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Diário da Região

26/05/2015 - 00h04min

Saúde

Dor na hora errada

Saúde

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Toda mulher treme quando o assunto na roda de amigas é endometriose. Doença inflamatória crônica que ocorre apenas nas mulheres, ainda interfere na sexualidade da mulher, principalmente porque causa dor durante o ato sexual. A endometriose é causada pela fixação e o desenvolvimento de células descamadas da porção mais interna do útero em outros órgãos, na maioria das vezes da área pélvica. 

A dor é um sintoma constante da doença. Surge como uma cólica menstrual de moderada a intensa, muitas vezes resistente a analgésicos e anti-inflamatórios, e costuma se acentuar com o tempo. "Os ligamentos de sustentação do útero são uma localização frequente da doença, o que os torna muito sensíveis e dolorosos à penetração peniana", explica Maria Zélia C. S. Corrêa, ginecologista, obstetra e sexóloga. 

O diagnóstico pode demorar, porque nem sempre a endometriose é detectada em exames ginecológicos de rotina. Para confirmar as suspeitas, podem ser necessários exames como ressonância magnética ou laparoscopia, que exigem equipamento especializado, anestesia e hospitalização. 

A endometriose tem tratamento, e o sexo para a mulher pode voltar a ser satisfatório. "Os tratamentos preconizados, embora não sejam ainda totalmente eficazes, podem trazer um bom controle da dor e da doença e recuperar a fertilidade das desejosas em engravidar. Não havendo dor durante o intercurso sexual, espera-se a melhora da sexualidade. Mas o trauma da dor pode persistir e ser necessário algum tempo para se recuperar do medo inconsciente", afirma Maria Zélia.

E se o dano sexual permanecer, a recomendação é a terapia sexual, com profissional habilitado. "Quando o problema decorre só da endometriose, o resultado é muito bom", diz Maria Zélia. De acordo com Nicolau D'Amico, diretor da Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva (SBE), a orientação é certificar-se do diagnóstico e propor tratamento multidisciplinar, com acompanhamento ginecológico e psicoterapêutico. 

Vencendo a endometriose

A atriz Fernanda Machado “venceu” a endometriose. A atriz, que sempre sofreu com as fortes dores e teve a doença diagnosticada há cerca de três anos, fez tratamento adequado, submeteu-se a uma videolaparoscopia e, depois de um tempo, conseguiu engravidar. Aos 34 anos, a atriz está curtindo a primeira gestação e sabe que os cuidados serão permanentes. Fernanda, na semana passada, com 34 semanas de gestação, postou uma foto em seu Instagram, onde escreveu: “Nessa reta final o meu Lucca tá crescendo sem parar e a cada dia, a cada hora, a cada minuto a minha barriga tá maior! To amando esse barrigão.”

 

atriz Fernanda Machado A atriz Fernanda Machado “venceu” a endometriose

Diagnóstico precoce faz diferença

Além da dor na relação sexual e das cólicas menstruais, os principais sintomas da endometriose são infertilidade, dor ao evacuar durante a menstruação, infecções urinárias de repetição e dor pélvica crônica (há mais de seis meses), que no início é cíclica, mas com o passar do tempo se torna constante. E a endometriose não tem cura.

O motivo é que a doença tem relação não só com a cronicidade, mas também com a genética. Além disso, a medicina ainda sabe pouco sobre os outros processos imunológicos envolvidos. 

Nicolau D'Amico, diretor da Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva (SBE), afirma que o melhor tratamento é a prevenção e o diagnóstico precoce, com atenção especial nas adolescentes, nas quais a investigação deve começar cedo, principalmente naquelas que apresentam sintomas que levam à perda de aula ou atividades de lazer, que obrigam a idas aos prontos-socorros e, principalmente, nas que tenham antecedente de endometriose familiar (mãe e irmãs). 

Segundo o especialista, as sequelas da sexualidade surgem em acompanhamentos incompletos e/ou diagnósticos tardios da doença, em que a cirurgia muitas vezes necessita ser mais ampla, o que poderá acarretar em mutilações de algumas inervações pélvicas, levando a sintomas permanentes de dor.

"Nestes casos, a equipe multidisciplinar deverá contar também com especialistas em dor, além do próprio psicoterapeuta."


 

 

 

SAIBA MAIS

:: A endometriose acomete 10% a 15% das mulheres em idade fértil, sendo mais frequente na faixa etária dos 30 aos 40 anos

:: O peritônio, membrana que envolve a face interna do abdômen, é a região mais afetada pela doença, seguido por ovário, bexiga e intestino

:: Ao atingir o intestino, a doença também pode provocar dores e distensões abdominais relacionadas ao período menstrual e, em casos mais graves, sangramentos retais e obstruções intestinais

:: Outro prejuízo ocasionado pela doença, independentemente do local da inflamação, é a infertilidade. Metade das mulheres diagnosticadas com endometriose apresenta problemas para engravidar devido a falhas na ovulação, obstrução das trompas, entre outros fatores
 
Fonte: Rubens Gonçalves Filho, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim

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