosé - é feito com chardonnay, pinot blanc e pinot noir. E o que torna o Franciacorta tão especial é a proximidade do Lago Iseo, onde o solo recebe os ventos gelados das montanhas, cobertas de neve em seis meses do ano. A vinícola Bersi Serlini mantém instalações que remontam à época dos monges clunistas, ainda com afrescos nas paredes e quartos onde os visitantes podem pernoitar. E a Bellavista, propriedade do grupo Moretti, organiza deliciosos jantares harmonizados para seus visitantes.

O monastério clunista San Pietro in Lamosa e Abadia de Rotengo Saiano são ícones da época dos monges clunistas na região. A abadia foi estabelecida antes de 1050, como parte de uma antiga rota para Roma, e recebia peregrinos que para lá seguiam. Em Iseo, pequena cidade às margens do lago com o mesmo nome, simpáticas vielas convidam à caminhada. Bares e cafés rodeiam a praça principal, onde foi erguida a primeira estátua em homenagem a Giuseppe Garibaldi. Curiosamente, mostra o herói de pé, em vez de montado em seu cavalo, como de costume. Nos fins de semana, produtores expõem queijos, salames e azeites na feirinha.

A região também é muito procurada por ciclistas, que precorrem as trilhas pela reserva natural Torbiere. A meio caminho entre Milão e Iseo, o restaurante e enoteca Dispensa Pani e Vini valoriza ingredientes da região em seus pratos. No salão decorado com ripas de barris de carvalho, são servidos massas e pratos à base dos pescados do Iseo (¬ 70, menu de sete etapas). A casa, em Torbiato di Adro, também vende produtos locais.

 


Expos pelo mundo

A menos de 15 minutos de caminhada da Igreja Santa Maria della Grazie, onde Leonardo da Vinci eternizou "A última ceia" (1495-1498), o Trienalle Design Museum será uma extensão da Expo no centro da cidade. O espaço apresentará, de 8 de abril a 1º de novembro, a exposição "Artes & comidas - rituais desde 1851", para falar da relação entre arte e comida em todo o mundo, desde a realização da primeira Expo, em Londres.

Entre trabalhos selecionados pelo curador Germano Celant não faltam releituras do afresco de Da Vinci, como a versão em calda de chocolate fotografada por Vick Muniz (1997), o "Black supper" de Andres Serrano (1990), entre outras. A mostra inclui esculturas e instalações como representação de salas de jantar dos séculos 19 e 20. O museu é vizinho ao Castelo Sforzesco - do duque Ludovico Sforza, patrono de Da Vinci - que inaugura montagem para a "Pietà Rondanini", de Michelangelo, e renova na sala "delle Asse" outro famoso afresco de Da Vinci.

O Teatro alla Scala e o Piccolo Teatro vão funcionar nos seis meses da Expo. "Turandot" abre a temporada. Um festival de orquestras internacionais inclui apresentações da Filarmônica de Berlim (2/5) e homenagem a Vivaldi (27/10). O programa Scala Aperta oferece ingressos com 50% de desconto (teatroallascala.org). Na Piazza del Duomo, a catedral, os museus vizinhos e a Galleria Vittorio Emanuelle II estão em festa. No alto da catedral, a "Madonina", recém-restaurada, brilha dourada.

Lá dentro, dá para notar os trabalhos de restauro feitos em nichos que estão bem mais claros, com o mármore limpo. A escultura em mármore "Paradosso" (2013), de Tony Cragg, inspirada na Madonina, que se vê na entrada até o fim do mês, vai integrar a mostra que será montada no terraço do Duomo durante a Expo. Mais que nunca vai valer a pena subir a escadaria e apreciar a vista da cidade.

Em frente ao Duomo, o Palazo Realle exibirá a mostra Leonardo da Vinci 1452-1519, com desenhos, manuscritos e documentos (15/4 a 19/7). Já a mostra, "Il Mondo de Leonardo", no Museum Leonardo, tem entrada pela Galleria Vittorio Emanuele II (até 31/10). 

A galeria, que abriga a loja pioneira da Prada, teve fachadas restauradas. Ganhou hotéis butique do grupo Townhouse, com quartos com vista surpreendente para as lojas ou para a Piazza del Duomo, e terá em breve um tour no terraço e pelas laterais de suas lindas claraboias envidraçadas. 

 

Colaborou: Cristina Massari viajou a convite da Expo Milano 2015. 

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