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Diário da Região

06/11/2015 - 00h00min

A vida continua...

A visão do espiritismo sobre o ato extremo de colocar um fim à vida

A vida continua...

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Não é fácil lidar ou mesmo entender o suicídio, assunto que costuma despertar as mais diferentes emoções, que vão do medo à raiva, e uma série de ideias preconcebidas que se transformam em preconceito e discriminação, atingindo tanto a família do suicida quanto sua memória. Some a isso razões de natureza religiosa, que causam desconforto moral aos que ficam. Mas o fato faz parte da realidade mundial e não pode ser ignorado. 

Segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano no mundo, número superior ao das guerras. Isso representa uma morte a cada 40 segundos. E para cada caso fatal há pelo menos outras 20 tentativas fracassadas. De acordo com o mesmo relatório, o Brasil é o oitavo país com mais casos de suicídio. São em média 25 por dia. Em 2012, foram registradas 11.821 ocorrências. 

É uma das três principais causas de morte entre jovens e adultos no mundo. Problemas, decepções, sofrimentos com a perda de um ente querido e a imaginação da morte como o término de tudo são fatores que levam muitas pessoas a desejar colocar fim à sua própria existência. Um dos caminhos para tentar evitar o ato extremo é buscar compreender a imortalidade da alma e a reencarnação como leis naturais, o que, segundo especialistas, ajuda a ter um novo entendimento sobre vida e morte.

“Quando algo trágico nos acontece, a princípio pode parecer que é uma dor, mas quando mudamos o significado, o entendimento do que acontece, procurando enxergar através de novas leis, o sofrimento vai diminuindo até se transformar em aprendizado”, diz o médico psiquiatra e dirigente espírita Ururahy Botosi Barroso.

A lei do amor

"O espiritismo não proíbe, nem condena nenhuma escolha, pois não se trata de religião, muito menos de dogmas, mas sim da descoberta de um conjunto de leis espirituais que regem a vida, tendo como lei número um o amor. Somos regidos pela lei do amor e não pela lei da dor”, diz o psiquiatra Ururahy Barroso. Não se trata de lei de ação e reação - pois isso seria dente por dente, olho por olho -, e sim de causa e efeito, continua Barroso. 

“Dizer que estão sofrendo no 'vale dos suicidas' é desconhecer as leis naturais de amor que regem as nossas escolhas. Será que reencontraram os entes queridos? Talvez não. Será que estão em paz? Talvez não. Será que estão sendo amparados pelos espíritos sábios e felizes no mundo espiritual? Com certeza. O melhor é entender que a lei é de amor. O amor absoluto se manifesta em leis perfeitas mesmo que ainda pouco entendidas por nós, seres ainda imperfeitos”, explica Barroso.

E depois?

Segundo o dirigente espírita Eurípides Alves da Silva, Emmanuel, mentor espiritual do médium Chico Xavier, esclarece que a primeira decepção que aguarda os suicidas no além-túmulo é descobrirem-se vivos, uma vez que seus sentimentos não se extinguem com a morte do corpo físico. Os suicidas não conseguiriam, no outro plano, fugir dos mesmos padecimentos físicos que os fizeram buscar tal decisão. 

“Uma das mais funestas ilusões do ser humano é imaginar que a morte do corpo põe fim à sua consciência e personalidade. Quando não - acreditando na vida futura - é imaginar que no outro mundo, inevitavelmente, vai se encontrar com as pessoas de sua afeição. Nisto tudo, talvez, resida a convicção das pobres criaturas que buscam o suicídio como meio de interromper suas dores e infortúnios”, diz Eurípides da Silva. 

“Para os espíritas, em nenhuma hipótese o suicídio representa alívio ou solução para os problemas. Pelo contrário, agrava-se a situação de quem, pelos mais variados motivos, malbaratou a oportunidade de aproveitar a existência para avançar na senda evolutiva. Para os que acreditam em reencarnação não existem penas eternas. Mas o período de desequilíbrio que sucede o autoextermínio pode ser mais ou menos longo e invariavelmente doloroso”, explica André Trigueiro no livro “Viver é a Melhor Opção”.

Há sentido na vida

Allan Kardec, codificador da doutrina espírita, ao falar sobre o suicídio e a loucura no livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, afirma que “a incredulidade, a simples dúvida quanto ao futuro, as ideias materialistas, em uma palavra, são os maiores incentivadores do suicídio: elas produzem a frouxidão moral”. Mas em que se baseiam as afirmações de Kardec? Segundo o espiritismo, somos espíritos imortais, criados por Deus para a plenitude de nossas expressões de inteligência e emotividade. 

Vivemos transitoriamente encarnados em um corpo físico. Ao deixar de viver neste mundo, atravessamos a fronteira que nos separa do outro mundo, o espiritual, que é a nossa pátria de origem. O espiritismo explica ainda que diversas experiências pelas quais passamos fazem parte do nosso aprendizado e das correções de rumo necessárias. Em “O Livro dos Espíritos”, Kardec defende que a morte é apenas a destruição do corpo; que o envoltório que reveste o espírito, um outro corpo, sobrevive à destruição do corpo físico. 

O que do ponto de vista meramente orgânico é visto como fim, na visão espírita é tido como etapa de transição entre duas dimensões de vida. Ao nascer, traríamos uma programação, um roteiro a ser cumprido. O modo como vivemos também poderia nos abreviar a vida, o que nos tornaria responsáveis e sujeitos às consequências. Se vamos conseguir permanecer encarnados durante este período previamente demarcado é outra história. A vida após a vida, segundo ainda a doutrina, não é um processo de erro e castigo, mas de educação voluntária e consciente do espírito.

“Há um sentido para a vida, uma razão para estarmos aqui, e os eventuais problemas que todos nós, sem exceção, enfrentamos oferecem preciosas oportunidades de crescimento e de evolução espiritual”, diz o jornalista e professor André Trigueiro no livro “Viver é a Melhor Opção”. Por mais dolorosa que seja uma determinada situação, temos condições de superá-la. “A aflição e o desespero nos impedem de enxergar uma realidade inexorável da vida: tudo passa”, reforça. 

Diferentes olhares do cinema

Cinco filmes que abordam o suicídio
 
 
Filme Duplo Suicídio em Amijima - 06112015

Duplo Suicídio em Amijima (Masahiro Shinoda, 1969)

A história de amor de um comerciante de papel por uma gueixa. Ela, visada pelo mais rico comerciante local, precisa do dinheiro dos clientes para sustentar a mãe, que morre de fome no interior. Ele, casado e com dois filhos, não vê outra maneira de consumar seu amor - uma vez que não tem como sustentar a gueixa - a não ser pela morte. Propõe à amada o duplo suicídio na ponte. Ela concorda

 

 

 

 

 

Filme Gente como a gente - 06112015

 

Gente Como a Gente (Robert Redford, 1980)

A morte prematura em um acidente de um dos filhos de uma família de classe média alta acaba afetando a todos, principalmente o irmão da vítima, que se considera responsável pelo ocorrido e está em tratamento psiquiátrico. No entanto, a mãe faz questão de manter as aparências, para não dar a entender que a unidade familiar foi quebrada

 

 

 

 

 

Filme Amor Além da Vida - 06112015

Amor Além da Vida (Vincent Ward, 1998)

Chris Nielsen (Robin Williams), Annie (Annabella Sciorra), sua esposa, e os filhos do casal formam uma família feliz. Mas os jovens morrem em um acidente e o casal é bastante afetado, principalmente Annie. No entanto, eles superam a morte dos filhos e conseguem levar suas vidas adiante, mas quatro anos depois é a vez de Chris morrer em um acidente e ser mandado para o Paraíso. 

Não um céu com arcanjos e harpas, pois lá cada um tem seu universo particular, e o dele é uma pintura (sua mulher coordenava uma galeria de arte). Enquanto tenta entender o Paraíso, Chris fica sabendo que Annie, dominada pela dor, comete suicídio. Assim, ele nunca poderá encontrá-la, pois os suicidas seriam mandados para outro lugar. Mesmo assim, decide tentar achá-la, apesar de ser avisado que mesmo que a encontre, ela nunca o reconhecerá

 

 

 

 

 

Filme As Virgens Suicidas - 06112015

As Virgens Suicidas (Sofia Coppola, 1999)

O filme enfoca os Lisbon, uma família próspera que vive num bairro de classe média de Michigan. O Sr. Lisbon (James Woods) é um professor de matemática e sua esposa é uma rigorosa religiosa, mãe de cinco atraentes adolescentes, que atraem a atenção dos rapazes da região. Porém, quando Cecília (Hanna Hall), de 13 anos, comete suicídio, as relações familiares se decompõem rumo ao isolamento e à superproteção das demais filhas, que não podem mais ter qualquer tipo de interação social com rapazes

 

 

 

 

 

Filme Garota Interrompida - 06112015

 

Garota, Interrompida (James Mangold, 1999)

Em 1967, após uma sessão com um psicanalista que nunca havia visto antes, Susanna Kaysen foi diagnosticada como vítima de “ordem incerta de personalidade” – uma aflição com sintomas tão ambíguos que qualquer garota adolescente pode ser enquadrada. Enviada a um hospital psiquiátrico, onde viveu durante dois anos, ela conhece um novo mundo, de jovens garotas sedutoras e transtornadas

 

 

 

 

 

 

 

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