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Diário da Região

03/05/2015 - 00h02min

Saúde

O dano maior é estético

Saúde

Stock Images/Divulgação NULL
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Até três meses atrás, o formato da orelha de Maria Eduarda Salino de Pádua, 11 anos, era um incômodo. A chamada orelha de abano, um problema que afeta de 2 a 5% da população mundial, era motivo para que ela sofresse bullying na escola, o que afetava muito a qualidade de vida dela. "Era chamada de orelha de elefante, Dumbo", revela.

O formato, caracterizado por um problema na estrutura da cartilagem da orelha, foi corrigido numa cirurgia chamada otoplastia. A intervenção, indicada entre 5 e 7 anos de idade, período em que orelha da criança já atingiu 85% do tamanho adulto, foi tranquila, e Maria Eduarda está feliz com o resultado. "O pessoal parou de fazer brincadeira sem graça." A mãe, Sonia Maria Salino, conta que a cirurgia foi realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Tentei durante anos fazer pelo convênio, mas não foi autorizada."

A orelha de abano tem origem genética, mas não é algo que traga prejuízo à saúde das crianças. O único dano é estético, e consequentemente psicológico. "Por isso é indicado fazer a cirurgia a partir dos 5 anos, período de idade escolar, para evitar que as crianças sofram bullying entre os colegas de sala", diz a pediatra Isabella Delalibera, do Hospital Albert Einstein.

Quem se incomoda mais?

Antes de fazer a cirurgia, é preciso conversar com a criança para que elas tomem, junto com os pais, a decisão. "Às vezes, são os pais que se incomodam com a orelha de abano e não a criança. Os pais passam a preocupação e podem deixar os filhos vulneráveis, inseguros", afirma a psicóloga Cristiane Alves Lorga, especialista em Intervenção Familiar do Instituto Terapia Sistêmica (ITS). Para ela, os pais devem ter sensibilidade para descobrir o real problema e entender como ele está se desenvolvendo. "A orelha de abano pode ser um disfarce para outra questão", revela.
 

 

Maria Eduarda - estética criança Maria Eduarda, de 11 anos, está feliz com o resultado da cirurgia para correção da orelha de abano: “O pessoal parou de fazer brincadeira sem graça”

A dona de casa Andreza Reis conversou muito com a filha antes de fazer o procedimento. Fernanda, hoje com 14 anos, fez a cirurgia com 12 e sofria muito com sua orelha de abano. "Na escola, meus amigos sempre faziam brincadeiras, e eu não gostava. Depois da cirurgia, eles pararam." A intervenção foi feita pelo SUS e correu bem. A mãe, Andreza, que também tinha o problema, fez a cirurgia logo na sequência. O filho de 9 anos será o próximo a fazer a intervenção. "No entanto, ele não quer fazer agora. Só mais pra frente." Hoje, Andreza indica o procedimento para os amigos. "Muita gente não sabe que tem direito e que pode fazer a cirurgia pelo SUS", lembra. 

Paliativos até a cirurgia

Antes de atingir a idade para a cirurgia, os pais podem disfarçar o problema usando os cabelos, no caso das meninas. Ao notar a orelha de abano no filho ainda bebê, os pais podem colocar uma faixa sobre as orelhas. "No entanto, o método não vai evitar a cirurgia. Vai diminuir o afastamento no momento, mas depois voltará. Meu papel é tirar dúvidas e encaminhar a família para um bom cirurgião plástico", diz Isabella Delalibera. 

Quando feita na infância, a cirurgia de orelha de abano é menos dolorosa. "Na fase adulta, o pós-operatório costuma ser mais dolorido, principalmente porque a cartilagem é mais rígida", explica o cirurgião plástico Rodrigo Antoniassi, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Entre 5 e 7 anos, utiliza-se anestesia geral durante a cirurgia, porque as crianças não podem mexer o peitoral. "Na fase adulta, é feita anestesia local ou sedação, e o paciente vai embora logo após o procedimento", afirma. 

Cuidados pós-operatórios

O pós-operatório, que gera muitas dúvidas e mitos nos pais, é tranquilo. A criança demora, em média, um mês para se recuperar. No entanto, é preciso fazer um acompanhamento. "Geralmente, após a cirurgia, a criança fica com um curativo reforçado durante 48 horas. Na sequência, utiliza uma faixa na cabeça, que é tirada apenas durante o banho, por duas semanas. Após isso, ela só usa a faixa à noite, para dormir, e para evitar virar e dobrar a orelha e interferir na recuperação", explica o cirurgião Rodrigo Antoniassi. 

O procedimento é caro. A cirurgia particular custa, em média, R$ 6 mil. O valor é repassado apenas após avaliação. E existem contraindicações comuns a qualquer outra cirurgia. "Pacientes com cardiopatia grave ou doenças mais sérias não devem fazer", orienta Antoniassi. 

 

 

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