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Diário da Região

22/11/2015 - 00h37min

Turismo

50 Tons de azul

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Agência O Globo Passeio de verão leva turistas para bem pertinho dos blocos de gelo
Passeio de verão leva turistas para bem pertinho dos blocos de gelo

Com uma paisagem que reúne a imponência da Cordilheira dos Andes e a delicadeza do azul-turquesa do Lago Argentino, El Calafate é daqueles lugares que fazem qualquer um esquecer a vida para contemplar a natureza. Localizada na Patagônia argentina e separada da agitação de Buenos Aires por um voo de três horas, a cidade é o destino para quem quer ser surpreendido por cenários exuberantes, ficar a poucos metros das geleiras e até andar sobre elas.

Apesar de os preços no destino ficarem acima da média da região, vale a pena considerá-lo mesmo na alta temporada, quando a temperatura é mais amena, ficando, em média, entre 5°C e 20°C. Com cerca de 22 mil habitantes, 80% deles dedicados a atender os turistas, El Calafate é uma cidade tranquila da província de Santa Cruz, próxima da fronteira com o Chile. 

Tem natureza preservada e passeios que se revezam durante todo o ano - alguns funcionam mais com a proximidade do verão, e outros quando se acerca o inverno - e servem a todo tipo de público, de crianças a idosos, para os que querem tranquilidade e também para os que preferem aventura.

Navegar é preciso

É ao navegar pelo Lago Argentino que se veem os maiores atrativos de El Calafate: as geleiras. No cruzeiro gourmet de um dia da Marpatag - empresa que tem a concessão do governo para esse tipo de passeio com capacidade para 28 pessoas -, o visitante se delicia com pratos da região enquanto o barco percorre o braço norte do lago em direção a geleiras como a de Upsala, a que mais encolhe entre todas as do Parque Nacional Los Glaciares, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, no ano de 1981.

É da Upsala que caem os imensos pedaços de gelo que flutuam pelo Lago Argentino e são avistados ao se navegar por ali. Nos meses finais do ano, há até passeios de caiaque bem próximo desses icebergs. A temporada de canoagem na região começou agora em novembro e se estenderá até o mês de março. Por segurança, o barco não pode chegar perto demais dela. Quem, no entanto, ouve e vê os blocos de gelo despencando durante o passeio, fica boquiaberto.

E é ao chegar a 300 metros da geleira Spegazzini - que é mais estável e por isso permite maior proximidade - que os visitantes ficam ainda mais maravilhados. É a oportunidade de estar diante de um paredão de gelo. Entre uma e outra beleza da natureza, aqueles que optam por navegar pelas águas gélidas do Lago Argentino são brindados com duas entradas: empanadas de carne com salsa criolla (pimentões amarelos, cebola roxa, coentro e tomate) e um prato com salmão grelhado e tomate cereja envolto em salmão defumado com geleia de calafate, juntamente com patê de salmão e de ervas. Como prato principal, cordeiro cozido com champignons e chips de batata-doce. Tudo devidamente acompanhado de vinho argentino. De sobremesa, creme de Amarula com chocolate amargo e amêndoas caramelizadas. O cardápio servido a bordo varia de acordo com a época do ano.

A única parada é feita no Puesto de las Vacas, onde há uma casa abandonada. Nela, moraram um finlandês e sua família. Nesse ponto, mais uma vez, o turista pode contemplar mais uma faceta da paisagem patagônica: o contraste da faixa de pedras escuras e a tonalidade, agora mais esverdeada, do lago. O barco sai do Porto privado La Soledad e para quem quer conhecer mais geleiras, há o roteiro Santa Cruz, três dias e duas noites em um barco maior. 

A imensidão do lago

Em um dos passeios, que duram meio dia e podem ser feitos por pessoas de todas as idades, o de 4x4, os visitantes são conduzidos de carro por estâncias da região com uma vista privilegiada para a imensidão do Lago Argentino, que tem 1.565 quilômetros quadrados e é o maior do país. Bem próximo às suas margens, é feita a primeira parada do passeio. Os menos sensíveis ao frio podem colocar a mão no lago e sentir a temperatura da água, que varia de 2°C a 6°C, dependendo da época do ano. É também aí que pode ser conferida de perto a tonalidade e a aparência turva do lago, um fenômeno que acontece porque as águas recebem minerais das montanhas e geleiras da região.

Durante o caminho, totalmente off-road, é possível avistar os calafates, a planta que deu nome à cidade e, quem tiver sorte, consegue ver e fotografar os animais que vivem por ali, como lebres e raposas. A parada final antes do retorno é feita num ponto de apoio. Aí, é hora de se divertir com uma tirolesa de 100 metros de extensão e se deliciar com a carne criolla assada (temperada com pimentão e cebolas roxas) colocada dentro do pão. Quem faz o passeio da tarde é recebido com um lanche. 

Conexão com a montanha

O passeio indispensável em El Calafate é a caminhada até Perito Moreno, a terceira maior geleira do Parque Nacional e a mais conhecida entre as 356 da região: é, também, a mais acessível. Ali é possível fazer um minitrekking - entre setembro e maio, com pessoas de 10 a 65 anos. Os carros das empresas de turismo buscam os visitantes nos hotéis, e os levam até o Porto Bajo Las Sombras, a 75 quilômetros de El Calafate, de onde sai o barco para a geleira de 60 metros de altura. No caminho de carro, é hora de apreciar as montanhas cobertas de neve - na região, neva 250 dias por ano.

Antes de iniciar a caminhada para valer, os turistas recebem dos guias informações sobre a geleira e indicações de como será a jornada. Para o passeio, devem ser usadas luvas e todos recebem os chamados grampones, uma peça de metal que é amarrada nos sapatos embaixo do solado. Assim, fica mais fácil caminhar sobre o gelo. Nesse passeio, que dura cerca de uma hora e meia, é importante estar bem agasalhado. Venta muito em El Calafate e no Parque Nacional. São justamente esses ventos que permitem a formação das geleiras. Depois do minitrekking, é a vez de ir para as passarelas que levam o turista a um local com visão privilegiada de Perito Moreno e de onde se pode observar o gelo que acabou de cair.

O processo que faz a região da Patagônica ter tantas geleiras pode ser entendido no Glaciarium, centro de interpretação de geleiras, a 6km de El Calafate. Lá, os visitantes aprendem que nenhum floco de neve é igual ao outro e que, como impressão digital, cada um tem a sua forma. Após entender mais sobre a formação das geleiras, uma parte do museu mostra como as atitudes do homem ameaçam o ecossistema. 

Nesse corredor, fica evidente como queimadas e desmatamentos causam o aumento de desastres naturais. E também se ouvem, ao mesmo tempo, várias notícias sobre as destruições e uma bomba-relógio prestes a explodir. No subsolo do museu está o Bar de Gelo, onde tudo é de gelo, do balcão e bancos ao copo onde são servidas bebidas alcoólicas e não alcoólicas. Para suportar a temperatura ambiente de 10°C negativos durante os 25 minutos que duram a visita, todos recebem capa e luvas térmicas.

Festa do lago

Aberto de abril a setembro, o Parque de Neve (Calafate Mountain Park) é a opção para quem quer se divertir com os esportes no gelo. Chega-se ao Cerro Huyliche por meio de um teleférico que dá uma ampla visão dos contrastes do azul celeste do céu, o azul-turquesa do Lago Argentino e a vegetação rasteira de El Calafate. No Parque de Neve, o visitante pode escolher entre várias atividades - do esqui à moto de neve. Quando o Parque de Neve está fechado, rafting e mountain bike são opções de diversão.

Quem quiser um prato típico de El Calafate deve provar o cordeiro assado em um dos restaurantes da via. De sobremesa, a pedida é o sorvete de calafate, uma fruta roxa que dá na árvore de mesmo nome e que é da mesma família do mirtilo e da amora. Essa gastronomia e, principalmente, as vistas dos paredões de gelo, fazem de El Calafate um destino único, escolhido por cerca de 500 mil pessoas por ano. Não à toa, é também o refúgio da presidente da Argentina, Cristina Kirchner. El Calafate quer ser mais do que o local de descanso da presidente e trabalha para ser a opção de cada vez mais turistas. 


SERVIÇO:

Passeios:

Minitrekking na Geleira Perito Moreno: Para pessoas de 10 a 65 anos. Saída às 9h, volta, às 17h. 750 pesos argentinos (ARS) ou R$ 300. trekkingdelglaciar.com

Cruzeiro Experiência Gourmet: O barco sai do porto privado La Soledad às 9h e retorna por volta de 18h. ARS 2.200 (R$ 875). Transfer até o porto: ARS 300 (R$ 120). crucerosmarpatag.com.

4x4: Há duas saídas por dia (às 9h, com retorno às 14h; outra às 16h, voltando às 21h). ARS 850 (R$ 337). patagoniaprofunda.com

Caiaque: O passeio Upsala Kaiak Experience, com transfer, custa ARS 4.050 (R$ 1.600). calafatemountainpark.com

Glaciarium: Aberto diariamente, das 9h às 20h. Ingressos: ARS 200 (R$ 80) e ARS 100 (R$ 40), até 12 anos. Ruta 11, Km 6. glaciarium.com
Bar de Gelo: Abre das 11h às 19h. t  Ingresso: ARS 140 (R$ 56) e ARS 80 (R$ 32) para menores de 16 anos.

Observação - Os valores dos passeios e atrações estão sujeitos a alteração.
 
Onde comer:

La Tablita: Calle Coronel Rosales 28.
Casimiro Bigua: Avenida del Libertador 993.
La Marca: Calle Jose Pantin 64.
La Lechuza: Avenida del Libertador 932.
 
Onde ficar

Alto Calafate: Diárias a US$ 373. V. P. Los Glaciares. hotelaltocalafate.com.ar

Posada Los Alamos: Diárias a US$ 210. Calle Ing. H. M. Guatti 1.350. posadalosalamos.com

Sierra Nevada: Diárias a US$ 109. Av. Libertador 1.888. sierranevada.com.ar

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