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Diário da Região

22/05/2016 - 00h00min

MEIO SÉCULO DE ADRENALINA

Clube de Paraquedismo de Rio Preto completa 50 anos de fundação

MEIO SÉCULO DE ADRENALINA

Arquivo Pessoal Salto duplo é uma das modalidades realizadas pelos praticantes
Salto duplo é uma das modalidades realizadas pelos praticantes

Meio século de saltos, competições e amizade. O Clube de Paraquedismo de Rio Preto comemorou, neste mês, 50 anos de existência. Fundado em 14 de maio de 1966, o hobby dos praticantes rendeu títulos. Três vezes campeã brasileira, a entidade representou o País no Campeonato Mundial de paraquedismo na Iugoslávia, em 1974.

Essa rica história nasceu no dia 14 de maio de 1966, com os amigos e fundadores Dalton Macedo Moreira, Hélio da Cruz Coelho, Hélio Rubens Galvão, Carlos Roberto Oliveira, Edgar Souza Freire, Walny Prota, José de Mendonça e Elisabeht Bernardo, a única mulher na época da fundação. Três anos depois, o clube já reunia 57 homens e 17 mulheres, que treinavam semanalmente, nas manhãs de sábado e domingo.

 

Arte - paraquedismo 01 - 22052016 clique na imagem para ampliar

Com a ajuda de Lotf João Bassitt, ex-prefeito de Rio Preto, e investimentos de alguns integrantes, o clube se equipou com modelos modernos, como o KAP3 - dispositivo que, se o paraquedista passar mal ou desmaiar, abre o paraquedas - e também o tcheco PTC-U-7. Todo esse aparato, aliado a paixão, fez o grupo viajar pelo mundo afora. 

Na Iugoslávia, a competição reuniu 31 países, e o título por equipe não veio, mas Isaac Egídio foi o melhor entre os latino-americanos. “Rússia e Estados Unidos eram muito fortes e dominaram as provas. A técnica deles é completamente diferente. Os russos faziam seis segundos, enquanto fazíamos em oito segundos”, conta Egídio. “Nessa prova, os paraquedistas saltavam de uma altitude 9 mil pés e deveriam fazer seis manobras em menos de 13 segundos”, explica.

O clube rio-pretense conquistou o Pan-Americano, no México, na década de 1970 e inúmeros paulistas. “Tínhamos um história com todas as conquistas, mas perdemos”, informa Milton Tozzo. O último título foi disputado em 1993 e, segundo Melo, como as Forças Aéreas Brasileira (FAB) passou a organizar competições no Sul do País, ficou inviável financeiramente a participação.

 

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Novatos

O clube cinquentão está aberto aos interessados. Há duas exigências: exame médico em ordem e pesar, no máximo, 110 quilos. “O exame, assinado por um médico, deve ser completo: físico, mental e visual”, ressalta o presidente José Thomaz de Melo, que é formado em 1986. É preciso ter, pelo menos, 18 anos para o salto e, com 16 anos, é possível participar de salto duplo, desde que autorizado pelos pais.

O clube tem cinco instrutores e ministra cursos de R$ 1 mil a R$ 5 mil. Os equipamentos custam de R$ 3 mil a R$ 16 mil. “É possível, antes, fazer um primeiro salto para saber se terá interesse em continuar”, revela Melo. Mesmo em meio ao elevado movimento de voos comerciais, o grupo ainda resiste. Salta em Mirassol ou em Bocaiúva, a capital do paraquedismo. É o tradicional “dia de área” quando há voos agendados.

Um salto de 12 mil pés (3,5 quilômetros) custa entre R$ 120 e R$ 170. “Hoje o nosso clube conta com 80 integrantes”, disse Melo. “Temos participantes de todas as idades. Os mais velhos têm cerca de 70 anos, é o que chamamos de os Dinossauros do Paraquedismo de Rio Preto”, conta o presidente.

 

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A queda do ‘frango’

Histórias do Clube de Paraquedismo de Rio Preto reúnem cenas hilárias e momentos dramáticos. Valdemar dos Santos, falecido e especialista em decolar nas festas de rodeios da região, ganhou o apelido de Frango depois que, durante um salto, caiu em uma granja. Edélcio Rubens Genari passou apuros em um salto em Tocantins quando caiu no rio.

Empurrado ao esporte por um tio militar, Edélcio saltou pela primeira vez aos 16 anos e parou aos 55 por problemas de saúde. Mesmo impossibilitado acompanha, da plateia, os amigos durante os saltos. Luis Antonio Joaseiro, o Luisinho, deixou a vida cedo. Aos 22 anos, foi saltar em Barretos e, na saída do avião, um Cessna 182, bateu a cabeça na roda. “Ele quebrou o maxilar, segundo o laudo, e ficou desacordado em queda livre”, recorda Melo. 

 

Isaac Egídio - 22052016 Isaac Egídio saltou 1,6 mil vezes e nunca passou por uma pane

Cabeleireiro de 72 anos faz parte da história

Isaac Egídio, aos 72 anos, viveu toda a história do Clube de Paraquedismo de Rio Preto desde o começo, em 1966. Conheceu o esporte, aos 22 anos, e salta até hoje. No ano passado resolveu dar um presente. “Fiz 72 anos no dia 17 de novembro, não deu área. Mas no dia seguinte, sim. Fiz um salto de dez mil pés, em Ibirá.” Cabeleireiro e destaque em competições internacionais, Isaac conta, orgulhosamente, que já saltou 1.653 vezes e nunca passou por uma pane. Roubou a cena quando desceu, no extinto estádio Mário Alves Mendonça, em um duelo entre América e Santos.

“O Pelé estava lá. Eu saltei no centro do gramado, conversei com o Pelé e dei o chute para começar o jogo”, recorda o são-paulino. No mais alto deles, enfrentou uma altitude de 18 mil pés (seis mil metros). “Não quero parar. Estou um pouco devagar agora, mas não deixo de saltar. Sinto uma emoção muito forte”, conta. Teve um dia também que, durante a ditadura militar, Isaac e seus amigos saltaram, à noite, e precisaram de boas explicações. “Pousamos no aeroporto e fomos abordados pelos militares, que queriam saber quem éramos e o que estávamos fazendo.

Não teve nenhuma agressão física, mas até provarmos que tínhamos a liberação para o salto, foi confusão”, conta. Isaac, cabeleireiro renomado, será sempre lembrado por figurar entre os melhores da modalidade, no ranking mundial. “Sou eternamente grato a esse esporte, ganhei títulos e pude conhecer a Iugoslávia e o México. Para quem faz um esporte e chega a esses lugares, é campeão do mundo, vive realizado.” Os filhos Isaque e Kelle saltaram pela primeira vez, respectivamente, aos cinco anos e 12 anos de idade. 

 

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