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Diário da Região

11/10/2015 - 01h50min

Livros do Bem

Bem-Estar traz dicas de livros desta semana

Livros do Bem

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A revista Bem-Estar traz todos os domingos, dicas de livros para os amantes da leitura. Confiram!

 

 

dica livro_lugares escuros

 

 

Lugares Escuros

Gillian Flyn
416 páginas
Intrínseca
R$ 39,90

Libby Day tinha 7 anos quando testemunhou o assassinato da mãe e das duas irmãs. O acusado do crime foi seu irmão mais velho, que acabou condenado à prisão perpétua. Desde aquele dia, Libby passou a viver sem rumo. Mas, 24 anos depois, quando é procurada por um grupo de pessoas convencidas da inocência de seu irmão, ela começa a se fazer as perguntas que até então nunca ousara formular. Gillian Flynn intercala a trajetória detetivesca de Libby com flashbacks dos acontecimentos do dia dos crimes com tanta habilidade que o leitor é levado a diferentes direções. Lugares escuros não só mostram como a memória é passível de falhas, mas também evidenciam as mentiras que uma criança pode contar a si mesma para superar um trauma.

 

 

 

 

 

dica livro_NA PELE DE UMA JIHADISTA
 

 

 

Na pele de uma Jihadista

Anna Erelle
208 páginas
Editora Paralela
Tradução: Eduardo Brandão e Dorothée de Bruchard
R$ 29,90

A jovem e frágil Mélodie, recém-convertida ao islamismo, conhece, no Facebook, Bilel, integrante de alto escalão do Estado Islâmico e braço direito de Abu Bakr al-Baghdadi, um dos terroristas mais perigosos do mundo. Após somente dois dias de conversas por Skype, ele já se declara "apaixonado". Mais do que isso: pede Mélodie em casamento, instigando-a a juntar-se a ele na Síria para viverem juntos uma vida idílica, repleta de riquezas materiais e espirituais. Mas o que Bilel não sabe é que Mélodie não existe fora do mundo virtual. Ela é, na verdade, Anna Erelle, uma jovem repórter parisiense que investiga as redes de recrutamento de grupos terroristas e suas propagandas digitais. 

 

 

 

 

 

‘Antologia Poética’, de Cecília Meireles

 

dica livros_patricia Buzzini Patrícia Buzzini, Tradutora e Doutora em Estudos Linguísticos pela Unesp

por Patrícia Buzzini

Há muitas maneiras de fazer-se uma antologia, pode-se usar o critério estético ou didático, dependendo do objetivo que se tenha em mente. De acordo com Cecília Meireles (1963), "a melhor antologia é a que ele mesmo organiza, ao eleger, na obra completa de um escritor, aquilo que mais lhe agrada, embora, com o passar do tempo, se possa ver como o gosto varia [...]tão volúveis somos em nossas preferências e tão diferentes as perspectivas, no caminho da nossa evolução." 

Por essa razão, consideramos "Antologia poética" (2013) uma obra singular, pois abarca poemas escolhidos pela própria Cecília Meireles e ainda conta com um prefácio sobre a primeira edição. Percorrendo as diferentes fases poéticas da autora, a seleção concentra-se em livros fundamentais e expressivos como "Viagem", "Vaga música", "Mar absoluto", "Retrato natural", "Amor em Leonoreta", "Doze noturnos da Holanda", "O Aeronauta", "Pequeno oratório de Santa Clara", "Canções", "Metal rosicler" e "Poemas escritos na Índia". Agregam-se, também, alguns poemas de "Romanceiro da Inconfidência", uma obra de arte sobre o movimento que se tornou um dos símbolos de nossa nacionalidade.

Nascida no Rio de Janeiro, Cecília Benevides de Carvalho Meireles foi professora, jornalista, cronista, ensaísta e autora de literatura infanto-juvenil. Poemas como "Motivo" e "Retrato" ficaram tão populares que lhe renderam a honra de ser considerada uma das escritoras brasileiras mais amadas pelo público. No entanto, sua biografia revela que nem tudo foram flores. 

Desce cedo, Cecília precisou enfrentar os abismos emocionais decorrentes de uma série de catástrofes que lhe ocorreram ao longo da vida: primeiramente, a morte do pai, seguida do falecimento dos três irmãos mais velhos, a perda de sua mãe e, mais tarde, o inesperado suicídio de seu primeiro marido. Acredita-se que essa intimidade com a morte seja uma das razões para o profundo - e paradoxalmente delicado - sentimento de "transitoriedade" impresso em suas obras, também chamado de poética "das alturas" por Manuel Bandeira. Para aguçar a curiosidade de todos, segue um poema retirado desta antologia ("Mar absoluto", p. 75): 


LEVEZA

Leve é o pássaro
e a sua sombra voante
mais leve.
E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.

 

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