X
X

Diário da Região

11/10/2015 - 01h58min

Inclusão sem barreiras

Muito além do desejo

Inclusão sem barreiras

Sergio Isso Adolescentes com Síndrome de Down trabalham suas emoções em dinâmica: diálogo aberto e postura esclarecedora são fundamentais no desenvolvimento da sexualidade
Adolescentes com Síndrome de Down trabalham suas emoções em dinâmica: diálogo aberto e postura esclarecedora são fundamentais no desenvolvimento da sexualidade

Em pleno século 21, muito se fala em inclusão sem barreiras. Mas quando o assunto é sexualidade, pais e sociedade preferem fingir que nada acontece. Segundo Fátima Bozelli, pediatra e coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente de Mirassol, a pessoa com deficiência intelectual tem os mesmos sentimentos de desejo que a pessoa sem deficiência. "A sexualidade é inerente à condição humana. É uma função natural e existe em todos, mas, apesar das diferenças entre os deficientes intelectuais, incluindo a Síndrome de Down, quase todos são capazes de aprender a desenvolver algum nível de habilidade social e conhecimento sexual", esclarece. 

Para a psicóloga Joana dArc Arioza Marcatto, de Rio Preto, a sexualidade acontece como em qualquer outro adolescente, o que vai diferenciar é o seu desenvolvimento intelectual. Os desejos e as manifestações acontecem naturalmente, o importante é orientá-los corretamente. "É importante nesse momento termos a sensibilidade de interpretar as manifestações fisiológicas e as descobertas sexuais que acontecem com a exploração do corpo, ainda mais hoje que temos uma mídia muito presente no convívio de todos", orienta. 

Costuma-se dizer que as pessoas com Síndrome de Down têm uma sexualidade exacerbada, mas, de acordo com a coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente de Mirassol, não é nada disso. "A falta de maturidade emocional ou dificuldade de entender as relações interpessoais ocorre devido à uma educação inadequada, que não os deixam crescer, amadurecer. A maioria é infantilizada. Eles acreditam que são anjos e assexuados. É muito tempo ocioso e, por isso, buscam prazer na masturbação. Já adolescentes sem deficiência ocupam o tempo com outras atividades."

Joana dArc explica que para os pais esse é um período muito difícil, angustiante, pois é o momento em que eles deixam de enxergar o filho como criança e passam a ter que aceitar que estão crescendo e iniciando uma vida adulta. "Não podemos deixar de ressaltar que a preocupação maior é a do abuso sexual, da gestação indesejado e da doença sexualmente transmissível", alerta. 

Para Fátima, falar sobre sexo foi considerado um tabu por muito tempo, mais ainda quando se trata de pessoas com deficiência intelectual. "A educação sexual ainda hoje está longe da realidade das escolas. Trabalhamos com oficinas educativas e inclusivas tanto com os pais como com os adolescentes. É preciso ter paciência e criar vínculo com eles. O resultado é muito bom", comemora a pediatra.

 

sexualidade_jovens síndrome de Down 2 Renan e a namorada, Juliana: eles conversam abertamente sobre sexo com os pais, curtindo o melhor do namoro como todo casal de adolescentes

O último romântico

Renan Henrique Codogno, 19 anos, é um adolescente romântico. Se apaixonou por Juliana Vieira, 17, assim que a viu. Eles se conheceram através do tio de Juliana, que é amigo do pai de Renan. O pedido de namoro veio logo. "Renan tomou a iniciativa de pedí-la em namoro aos pais dela. Reunimos as duas famílias e os pais dela concordaram porque pensam como nós; não há como ignorar que nossos filhos têm sentimentos como qualquer outra pessoa. Isso não pode ser trancado dentro de um armário. Seria até contraditório, pois lutamos tanto por uma inclusão sem barreira", reforça a mãe de Renan, Sandra Codogno, que mergulhou na pedagogia para entender o universo do filho com Síndrome de Down.

Renan conta que mata a saudade de Juliana por ligações, mensagens e e-mails, mas sempre que podem se encontram. "Eu sinto muita falta, mas, sempre que podemos, estamos juntos", conta. Sexo não é tabu para o adolescente. Ele diz que sempre falou abertamente com seus pais sobre o assunto, mas ainda não vivenciou a experiência. "Nunca tive problema em conversar com os meus pais. Sinto desejos como qualquer adolescente, mas ainda não é momento; somos novos, temos tempo. Tem que ser algo especial para os dois", diz. 

A incursão de Sandra no universo da deficiência intelectual resultou na criação do Centro de Desenvolvimento Humano. "Com o nascimento do Renan, precisei reformular toda a minha vida. Fui para a faculdade fazer um curso que melhor o auxiliasse. Fiz pedagogia, pós em psicopedagogia, educação inclusiva e especialização em educação especial para poder dar continuidade a um trabalho de estimulação que começou quando ele tinha 45 dias", declara.

O Centro foi fundado em 2009, em Rio Preto, desenvolvendo um trabalho global, individualizado ou em grupo, com bebês, crianças, jovens e adultos: estimulação precoce, psicomotricidade, psicopedagogia, acompanhamento pedagógico, musicoterapia, psicologia, grupos terapêuticos sociais e assessoria em escolas. "Como mãe eu lido todos os dias com desafios diferentes. Nós enfrentamos um dia de cada vez. Todos os desafios são grandes, enormes, mas lidar com o preconceito é o maior deles. O Renan todos os dias tem que mostrar as suas competências e habilidades porque a sociedade cobra isso dele, mais do que de qualquer outro adolescente", diz. Renan é um adolescente em fase de descobertas, e Sandra explica que, desde que as primeiras dúvidas sobre sexo surgiram, ela e o marido deram todo o suporte necessário. "Esse assunto sempre foi muito discutido e orientado por mim e pelo pai. Desde que surgiram as primeira dúvidas falamos de maneira clara e tentamos esclarecer todas", conta. 

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso