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Diário da Região

22/11/2015 - 00h00min

Alimentação

Embutidos na mira

Alimentação

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Se você é o tipo de pessoa que não resiste a uma suculenta feijoada ou pão com presunto ou salame no café da manhã, é bom repensar seus hábitos: a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC), órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou recentemente que o consumo de carne processada aumenta a chance de desenvolver alguns tipos de câncer. Estão na lista o bacon, o presunto, a linguiça, a salsicha e o salame. Eles aumentariam as chances de câncer no intestino grosso e no reto.

Existem hipóteses segundo as quais tanto durante o processamento quanto o cozimento pode haver a produção de produtos químicos carcinogênicos como aminas heterocíclicas aromáticas e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, também encontrados na poluição do ar. No entanto, esse mecanismo não foi ainda completamente desvendado. O estudo ainda cita a carne vermelha como "provavelmente cancerígena com base em evidências limitadas", e efeitos cancerígenos da carne vermelha em casos de câncer colorretal, pâncreas e de próstata.

Mas, por enquanto, a ordem não é cortar de vez o consumo desses produtos. "Para os indivíduos, o risco de desenvolver câncer colorretal por causa do consumo de carne processada permanece pequeno, mas o risco aumenta com a quantidade de carne consumida", disse o chefe do programa de monografias da entidade, Kurt Straif, em nota distribuída à imprensa. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que, no Brasil, serão totalizados 32,6 mil novos casos de câncer colorretal até o fim deste ano. Desses, 15,1 mil acometerão homens e 17,5 mil mulheres.

Bacon, álcool e cigarro

A carne processada foi incluída pelo estudo do IARC no Grupo 1, o de maior risco. Com isso, o bacon e o salame acabaram ficando lado a lado com substâncias como o tabaco, o álcool, o amianto e o arsênico. Já a carne vermelha foi colocada no Grupo 2A, o de "provavelmente cancerígena para seres humanos". "O que sabemos é que evitar a carne vermelha na dieta não é uma estratégia de proteção contra o câncer", disse Robert Pickard, professor de neurobiologia da Universidade de Cardiff, na Inglaterra. Ele também alerta que os maiores causadores de câncer são o cigarro, o álcool e o sedentarismo, e que isso tudo não pode ser comparado ao consumo de carne de maneira alguma. Essa opinião é compartilhada pela pesquisadora e nutricionista Elizabeth Lund. 

"A carne processada foi incluída nessa categoria, pois há evidências claras de sua relação com o câncer. Porém, o risco do câncer causado pelo tabaco é muito mais significativo", lembra o proctologista João Gomes Netinho, especialista em doenças do aparelho digestivo e professor da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp). Deve ficar claro, segundo ele, que o consumo esporádico de carne processada, em quantidade normal ou moderada, não leva a um aumento do risco de câncer, principalmente se comparado ao hábito de fumar cigarros. "É importante ressaltar que outros fatores influenciam o risco de câncer, como fatores genéticos e estilo de vida sedentária", diz.

Estudo Controverso

A pesquisa foi realizada por 22 especialistas em dez países. Segundo a entidade ligada à OMS, o levantamento usou mais de 800 estudos que investigaram a associação de mais de uma dúzia de tipos de câncer. A pesquisa indica que consumir uma média de 50 gramas por dia de carne processada aumenta o risco de câncer colorretal em 18%. Porém, Betsy Booren, do Instituto de Carne Norte-americano, discorda dos resultados, apontando que foram utilizadas evidências limitadas para chegar a essa conclusão. "Eles manipulam os dados para conseguir um resultado específico", disse Booren ao The Guardian

Dieta equilibrada

Hábitos de vida saudáveis e dieta balanceada são medidas preventivas importantes. "Adotar uma dieta balanceada, com moderação, associada à prática de exercícios físicos e acompanhamento médico são ótimos aliados à saúde. Além disso, é indicado realizar o exame de colonoscopia - o mais recomendado para a prevenção de tumores intestinais por detectar e tratar a presença de pólipos pré-cancerosos - a partir dos 50 anos, se não houver histórico familiar, e aos 40, se houver", recomenda o cardiologista e nutrólogo do HCor, Daniel Magnoni

Perigo para o coração

O segredo está na quantidade e na frequência do consumo. É importante salientar que não é preciso abolir as carnes vermelhas e processadas da dieta, pois elas são ricas em proteína, vitamina B, ferro e zinco. "O ideal é moderar a ingestão de alguns alimentos a no máximo três vezes por semana, pois as gorduras saturadas e o colesterol contidos nas carnes podem prejudicar a saúde do coração", afirma a nutricionista clínica do HCor, Angela Cristina Bárbaro. 

Além das fortes evidências de seu papel cancerígeno, o sódio, presente nas carnes processadas, favorece o desenvolvimento da hipertensão arterial - ou seja, um risco a mais ao coração. "Pesquisas mostram que o sal e os conservantes usados no processamento desses alimentos são os verdadeiros responsáveis pelo desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O sal aumenta a pressão sanguínea, enquanto os conservantes reduzem a tolerância à glicose", explica. 

 

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