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Diário da Região

12/09/2016 - 18h56min

Saúde

Combata a endometriose com novos tipos de arma

Saúde

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Quem sofre de endometriose pode encontrar em tratamentos alternativos um alívio para as dores, muitas vezes insuportáveis, causadas pela doença. Porém, esses tratamentos são poucos explorados. Fala-se muito sobre opções medicamentosas e procedimentos cirúrgicos. A importância de terapias complementares como acupuntura, homeopatia, osteopatia, além de dieta adequada e exercícios físicos, raramente são abordados. 

Sobre este assunto, o ginecologista Marco Aurelio Pinho de Oliveira, chefe do ambulatório de endometriose do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, escreveu Endometriose profunda: O que você precisa saber, primeiro livro do gênero voltado ao público geral. "A endometriose é um processo inflamatório decorrente do crescimento, em outras regiões do organismo, das células do endométrio, tecido que reveste o interior do útero. Diversos órgãos do sistema reprodutor e até mesmo o intestino e a bexiga podem ser acometidos. Pode causar cólicas menstruais intensas e dor nas relações sexuais, bem como ao evacuar e urinar. A infertilidade é uma queixa comum nas portadoras de endometriose. Estima-se que 10 milhões de mulheres sofram do distúrbio no Brasil", explica Oliveira. 

Resultados positivos

As portadoras de endometriose podem encontrar na medicina tradicional chinesa (MTC) um alento para as dores, muitas vezes incapacitantes, causadas pela enfermidade. Segundo estudos internacionais, até 80% das pacientes submetidas à acupuntura apresentam resultados positivos. A alternativa é apenas uma das dicas terapêuticas do livro de Oliveira, que foi um dos responsáveis por incluir a prática entre os serviços prestados pela unidade no Rio de Janeiro. Ao longo de quatro anos, 120 mulheres receberam assistência. "Os relatos indicavam que, em média, o nível da dor caía entre 50% e 60% já na primeira sessão", afirma. 

A clínica geral e acupunturista Stella De Simone explica que a técnica parte do princípio de que as doenças não se limitam a um órgão ou região específica. Elas são frutos de desequilíbrios energéticos do organismo, traduzidos em conjuntos de sinais e sintomas que, uma vez reunidos, dão origem a padrões sindrômicos que correspondem a diferentes diagnósticos. Dessa forma, não é possível estabelecer uma conduta de tratamento padronizada - é necessário analisar as particularidades de cada paciente. 

"Se examinarmos 10 mulheres, serão 10 endometrioses diferentes. Por essa razão, o tratamento de acupuntura é definido a partir de uma anamnese bem detalhada, que inclui questionamentos objetivos e outros que não têm o mesmo peso para a medicina ocidental: em que contexto a pessoa vive? Está feliz ou infeliz? Como é seu estilo de vida? Qual o nível de estresse no dia a dia?", conta a médica, que continua: "Acolher e ajudar as pacientes a identificar e neutralizar fatores que atuam negativamente sobre a doença também é parte do tratamento", completa. 

'A acupuntura me auxiliou muito'

Quando a manicure Juliana Lauer, 33 anos, procurou a naturóloga e acupunturista Tylá Pillotto Duarte, ela vivia entrando e saindo de crises horríveis de dores causadas pela endometriose. "A acupuntura me ajudou muito. A cada sessão eu pude perceber como as dores iam diminuindo e as crises fortes foram cessaram. Além da melhora com as dores, também percebi que eu me sentia mais leve e mais disposta e até meu sono ficou mais tranquilo", relembra ela, que já encerrou o tratamento, mas sabe que é possível retornar, caso as dores resolvam reaparecer. 

Tylá explica que a acupuntura tem mostrado ótimos resultados nos casos de endometriose. "O tratamento muitas vezes é realizado como complementar, inclusive para potencializar resultados em casos que não respondem tão bem ao tratamento convencional", diz a especialista. "Os benefícios da acupuntura para endometriose são muitos, entre eles podemos destacar o alívio nas dores lombar e sacral, melhora da cólica menstrual, regulação da menstruação e melhora da fadiga crônica, e, em alguns casos, na infertilidade. Além disso, a acupuntura trata a pessoa como um todo e promove uma diminuição do estresse, um dos fatores muitas vezes relacionados com o desenvolvimento da endometriose, bem como da depressão e da ansiedade, que muitas vezes aparecem em conjunto com a doença", destaca. 

Soluções alternativas com resultados eficazes

Segundo a médica homeopata Sandra Bossa, a homeopatia contribui para o tratamento de endometriose, assim como para qualquer outra patologia. "Sempre podemos cooperar, se não pudermos curar. Às vezes, a doença é incurável, ou é cirúrgica, ou nutricional, etc, as patologias humanas têm causas complexas, portanto, necessitam sempre de abordagens de vários profissionais da saúde", orienta. Sandra explica que a homeopatia não é um tratamento alternativo. É uma medicina que possui em si própria recursos surpreendentes.

"É possível, por meio da homeopatia, ter 100% de cura, mas o médico homeopata terá de acertar um medicamento que é conhecido entre nós como 'Simillimum', ou seja, um medicamento que seja 100% adaptado para a doença em questão. Posso adiantar que não é algo fácil de se fazer, pois dependemos totalmente do depoimento do paciente, dele se abrir, se observar e confiar no homeopata; depois, há a necessidade do homeopata entender e conhecer qual remédio se adapta ao quadro, e, por último, do remédio que o paciente necessita já ter sido estudado e constar da nossa Matéria Médica. Mas sempre há um medicamento mais ou menos adaptado e que ajuda muito o paciente", esclarece. 

Outro recurso à disposição das pacientes com endometriose é a osteopatia. O fisioterapeuta osteopata Bruno Homem de Mello explica que existe um ramo na osteopatia que é a osteopatia visceral, que considera que para um órgão estar saudável ele tem de ter movimento livre. "As inflamações de repetição que ocorrem na endometriose, e a própria cirurgia para endometriose, geram aderências que levam à perda desse movimento, gerando dor e mau funcionamento nas vísceras", conta.

Segundo o especialista, ao iniciar o tratamento, algumas pacientes já relatam melhora na primeira sessão, mas seis sessões são indicadas para se obter uma resultado melhor. "Os principais efeitos da manipulação visceral são: eliminação do espasmo reflexo da musculatura lisa do trato visceral; e estiramento das fáscias com o fim de liberar as aderências e dar elasticidade e liberdade de movimento, reduzindo assim a dor e restabelecendo a função das vísceras", informa. 

Praticar ioga e outros exercícios físicos, fazer fisioterapia, evitar o tabagismo e adotar uma dieta coerente com as necessidades individuais também são medidas importantes para a mulher vítima de endometriose. "Algumas recomendações são reduzir o uso de óleos hidrogenados - óleo de coco extravirgem é uma boa opção -,trocar o sal comum por sal mineralizado, bem como evitar adoçantes, temperos prontos e sucos de caixinha", orienta Marco Aurelio Pinho de Oliveira. "Além disso, é interessante priorizar alimentos que minimizam a resposta inflamatória, como hortaliças, carnes magras, ovos, abacate, limão, uva e goiaba", explica.

 

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