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Diário da Região

28/11/2016 - 08h35min

Paris

Trump pode impulsionar economia global, mas protecionismo é ameaça, diz OCDE

Paris

O crescimento dos Estados Unidos e da economia global podem receber um impulso com o aumento de gastos e o corte de impostos prometidos pelo presidente eleito norte-americano, Donald Trump. Esses ganhos, porém, seriam perdidos caso ele leve adiante as ameaças de elevar tarifas, o que pode levar a retaliações, afirmou a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta segunda-feira. Durante a campanha, Trump se comprometeu a elevar os gastos com infraestrutura em até US$ 1 trilhão, embora os detalhes sobre como isso será financiado não estejam claros. Ele também prometeu cortar impostos corporativos e sobre a renda pessoal. Em seu relatório semestral sobre as perspectivas econômicas globais, o órgão de pesquisas sediado em Paris disse que, se por um lado a forma exata dessas políticas não está clara, é de se esperar que Trump ofereça algum estímulo fiscal nos primeiros meses de sua presidência. Isso deve impulsionar o crescimento econômico dos EUA de 1,9% para 2,3% em 2017 e de 2,2% para 3% em 2018. A medida também beneficiaria outras regiões do mundo, já que a demanda por exportações dos EUA cresceria, com o crescimento econômico global avançando de 3,2% para 3,3% em 2017 e de 3,3% para 3,6% em 2018. A OCDE é a primeira agência econômica internacional a publicar uma estimativa do possível impacto das propostas de Trump. "A extensão do programa fiscal estabelecido pela nova administração durante a campanha eleitoral a ser implementado ainda não está clara, já que será necessário um acordo com o Congresso para aprovar legislação necessária e em algumas áreas, notavelmente a reforma tributária, podem ser necessárias complexas mudanças legislativas", afirma a OCDE. "Ainda assim, parece provável que haverá algum relaxamento da política fiscal ao longo dos próximos dois anos, com implicações para as perspectivas para o crescimento e a inflação nos Estados Unidos e em outras economias." As projeções da OCDE são baseadas em um aumento nos gastos do governo em 2017 e 2018 de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), um corte no imposto de renda que reduza a receita do governo em 0,5% do PIB em cada ano, além de um corte no imposto sobre as empresas que reduziria a receita em 0,75% do PIB em 2018. A entidade calcula que, graças ao impulso para o crescimento, um pacote como esse levaria as dívidas do governo a uma leve redução como proporção do PIB. A OCDE, que dá assessoria política a seus 35 integrantes, disse que outros governos também devem fornecer mais estímulo fiscal que o agora planejado, o que impulsionaria mais o crescimento global. Com um espaço menor para iniciativas de política monetária que impulsionam o crescimento, a OCDE tem pedido nos últimos anos mais gastos dos governos como maneira de escapar do que chama da "armadilha do baixo crescimento". A entidade advertiu, porém, que um maior protecionismo poderia ofuscar o impulso dos maiores gastos do governo e de menos impostos. Trump afirmou que pretende impor tarifas contra China e México, além de reavaliar outras relações comerciais que segundo ele colocam trabalhadores norte-americanos em desvantagem. "O protecionismo e a inevitável retaliação comercial ofuscariam boa parte dos efeitos das iniciativas fiscais no crescimento doméstico e global, elevariam preços, prejudicariam os padrões de vida e deixariam países com uma posição fiscal pior", afirmou Catherine Mann, economista-chefe da OCDE. Segundo ela, o protecionismo comercial protege alguns empregos, mas piora as perspectivas e reduz o bem-estar para muitas outras pessoas. "Em muitos países da OCDE, mais de 25% dos empregos dependem da demanda externa." Em relação ao Reino Unido, a OCDE elevou a perspectiva de crescimento para 2017 para 1,2%, quando em setembro esperava 1%, mas disse prever que a economia do país desacelere mais em 2018, avançando apenas 1%, devido à incerteza sobre o processo de saída do país da União Europeia, que enfraquecerá o investimento das empresas. Fonte: Dow Jones Newswires.

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