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Diário da Região

10/07/2016 - 00h00min

Saúde

Apertar os dentes repetidas vezes pode ser sinal de bruxismo

Saúde

Eloisa Mattos/Divulgação Zilda Menegatti recebe atendimento de Luciana Secches, especialista em DTM. Há um ano, esteticista passou a sentir fortes dores de cabeça,
nos dentes e na região maxilar. Diagnosticada com bruxismo, passou a usar placa interoclusal e o alívio foi quase que imediato. (Foto: Eloisa Mattos/Divulgação)
Zilda Menegatti recebe atendimento de Luciana Secches, especialista em DTM. Há um ano, esteticista passou a sentir fortes dores de cabeça, nos dentes e na região maxilar. Diagnosticada com bruxismo, passou a usar placa interoclusal e o alívio foi quase que imediato. (Foto: Eloisa Mattos/Divulgação)

Recente pesquisa da Faculdade de Odontologia da USP de Ribeirão Preto revela que o bruxismo do sono causa diminuição da atividade elétrica dos músculos mastigatórios. Com isso, a qualidade de vida de quem sofre com o problema também tem significativa piora, já que, com o sono ruim, o número de vezes que a pessoa desperta durante a noite aumenta. 

Alan Henrique Trimboli, especialista em cirurgia crânio-maxilo-facial do Hospital Santa Catarina (SP), explica que, embora atinja pessoas de todas as idades, o bruxismo é mais comum em pessoas de 15 a 40 anos. “Estimativas revelam que cerca de 30 milhões de brasileiros desenvolvem o problema do sono”, alerta. 

A professora do curso de Odontologia da Universidade Cruzeiro do Sul, Adriana Oliveira Lira Ortega, explica que o bruxismo pode ocorrer durante o sono ou durante a vigília (acordado).

“No bruxismo do sono, pesquisas apontam componente genético e algumas condições ambientais, como apneia do sono, obstruções de vias aéreas por quadros infecciosos, refluxo gastroesofágico, uso de algumas medicações, ambiente do sono, bem como certas doenças neurológicas. No bruxismo da vigília, fatores emocionais como ansiedade, além de concentração, estão diretamente relacionados ao hábito de encostar ou apertar os dentes”, diz. 

Disfunção da ATM

Segundo Rodrigo Almeida da Costa, dentista do Hapvida, em São Paulo, antes dos seis anos de idade, o bruxismo é considerado fisiológico, porque antes da erupção dos primeiros molares – por uma tentativa de busca de equilíbrio na mordida, já que alguns dentes ficam com tamanhos diferentes –, a mandíbula se movimenta principalmente em lateralidade em busca de um ponto de apoio.
“É importante ficar atento caso a criança apresente dores na face e mandíbula e também dores de cabeça, pois esses sintomas fogem da normalidade do bruxismo fisiológico da idade e requerem tratamento”, explica o especialista, que ainda reforça: “O bruxismo pode resultar em problemas mais sérios, como a síndrome da articulação têmporo-mandibular (ATM) ou disfunção da ATM, estrutura que conecta a mandíbula aos ossos temporais do crânio. A desordem na ATM ocasiona a impossibilidade do funcionamento dessa estrutura muscular, sendo que o estalido é o indicativo dessa disfunção e ocorre quando o disco articular se desloca de sua posição fisiológica”, diz.

Efeitos da vida moderna

Juliana Rossi, especialista em dentística e implantodontia, de São Paulo,  alerta para o porquê de crianças a adolescentes serem mais afetados pela disfunção da ATM. “Por alguns motivos: alimentação diferente de tempos atrás, ausência muitas vezes do aleitamento materno, alimentos mais pastosos – portanto, falta de estímulo para o crescimento ósseo, causando má oclusão... Além disso, elas acumulam atividades: escola, aula de línguas, atividades físicas, excesso de compromissos, gerando um estresse para o qual muitas vezes não estão prontas para lidar com isso. Outro agravante é a posição da cervical (pescoço), visto que cada dia mais ficam seguidas horas nos smartphones, o que altera o bom posicionamento da articulação.” 

Luciana Secches, especialista em disfunção têmporo-mandibular (DTM) e dor crâniofacial, de Rio Preto, explica que o bruxismo do sono pode levar à perda dos dentes. “Isso se deve ao fato de que esses pacientes chegam a desenvolver 'cargas de apertamento' de quase 500 quilos e, muitas vezes, os dentes ou as restaurações não suportam a pressão e quebram”, diz ela, que continua: “Em nível de comparação, a força de apertamento exercida pela mastigação de um alimento chega aos 25 quilos, e pela deglutição, a 30 quilos.” 
Sabe-se também, segundo Luciana, que os episódios de bruxismo do sono têm, em média, uma duração de 8 segundos e se repetem até seis vezes por hora. “Assim, pode se imaginar o quanto é frequente a perda de dentes ou mobilidade dental provocada por este distúrbio”, alerta.

Placa resolveu problema de esteticista

Há um ano, a esteticista Zilda Lulho Menegatti, 55 anos, começou a sentir dores fortes de cabeça ao acordar, seguidas por dores nos dentes e na região maxilar. “Primeiro eu sentia só dores de cabeça, depois, quando elas vieram seguidas por dores nos dentes e no maxilar fui logo procurar um dentista e fui diagnosticada com bruxismo”, relembra.
Há 6 meses, Zilda passou a usar placa interoclusal e o alívio foi quase que imediato. “Não tive problema em adaptação e desde o início a placa me trouxe conforto. Não sei te dizer exatamente quando as dores cessaram, talvez há dois meses, mas o mais importante é que com o uso da placa eu passei a ter consciência dos meus momentos de maior tensão, o que influencia muito no bruxismo. Basta eu estar tensa para travar. Então, passei a me policiar”, conta.
Zilda não questionou a especialista por quanto tempo terá de usar a placa, mas garante que, se depender dela, e do bem-estar que sente hoje, usará para sempre.

Identifique os sintomas

- O desgaste dos dentes é o sinal mais aparente da disfunção, porém pode ser antecedido ou acontecer junto com outros sintomas, tais como a sensibilidade dentinária, retração gengival, fadiga muscular (dor nos músculos da face, cabeça e pescoço), dores de cabeça (enxaquecas ), dor e estalidos na ATM durante a abertura e fechamento da boca ou na mastigação

Controle

- Adriana Oliveira Lira Ortega explica que não existe um tratamento, mas sim o controle do bruxismo. “A palavra tratamento traz consigo a ideia de que a condição será totalmente sanada, e isso não acontece na maioria dos casos. O que o cirurgião dentista precisa fazer, primeiramente, é o diagnóstico do tipo de bruxismo (se do sono e/ou vigília) e do seu fator causal, que pode ser primário ou secundário. Profissionais de outras áreas, como médicos e psicólogos, podem estar envolvidos na abordagem deste paciente”, afirma.

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