Diário da Região

01/05/2015 - 00h48min

Marinho

O drama de um ídolo do América

Marinho

Reprodução do blog Impressão Digital/Divulgação Marinho chegou a morar no alojamento do estádio Moça Bonita, campo do Bangu, no Rio de Janeiro
Marinho chegou a morar no alojamento do estádio Moça Bonita, campo do Bangu, no Rio de Janeiro

Zico, Cláudio Adão, Paulo César Caju, Mauro Galvão e uma lista de personalidades do futebol querem ajudar Marinho. A torcida do América de Rio Preto, ao saber da triste situação de um dos seus maiores ídolos, ficará sensibilizada. A vida de Marinho, ponta-direita do América, Bangu, Botafogo-RJ e da Seleção Brasileira, está por um fio depois de muitos anos de drogas e bebidas. 

Eleito o melhor jogador do Brasileirão de 1985, Marinho despontou no América em 1979 e ficou no clube até 1982. Voltou a vestir a camisa do Rubro em 1991. "O Marinho era um dos melhores atacantes do Brasil. Um jogador muito rápido, driblava demais e inteligente em campo", recorda Jorge Lima, ex-zagueiro do América. Marinho só não teve inteligência fora das quatro linhas. 

No auge comprou casa com piscina e desfilou em carros importados. Perdeu tudo com bebida e cocaína. No final do ano passado, depois de abusar da droga, Marinho teve um princípio de infarto. O filho Steve Wonder, que nasceu em Rio Preto e hoje é atacante do América-RJ, foi quem resgatou o pai. Sem um teto, Marinho morava no alojamento do estádio Moça Bonita, do Bangu. "Eu sou muito grato ao Bangu, porque acolheu o meu pai. 

Mas ele morava sozinho, apenas bebia e não tinha apetite para se alimentar. Ele estava alegre, brincalhão como sempre, mas uma semana depois, quando fui visitá-lo, encontrei ele abatido, desnutrido, muito apático e não falava coisa com coisa", recorda Steve Wonder. "Fizemos todos os exames, tomografia e o álcool causou acúmulo de gordura no fígado e no rim, além afetar o sistema neurológico."

Marinho foi morar na casa da ex-mulher Laiza, com o filho Steve e a nora. O carinho da família e dos torcedores animaram o ex-craque. "Hoje, o meu pai está limpo e o mais importante: ele quer se recuperar. Esses dias, minha esposa e ele acompanhavam meu jogo pelo América e um torcedor ofereceu cerveja. Ele rejeitou. O médico recomendou não cortar a bebida de uma vez. Então, no máximo, dou uma cerveja sem álcool", conta o filho, orgulhoso de Marinho.

Marinho também recebe o apoio de amigos como Paulo César Caju, ex-Botafogo e que superou o vício da cocaína. "O Caju é muito preocupado com o Marinho e conseguiu gratuitamente uma clínica de recuperação caríssima e famosa no Rio de Janeiro, onde o tratamento custa R$ 6 mil por mês. Desde o princípio de infarto, após alguém ter dado algo para cheirar, o Marinho está com muito medo de morrer e consciente, fazendo de tudo para se recuperar", disse Bris Belga Cathala, ex-dirigente do Bangu.

 

Formações do América em 1980 Marinho em uma das formações do América em 1980. De pé, a partir da esquerda: Serginho Índio, Ademir Gomes, Jorge Lima, Berto, Mauro e Luis Fernando Calori; agachados, na mesma ordem: Marinho, Cléo, Luis Fernando Gaúcho, Marcelo e Cândido

Sempre de bom humor

A reportagem do Diário da Região conversou com Marinho por telefone. Além da habilidade com os pés, Marinho é conhecido pelo bom humor. Irreverente, brincava com a própria situação. "A minha geladeira está igual gaiola de passarinho, só tem água e jiló." Por telefone, ele mais queria perguntar do que responder. 

"Como está o América aí? Essa cidade é muito bonita, estou doido pra dar uma subida aí", disse Marinho. "América, Bangu e Botafogo são meus times favoritos", disse o ex-camisa 7 do Rubro. Questionado sobre o estado de saúde, Marinho emendou: "Eu estou bem, graças a Deus e ao meu filho Steve. Estou apaixonado", disse Marinho, com a voz embaraçada. 

Zico, Júnior e outros craques vão colaborar

A história do ex-jogador Marinho comoveu, entre os milhares de torcedores, Bris Belga Cathala. Ex-dirigente de Marinho no Bangu, Cathala organizou um jogo beneficente para o dia 23 de julho, às 19 horas, no estádio Odair Gama, na cidade de Três Rio-RJ. Foi justamente no Odair Gama onde Marinho encerrou a carreira, em 1992, com a camisa do Entrerriense na segunda divisão do Carioca.

Estrelas como Zico, Júnior, Nelinho, Mauro Galvão, Cláudio Adão e Paulo César Caju estarão em campo. "Ninguém vai cobrar cachê, e toda a renda será revertida para o Marinho", explicou Cathala. "Alugamos uma casa para o Marinho, para ele morar com o filho e ter mais liberdade. Esse imóvel passa por reforma. Hoje, ele mora na casa de sua ex-mulher, a Laiza, que tem sido uma pessoa fantástica", destacou Cathala.

Duas contas bancárias foram abertas, uma no Bradesco (conta corrente número 4821-6 da agência 6554) e outra na Caixa Econômica Federal (conta poupança 13.153-4 da agência 1411). Mais informações também podem ser obtidas pelo Facebook na página "Marinho Bola de Ouro". O ingresso para o evento beneficente custará R$ 10. Toda a arrecadação, segundo Cathala, será utiliza para quitar o aluguel da futura casa de Marinho, avaliado em R$ 500 por mês, e comprar mobília.

O evento irá reunir três times. Amigos da Seleção, com Júnior, Zico e Nelinho, o time Amigos do Bangu, com Cláudio Adão e Mauro Galvão, e a seleção de Três Rios, com Adílio. Marinho dará volta olímpica e promete, pelo menos, 15 minutos em campo. O estádio tem capacidade para 4 mil pessoas e a esperança do organizador é vê-lo lotado. "O valor do ingresso é baixo porque a nossa intenção é vê-lo cheio para que o Marinho dê volta olímpica e sinta o carinho de todos", disse Cathala. 

 

Tubá Tubá, de 73 anos, mora numa casa simples no bairro Boa Vista

Ex-zagueiro Tubá vive com R$ 900 por mês

Alguns ex-jogadores do América passam por dramas parecidos com o de Marinho. Tubá, um dos grandes zagueiros do América na década de 1960, também lida hoje com o esquecimento e problemas financeiros. Aos 73 anos, Tubá não conseguiu se aposentar, mora com os filhos e sobrevive com uma pensão de R$ 900 da esposa Maria Lordes Maldonado.

A "espanhola", como Tubá se refere a mulher, faz falta. Ela faleceu há cinco anos e, desde então, o baque do ex-zagueiro só aumentou. "Um casamento de 45 anos, quando acaba, deixa um vazio tremendo", disse Tubá. O amor pelo América, hoje na quarta divisão, ainda existe. "Faz tempo que não vou ao estádio, mas eu procuro saber e, infelizmente, tá lá embaixo", comentou Tubá. "Quando eu jogava, o América era muito respeitado. 

O povo sabe que eu parei o Pelé. Teve um jogo que ganhamos daquele Santos, com Pelé e todos, por 2 a 1. O Waltinho Rossetto fez os dois gols, e começou ser chamado de Pelé americano", recorda. Essa partida aconteceu no dia 5 de julho de 1964, no estádio Mário Alves Mendonça, em Rio Preto. O Santos abriu o placar aos 14 minutos, com Pelé. No segundo tempo, Waltinho empatou aos 27 e virou, aos 30 minutos.

Em agosto de 1965, Tubá sofreu uma grave lesão no menisco e no ligamento do joelho direito. Ele defendeu o América até o fim do seu contrato, em 1968. No ano seguinte, foi para o Fernandópolis e, em 1969, encerrou a carreira no Rio Preto. O futebol não era tão rentável, como hoje. Tubá, pelo menos, conseguiu comprar uma casa, onde reside hoje com os filhos Mauro Maldonado, impossibilitado de trabalho, a filha Lia e a neta Marina. 

"Na época eu ganhava um salário pequeno na carteira e o que dava dinheiro era o bicho", diz. O ex-jogador comenta que desde os 14 anos precisou cuidar da família. "Nunca guardei dinheiro", disse Tubá, que hoje teme perder o seu único patrimônio, a casa no bairro Boa Vista. "Desde quando comprei ainda não consegui fazer a escritura e tenho muitos impostos atrasados." 

 

Valô O ex-goleiro Valô sofreu com a morte de dois irmãos

Valô chegou a morar na rua

Ex-companheiro de Marinho no América entre 1979 e 1982, Álvaro Piotto, o ex-goleiro Valô, também se afundou no alcoolismo, chegou a morar em uma praça na Vila Maceno, em Rio Preto, e foi resgatado por amigos após reportagem publicada pelo Diário da Região, em 2012. Na ocasião, ao tomar conhecimento da situação, a diretoria do América, encabeçada por Dimas Macedo, ofereceu moradia no alojamento do Teixeirão e um emprego como preparador de goleiros nas categorias de base do Rubro. 

Três meses depois, Dimas Macedo deixou o América, rebaixado à Série A-3, e foi para o Catanduvense. Valô ficou sem emprego, voltou a perambular pelos bares e quase não dormia mais no Teixeirão. Assim como Marinho, que entrou de vez no mundo das drogas após a morte de um filho na piscina de sua própria casa no Rio de Janeiro, Valô sucumbiu à depressão assim que perdeu um irmão e uma irmã em menos de um ano. 

 

 


 

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