Diário da Região

26/10/2003 - 07h13min

Piscicultura III

Rios estão cada dia mais pobres

Piscicultura III

Otavio Valle No Rio Grande a perda de produtividade é maior
No Rio Grande a perda de produtividade é maior
A degradação ambiental, a pesca esportiva e a descaracterização da fauna e flora aquática nos rios da região comprometem a pesca extrativista. Uma atividade importante na geração de renda para as comunidades. A pesquisa Avaliação da Pesca Extrativa nos Rios do Estado de São Paulo do Instituto de Pesca, ligado à Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, mostra que os pescadores profissionais são nômades e se deslocam para áreas com maior produtividade de peixes. O comércio em pequena escala é feito pelo próprio pescador diretamente para os mercados regionais, mas a grande maioria da produção é feita por interme-diários que abastecem peixarias e entrepostos, resultando em elevação do preço do peixe. A pesquisa revela também que desde 1994, o rio Grande apresenta perda de 41,20% de quilos de peixes pescados por dia, o maior índice dos rios da região.

A quantidade de peixes do Paraná, Paranapanema, São José do Dourados, Turvo e na represa de Três Irmãos (no rio Tietê) vem apresentando diminuição média de 7,53% quilos de pesca por dia. A falta de alimentos no meio aquático e nas margens dos rios, a inexistência de mata ciliar levam ao comprometimento do sistema natural de criação de peixes. ?Não é mais o caso de culpar os pescadores pela pesca predatória. Hoje, há consciência. Um dos problemas é poluição ambiental?, diz o pesquisador do Instituto da Pesca, Harry Vermulm Júnior. A pesca esportiva também é outro agravante, sendo responsável pela retirada de grandes quantidades de peixes dos rios. ?Os pescadores profissionais também estão deixando de fazer a pesca extrativista para se dedicar ao turismo da pesca. O aluguel do barco por dia, por exemplo, lhe dá uma renda de R$ 100, fora a venda de isca, bebidas, alimentação e acomodação em pousada?, diz Vermulm.

O engenheiro agrônomo do Escritório de Defesa Rural (EDR) José Azevedo Soares observa a falta de alimentos no meio aquático, além da dificuldade na desova dos peixes que precisam subir os rios para a reprodução, mas a construção de hidrelétrica impediu este processo. A introdução de outras espécies modificou a fauna dos rios. ?A entrada de peixes carnívoros, como corvinas do Piauí, tucunaré da Amazônia foram ótimos para a pescaria esportiva, mas eles consomem os curimbatás e lambaris, peixes nativos que ficam na base da cadeia alimentar. É necessário fazer um trabalho para estimular a pesca destes peixes carnívoros e tentar repovoar com os nativos?, diz Soares.

Atividade rende R$ 4,6 bilhões
A queda na produtividade dos rios será compensada pelos programas de investimento no setor, o que permitirá que a produção nacional de 1 milhão de toneladas por ano cresça para 5 milhões de toneladas até 2006, com a geração de renda de R$ 4,6 bilhões para os empreendedores. ?A geração de renda para as comunidades será enorme?, afirma o diretor do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Paulista de Tecnologia e dos Agronegócios (Apta), Luiz Marques da Silva Ayrosa. No Estado de São Paulo, a produção de peixe por meio da pesca continental é estimada entre 15 mil a 18 mil toneladas nesta safra de 2003/04, sendo que 80% da produção é destinada aos pesque-pague e o restante para rede de supermercados, peixarias e atacadistas. No longo prazo, em cerca de cinco anos, a intenção é chegar a 50 mil a 70 mil toneladas de produção. O Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável do governo federal prevê um crescimento de 400% na produção da aqüicultura no País. A superfície que poderá ser explorada por meio do sistema de tanques-rede é de 5,32 milhões de quilômetros quadrados de água. Mercado para comercializar o pescado não falta, de acordo com Ayrosa. O consumo per capita por ano é de 7,4 quilos no Brasil, enquanto que nos Estados Unidos, Japão e China, exemplifica o especialista, cada pessoa come cerca de 90 quilos de peixe anualmente.

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