Diário da Região

13/10/2009 - 14h13min

DILEMA

Denunciar a traição?

DILEMA

Arte Orlandeli  
 

Há dois anos, Denise (nome fictício), professora de sociologia, se culpa por saber de algo tão íntimo quanto, à primeira vista, delicado e impossível de não se envolver: soube e viu que a melhor amiga foi traída pelo companheiro. A circunstância desconfortável, sem dúvida, colocou Denise em uma situação embaraçosa. Denunciar ou não a traição? A professora escolheu, após pensar muito bem, esconder a verdade e evitar o risco de provocar uma catástrofe. Ela entendeu que o resultado de sua atitude, no entanto, foi uma omissão. Tempos depois, disse não ter se arrependido, a amiga estava muito bem com o marido. Preferiu seguir o bom e velho ditado: “Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”.


O dilema de Denise nos faz refletir. Em casos delicados como este, qual é a decisão mais correta? Leniza Castello Branco, psicóloga e analista junguiana, em artigo publicado em revista de circulação nacional, afirma que o impulso inicial, naturalmente, é de ser fiel à amizade e punir o traidor, denunciando-o. No entanto, é necessário pensar nas consequências da revelação e, mais do que isso, nas razões íntimas, ainda que inconscientes, que nos levariam a fazê-lo. “O resultado de sua atitude, no entanto, pode ser a perda da amizade. O marido poderia jurar que há um engano, que era um sósia, ou que estava apenas consolando a Mariazinha, vítima de uma paixão não correspondida, e é bem possível que a traída acabe direcionando sua raiva na amiga denunciante.”


O psicólogo Thiago de Almeida, especialista em amor e dificuldade em relacionamentos amorosos, revela que são vários os riscos de contar sobre um caso extraconjugal, mas o primeiro da lista é que a vítima pode achar que o denunciador está mentindo. “Pessoas que estão sendo traídas não reagem bem ao saber da verdade e isso é compreensível, pois ninguém quer ser traído, além de que, a pessoa pode achar que existe fofoca e inveja por parte da pessoa que conta sobre a traição.”


Segundo o especialista, pontos devem se colocados em questão antes de denunciar. “Checar os fatos, verificar sobre veracidade da traição, pois, infelizmente, podem existir pessoas maldosas que adoram difamar a vida do outro. Às vezes, pode acontecer de não haver traição de fato e outra pessoa ver maldade numa relação de amizade por exemplo.”


Ficar quieto é uma omissão, segundo a psicóloga Maria Aparecida Junqueira Zampieri, especialista em psicodrama, no entanto, cada caso é um caso. A especialista afirma que no caso de Denise, poderíamos dizer que foi uma omissão positiva. “Não sei se de fato a pessoa soube ou não da traição do marido. Não sei se conversaram, se o susto o fez cair em si, se o medo da perda não o acordou para o casamento. Ou mesmo, se ele faz isso até hoje. Mas o casamento é deles e a eles cabe o que resolver.”


Segundo a especialista, por mais que você sofra por ver sua amiga traída, delatar poderia colocá-la em cheque-mate, e ninguém garante que ela quer tomar essa atitude. “Acompanhei casais pós-traição e nem todos têm a mesma reação. A dor está presente em todos, há os que se separam. Mesmo assim, há aqueles que optam por “cada um viver sua vida” mantendo socialmente a união, para não dividir bens. Ou como Hillary Clinton que perdoou para não abrir mão de seu projeto político. De quem é essa inquietação: deles ou sua? Se você quer ser informada (o) da (possível) traição de seu par, então deixe isso claro aos seu amigos. Eles podem ficar embaraçados sem saber o que fazer com você.”


De acordo com Maria Aparecida Junqueira Zampieri, no caso da traição, a reação e o ponto de vista masculino são diferentes do feminino. Culturalmente, ainda é forte a tendência de uma tolerância feminina e uma rigidez masculina. O homem muitas vezes sente-se pressionado a não perdoar.”

Não tente influenciar na decisão final do casal

De acordo com a psicóloga Maria Aparecida Junqueira Zampieri, especialista em psicodrama, se você contou ao seu amigo ou amiga sobre a traição, não espere flores por isso. Se seu amigo precisar de sua companhia, fique neutro. Há denúncias positivas à relação, mas se alguém fica perto relembrando (só sua presença traz o fato) ou remoendo a traição, é ruim. “Seja amigo de verdade e recomende que eles procurem um profissional. Deixe claro que se seu amigo precisar te procure, mas deixe espaço para que eles conversem entre si. Não fique por perto.” A especialista explica que é comum tomarmos decisões por nós mesmos. “Se eu quero que me contem, vou lá e conto para meu amigo, se eu não gostaria de saber, não conto. Mas não é a sua vida que está em questão aqui, é a do outro. Independente de ter sido por seu meio a revelação, eles têm coisas a tratar, a decidir, que não são da sua competência.” Quando a amizade acaba por causa da denúncia é preciso respeitar. “Pode ser que um dia, feridas já cicatrizadas, vocês possam conversar. Mas seu amigo tem coisas a tratar agora que não podem ser resolvidas por você. Então espere. E principalmente não tente influenciar a decisão deles, nem para ficar nem para separar. Se essa amizade for muito forte, mais um motivo para respeitar. Então, quando for o momento fale de sua amizade, mas o assunto específico cabe ao outro decidir se quer ou não falar sobre isso. Quanto mais seu amigo tiver se sentido pressionado por sua denúncia a tomar uma decisão que ele não gostaria, mais distante de querer sua presença. Se em suas tentativas de aproximação não houver reciprocidade, você pode dizer que essa amizade é importante para você e espere.”Na opinião do Thiago de Almeida, especialista em amor e dificuldade em relacionamentos amorosos, é preciso dar tempo ao tempo e esperar que o amigo caia em si sobre a traição e talvez a amizade possa voltar ou isso pode acabar com uma amizade para sempre, mesmo que a pessoa traída veja a verdade.

saiba mais

homens e mulheres traem porque:O relacionamento esfriou ou foi devorado pela rotina, pela falta de ser cultivado, pela falta de explorar-se o desenvolvimento pessoal e mútuo quanto à sexualidade e cumplicidade, até mesmo da comunicação deteriorada. Outros pela prisão dos traumas, por falha de caráter, por presença de disfunções sexuais ou por questões culturais Para que a traição não ocorra é preciso:Desenvolver uma intimidade que vai além do sexo, mas que o inclui. Precisa ir além, para melhorar em qualidade e satisfação, para a vida sexual ser satisfatória e os pequenos enfeites da vida, no dia a dia também. O namoro não precisa acabar com o “viver junto”, cada um pode ir explorando os gostos próprios e do outro Fonte Maria Aparecida Junqueira Zampieri, psicóloga

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