Diário da Região

12/03/2003 - 00h05min

Atitude

O bê-Á-bá da sexualidade infantil

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Brincar de casinha, médico e paciente, fazer “troca-troca”, tomar banho junto ou trocar beijinhos. O que para as crianças é natural, para os pais pode ser motivo de choque e repreensão. A sociedade cria normas e exagera nas expectativas em relação ao comportamento das crianças, que muitas vezes são proibidas de vivenciar sua sexualidade de forma saudável. Quase sempre, o resultado do castigo na hora errada e da incompreensão aparece na vida adulta. Vergonha do próprio corpo, dificuldade de ereção, anorgasmia (ausência de orgasmo), ejaculação precoce e até mesmo impulsividade sexual são alguns dos transtornos que atormentam homens e mulheres, que em vez de receber educação sexual foram censurados. Não são poucos os traumas que os adultos carregam por conta da falta de orientação dos pais diante de suas primeiras manifestações sexuais.

Diante da sexualidade cada vez mais precoce (estimulada pela mídia) e da necessidade de formar adultos responsáveis, qual deve ser a postura dos pais ao se deparar com as manifestações sexuais dos filhos? Ignorar, repreender, explicar, contar histórias ou recorrer a um especialista? Falar sempre a verdade, responder somente ao que a criança perguntou e não castigar é o caminho para não traumatizar os filhos e torná-los adultos sexualmente bem-resolvidos. “Os pais se acham supermodernos até que a criança faça perguntas ou apresente alguma manifestação de sua sexualidade. Nessa hora, muitos ficam constrangidos e acabam mentindo ou inventando histórias que não convencem”, observa a psicóloga rio-pretense Cristiane Bertucci. É comum que os pais fiquem horrorizados ao surpreender a menina tocando os órgãos genitais ou o garoto fazendo “troca-troca” com o coleguinha da escola. “Já atendi um caso em que o pai surrou uma menina de dois anos diante de uma cena dessas. Não podemos esquecer que a criança não tem nenhuma maldade”, pondera a psicóloga.

Em seu livro “Papai, Mamãe e Eu” (1990), a sexóloga e hoje prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, afirma que o primeiro passo para colaborar no desenvolvimento de uma criança é aceitar que a sexualidade é natural. “Nascemos todos seres sexuais. No bebê a sexualidade é tão espontânea como a capacidade de sugar o seio materno ou a mamadeira e, mais, tarde, andar e falar”, escreveu Marta. Na prática, nem sempre isso acontece. Os pais (dependendo da educação que tiveram e do grau de formação) têm a mania de achar que os filhos são assexuados e que por isso não têm manifestações sexuais. A sexóloga e psicóloga Sandra Valéria Sanitá Carneiro da Costa explica que é na exploração lúdica que a criança descobre as sensações prazerosas dos genitais. Assim como no adulto, a excitação sexual na criança é caracterizada por ereção no menino e lubrificação na menina, o que ocorre quando há maior fluxo sangüíneo nesta região. “Para o garoto, ver o pênis do amiguinho ereto é importante porque estimula a curiosidade e a imitação”, diz a médica.

Embora situações desse tipo sejam perturbadoras para os pais, é importante lembrar que a experiência masturbatória ou o troca-troca não passam de brincadeiras, que devem ser entendidas como uma forma prazerosa de descobrir o corpo e de se comunicar. “Todas essas manifestações devem ser consideradas normais, desde que não haja exagero”, ressalta Sandra. O parâmetro para saber quando tomar providência, dizem os profissionais, é o excesso. Ou seja, se uma criança se masturba sem limites em público, algo pode estar errado com ela, já que a prática é considerada compulsiva.

Surpresa
Respirar fundo e ser o mais natural possível. Essa é a dica de psicólogos que deve ser seguida pelos pais no momento em que flagrarem a criança em contato com a sexualidade. Nada de frases do tipo “Não faça isso!” ou “Que coisa feia!” ou “Se você fizer isso de novo vai ficar de castigo”. “Tanto o pai como a mãe devem falar com a criança como se estivessem explicando uma matéria escolar. S

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