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Diário da Região

12/07/2015 - 00h47min

Comportamento

Do fracasso ao sucesso

Comportamento

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Todo mundo joga para ganhar, estuda para tirar boas notas, luta para ser bem sucedido. Ninguém gosta de perder uma discussão, ou uma "batalha". Ganhar é bom, essa é a verdade. Traz uma sensação de bem-estar, de realização e confiança, o que aumenta a autoestima. Mas falhar tem sua importância. Algumas pessoas têm medo do fracasso, porque provavelmente desconhecem o que é preciso para ter sucesso. Estão tão focados no sucesso que esquecem o que é realmente necessário para alcançá-lo. Raramente pensamos que foi preciso falhar bastante para se obter um grande sucesso. Na história, existem inúmeros exemplos. Desde Thomas Edison a Steve Jobs, de Abraham Lincoln a Bill Gates.

"A história e a literatura são unânimes em afirmar que cada fracasso ensina ao homem algo que necessita aprender; que fazer e errar é experiência, enquanto não fazer é fracasso; que devemos nos preocupar com as chances perdidas quando nem mesmo tentamos; que o fracasso fortifica os fortes", diz o educador e palestrante Tom Coelho. Pesquisa da Harvard Business Review aponta que um empreendedor quebra, em média, 2,8 vezes antes de ter sucesso empresarial. Por isso, costuma-se dizer que o fracasso é o primeiro passo no caminho do sucesso, ou, como disse o norte-americano Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, "o fracasso é a oportunidade de se começar de novo inteligentemente."


Alavanca para a criatividade

"O Poder do Fracasso - Como a Capacidade de Enfrentar Adversidades e se Superar é Fundamental para o Sucesso" (ed. Sextante), da crítica de arte norte-americana Sarah Lewis, lança um olhar generoso sobre o tema por meio da análise da obra e da vida de músicos, roteiristas, cientistas, exploradores e esportistas. 

Ela oferece uma outra definição de fracasso - ou quase sucesso, como ela chama. O livro mostra como a insatisfação com o resultado do próprio trabalho pode ser uma fonte de angústia, mas também uma alavanca de criatividade. "A busca da maestria é um 'quase' contínuo e permanente", define a autora, que estudou esse sentimento no comportamento de mestres como Michelangelo. Perder por pouco pode ser devastador, mas geralmente é a maior motivação para se fazer uma nova tentativa. 

Faça diferente da próxima vez

"As tentativas exigem sempre algo novo para alcançar um resultado, e o fracasso é apenas o resultado diferente daquilo que esperamos", diz a terapeuta holística Vânia Medeiros. Segundo ela, precisamos aprender a não ser tão críticos com o fracasso e não encará-lo como forma de incapacidade. Isso gera sofrimento e tentamos empurrá-lo para "debaixo do tapete", esquecer que fracassamos, muitas vezes distorcemos a situação para não olhar para nossas atitudes e não se cobrar por isso. Examinar a fundo nossas falhas é emocionalmente desagradável e pode derrubar a autoestima. 

A maioria de nós, se pudesse decidir, dedicaria pouco tempo à análise de fracassos ou simplesmente evitaria a tarefa. Conclusão: não aprendemos. A chave, ressalta Vânia, é ter humildade para admitir que demos o nosso melhor, que caímos, mas podemos levantar e fazer diferente. Olhe de frente para seu fracasso e aprenda com ele. Veja qual foi a atitude, o pensamento e o resultado obtido com a tentativa. Se não gostou do resultado, anote na agenda como "aprendizado". Tenha em mente que, se quiser outro resultado, será preciso fazer diferente da próxima vez. "Sem humildade, eu não assumo meu erro, não me permito olhar para minha ação e aceitar que estou em fase de experiência, porque a vida é uma fase de experiência", afirma Vânia. 

 

Samuel Morse

 

 

 

SAMUEL MORSE

O sonho do inventor do telégrafo era ser pintor. Em uma de suas cartas, ele chegou a expressar seu desejo de rivalizar com Michelangelo. Não chegou nem perto - pelo menos no campo da pintura. Ele ouviu todo tipo de crítica sobre suas obras e não conseguiu ganhar dinheiro com elas. Mas Morse também era um especialista em fracassos. Ele começou a estudar a reação de grandes personalidades às derrotas. O grande mérito de Morse foi retraçar a rota da sua vida e investir na ideia do telégrafo. Segundo sua lógica, para atingir a excelência, é essencial saber quando desistir e quando persistir. Para que o aparelho funcionasse, Morse investiu seu tempo com o mesmo afinco que dedicava às pinturas, e a mesma visão sobre tentativa e erro

 

 

 

 

 

 

 

 

Paul Taylor

 

 

 

PAUL TAYLOR

É considerado um dos maiores coreógrafos americanos. Na década de 1950, no entanto, nada levava a crer que ele alcançaria esse posto. Uma de suas primeiras apresentações terminou com a plateia quase vazia e foi considerada pela crítica um fracasso total. A coreografia consistia em reproduzir movimentos rotineiros e posturas comuns. O crítico de dança Louis Horst não encontrou palavras para descrever o que viu. Sua resenha no jornal consistiu em uma página em branco. Ele mencionou o título e o local da apresentação e assinou embaixo, após uma lacuna vazia. Taylor diz que nunca superou a resenha em branco de Horst. Mesmo assim, o coreógrafo não deixou de fazer o que acreditava ser sua dança. Anos mais tarde, ele conseguiu ser aclamado pelo público em uma apresentação muito mais fluida, mas que, no fundo, era baseada nos mesmos movimentos da coreografia tão duramente criticada

 

 

 

 

 

 

Andre Geim

 

 

 

ANDRE GEIM 

O ganhador do Nobel de Física é um ótimo exemplo de que, para atingir a excelência, é preciso passar por estradas desconhecidas e colocar o risco e o fracasso como parte do processo. Geim criou em seu laboratório os "Experimentos de Sexta à Noite", experiências meio malucas que provavelmente não dão em nada - mas, quando dão, demonstram algo surpreendente. Ele e sua equipe dedicam 10% de seu tempo a isso. Muitas vezes, eles saem de sua área de expertise e colocam um novo olhar sobre uma questão. Desse método, saíram dois resultados especialmente importantes. Um deles rendeu a Geim em 2000 o Ig Nobel (que premia pesquisas inusitadas), por ele ter feito uma rã levitar usando ímãs. Outro, pelo isolamento do grafeno, deu-lhe o Nobel em 2010. Geim, único cientista a ter recebido as duas honrarias até hoje, resume assim sua filosofia: 
"É melhor estar errado que ser chato"
 
Fonte: "O Poder do Fracasso - Como a Capacidade de Enfrentar Adversidades e se Superar é Fundamental para o Sucesso" (ed. Sextante)

 

 

 

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Quando as coisas não saem como planejamos

Na vida, é impossível que todos os nossos planos e projetos funcionem sempre bem, do jeito que planejamos. "Entretanto, convém lembrar as lições aprendidas no sentido de nos tornarmos vencedores, pois um evento adverso, ou até mesmo catastrófico, em nossa vida, pode ser o ponto de partida para algo bem melhor ou maior", diz o médico e psicanalista Antonio Pedreira, autor do livro "A Hora e a Vez da Competência Emocional" (ed. Casa da Qualidade). 

Segundo ele, aquilo que se aprende sofrendo, na pele se converte em um sentido de vida que fica gravado na parte mais primitiva do nosso eu (ego criança), e tende, por isso, a ser mais forte e quase inesquecível. "Embora representem um tempero necessário para dar graça à nossa vida, tais dificuldades brindam-nos como constantes chamas de aprendizado, pois o processo de crescimento pessoal é sem limites, até mesmo nas crises", afirma. 

"Aprender com os fracassos é, de longe, a maior recompensa, pois aprendizagem implica em mudança", diz Pedreira. O psicanalista lembra que, para a sabedoria oriental, crise e oportunidade vêm juntas, por grafar estes dois vocábulos com o mesmo ideograma. "Quem cresceu, prosperou ou fez sua independência, aproveitou a oportunidade oferecida pela crise para, com criatividade e perseverança, sair dela ileso, beneficiado, e ainda enriquecido pelo aprendizado que teve na situação crítica ou adversa." 

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