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Diário da Região

06/02/2015 - 20h15min

São Paulo e Belo Horizonte

'Barusco só fala de mim e do PT', critica Vaccari

São Paulo e Belo Horizonte


O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, tentou desqualificar nesta sexta-feira, 6, os depoimentos do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco em delação premiada ao Ministério Público Federal que o acusam de ter recebido cerca de US$ 200 milhões em propinas para o PT entre 2003 e 2013. "Ele está há dezesseis anos na Petrobras e só fala de mim e do PT", afirmou o tesoureiro no hotel onde estão hospedados os dirigentes petistas que vão para festa de aniversário de 35 anos da sigla em Belo Horizonte.

A manifestação do tesoureiro ocorre um dia depois de ele ser levado à sede da Polícia Federal em São Paulo para prestar depoimento na nona etapa da Operação Lava Jato. Vaccari é acusado de ter operado para o PT no esquema de pagamento de propinas da estatal petrolífera investigado na operação.

Segundo Barusco, o petista ficava com metade do 1% das propinas que eram pagas nos contratos da diretoria de Abastecimento da Petrobrás, comandada por Renato Duque, que também está na mira da Lava Jato. Ele também mencionou que Vaccari ficava com parcelas das propinas cobradas em outras diretorias, como a de Gás e Energia, que chegou a ser controlada pela ex-presidente da estatal, Graça Foster. Segundo o ex-gerente, a soma de dinheiro desviado pelo petista em um total de 90 contratos ao longo de 10 anos chegou a US$ 200 milhões.

Na delação que cita a quantia que teria sido desviada pelo Partido dos Trabalhadores, Pedro Barusco também menciona que recebia propina desde 1997, no primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Repercussão

O teor do depoimento de Barusco, divulgado nessa quinta-feira, 5, dividiu os dirigentes petistas que estão reunidos na capital mineira para as comemorações do aniversário da sigla. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo relatos, defendeu o tesoureiro do partido e comparou as denúncias investigadas pela Operação Lava Jato ao episódio do mensalão. Para o petista, há uma tentativa de "criminalizar" a legenda. "Na dúvida, eu fico com o companheiro", afirmou.

O ex-ministro da Justiça e da Educação, Tarso Genro, por sua vez, voltou a defender uma "renovação profunda" na legenda e que o PT faça uma investigação própria sobre o escândalo da Petrobras por meio de uma análise dos autos da Lava Jato. Segundo ele, isso não significa uma posição contrária ao tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, mas, ao contrário, pode ser uma chance para reforçar a defesa do tesoureiro.

Já os integrantes da corrente Mensagem, da qual fazem parte os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Miguel Rossetto (Secretaria Geral da Presidência) e Pepe Vargas (Relações Institucionais) se reuniu nesta manhã e decidiu que vai se posicionar contra qualquer tentativa de desagravo ao tesoureiro do partido.

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