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Diário da Região

03/05/2015 - 00h48min

GASTRONOMIA PARA TODOS

Rio-pretenses vão gastar R$ 800 mi com alimentação fora de casa

GASTRONOMIA PARA TODOS

Hamilton Pavam Maria Elisa e Luzinete transformaram a rotisseria em um restaurante depois de observarem que região carecia do serviço
Maria Elisa e Luzinete transformaram a rotisseria em um restaurante depois de observarem que região carecia do serviço

De uns anos para cá, Rio Preto tem se destacado cada vez mais como centro gastronômico. Novos restaurantes surgem todos os meses com as mais diversas opções. Há restaurantes italianos, japoneses, tailandeses, mexicanos, churrascarias. Temos também food trucks, fast food, self service, aqueles que são baratos e outros mais caros. Atualmente, Rio Preto conta com 410 estabelecimentos do gênero inscritos na Secretaria Municipal da Fazenda dentro da categoria restaurantes e similares. Desse total, 71% foram abertos nos últimos seis anos. Apenas em 2014, 77 novos estabelecimentos foram registrados na Secretaria. Em 2015, de janeiro até abril, já foram inaugurados 22.

O aquecimento desse mercado é um reflexo do crescimento do consumo do rio-pretense com a alimentação fora do lar. Nos mesmos últimos seis anos, o potencial de consumo na categoria cresceu 82,88%, segundo dados do estudo IPC Maps. Em 2010, a expectativa era que as pessoas de Rio Preto gastassem R$ 435,606 milhões. Para 2015, são esperados gastos de R$ 796,661 milhões.

Por classes

Entre as classes econômicas, a classe B continua sendo a que tem o maior potencial de consumo, com gastos esperados de R$ 384,671 milhões para 2015. No entanto, as classes mais baixas, foram as que tiveram a maior alta, com relação aos números de 2014. O potencial de consumo para a alimentação fora do lar das classes D e E teve um salto de 377,7%, na comparação com 2014, passando de R$ 8,033 milhões para R$ 38,380 milhões. Já na classe C, o potencial de consumo para a alimentação fora do lar quase dobrou ao passar de R$ 143,4 milhões em 2014 para R$ 285,6 milhões.

 

economia restaurante - Rosemeire e o marido, Wagner Barreto Rosemeire e o marido, Wagner Barreto, comandam o empreendimento Cantina de Rua, que já tem a segunda unidade

Segundo o presidente do Sindicato de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Rio Preto, Paulo Roberto da Silva, o crescimento é uma tendência devido à mudança no perfil da população, que trabalha fora e não tem mais tempo para fazer suas refeições em casa. "Além disso, no horário do almoço, muitos restaurantes se beneficiam de reuniões de trabalho que são realizadas nos estabelecimentos. Os empresários estão cada vez mais utilizando esse horário para fechar novos negócios. É uma mudança de hábito."

Esse também é um reflexo do crescimento da cidade e de sua influência na região, explica o economista Hipólito Martins Filho. "Rio Preto está se tornando uma região metropolitana. Pessoas de todas as cidades da região passam por aqui todos os dias, seja para atendimento médico, seja para trabalhar ou mesmo para estudar. E todas essas pessoas precisam comer, gerando um mercado de gastronomia ainda maior." Com esse crescimento, as distâncias ficam maiores e a mobilidade ainda mais complicada, o que faz com que o trabalhador prefira se locomover menos, procurar locais mais próximos ao seu trabalho para fazer suas refeições. A abrangência de Rio Preto chega a mais ou menos um milhão de pessoas, considerando todas as cidades próximas e até algumas de outros estados, garante.

Crise

No entanto, mesmo com o aparente crescimento constante, o cenário econômico nacional está afetando o mercado de alimentação fora do domicílio de algumas formas. Enquanto os estabelecimentos ganham com esse novo perfil do consumidor trabalhador do dia a dia, eles perdem na área de lazer, que é uma das primeiras a sofrerem cortes quando o orçamento familiar precisa ser ajustado, afirma Paulo Roberto da Silva. "As pessoas deixam de sair para comer fora com frequência, deixam de ir ao cinema", diz.

Ainda assim, o setor de alimentação é um dos que possui mais força, devido ao fato de ser um item essencial. Por isso, empreendimentos continuam surgindo, mesmo enquanto outros fecham. "Essa característica de ser essencial é algo que outros tipos de negócios não possuem. Quando bem planejados, restaurantes podem ser negócios rentáveis mesmo em momentos mais difíceis na economia", afirma Martins Filho.

Atentas ao mercado em torno de seu empreendimento, as sócias Maria Elisa da Silva Meneghello e Luzinete Arquelino da Silva resolveram transformar sua rotisseria em um restaurante depois de pouco mais de dois anos na região em que estão instaladas, em uma das principais ruas do bairro Maria Lúcia. "Faltava esse tipo de serviço. Tínhamos uma clientela boa com a venda de marmitex e resolvemos apostar na expansão", conta Maria Elisa.

 

De rotisseria a restaurante

Aberto há mais ou menos dois meses, o Cores e Sabores foi resultado de um investimento de R$ 200 mil e já está dando resultados. "Temos um movimento legal, os clientes estão elogiando e a novidade está se espalhando. Recebemos muitos novos clientes vindos da indicação de outras pessoas." O dinheiro foi para a compra de um novo imóvel, em frente a onde elas já estavam instaladas, reformar o espaço, fazer a ampliação e todas as modificações necessárias. Além disso, o empreendimento gerou dois novos empregos.

E para expandir ainda mais sua clientela, o restaurante funciona no período da noite como choperia. "Queríamos oferecer opções", diz Maria Elisa. O segredo para o sucesso, segundo a empresária, é levar ao consumidor um produto de qualidade. "Não existe mais aquela ideia de que as classes mais baixas aceitam qualquer coisa. Hoje em dias eles são ainda mais exigentes." 

Food truck já tem 2ª unidade

A empresária Rosemeire Prestes já havia trabalhado na área de alimentação há uns dez anos, quando teve uma rotisseria, só que resolveu deixar o trabalho de lado para cuidar do filho pequeno e da casa. No entanto, no ano passado, ela resolveu que queria ter um novo negócio. Vendo o mercado da alimentação local aquecido, a ideia inicial era a de abrir outra rotisseria, mas os gastos seriam muito altos. Além disso, os tributos tornaram o projeto inviável. Foi então que ela teve a ideia de investir no food truck.

"Estava viajando em São Paulo, onde fiquei uns 20 dias, e sempre que queríamos comer algo encontrávamos um food truck à disposição. Achei incrível e resolvi abraçar a ideia. Em setembro do ano passado inaugurei o primeiro Cantina de Rua, um trailer para servir comida italiana. Servimos diversos tipos de massas", conta Rosemeire. O sucesso foi grande e em menos de oito meses a empresária resolveu investir em uma segunda unidade. "Foi pelo número grande de clientes. Não estamos dando conta em um trailer só", afirma.

O local da segunda unidade também foi pensado estrategicamente. "Vamos ficar na avenida principal do São Deocleciano, região que está crescendo, mas que ainda não possui muitas opções." Mesmo em tempos de crise, o investimento do novo empreendimento, de R$ 40 mil, não assusta Rosemeire. "A alimentação é uma área que sofre menos. As pessoas nunca deixam de comer e, hoje, com a correria do dia a dia, as pessoas buscam também por praticidade." Toda a família de Rosemeire está envolvida na expansão. Ela toma conta da expansão e o marido cuida do antigo. Ainda assim, foram contratados quatro funcionários para ajudar no atendimento. 

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economia restaurante - Silva Silva: expansão não pode criar concorrente para próprio negócio

Abrir restaurante exige cuidados extras

Abrir um restaurante sempre foi um trabalho complicado. Por se tratar de um produto perecível e que exige cuidado e qualidade, dedicação extra é um ingrediente importante. Entretanto, diante do cenário econômico atual, esse cuidado precisa ser redobrado. "O proprietário precisa saber comprar seus produtos, planejar seu espaço e oferecer novidades", afirma o economista Hipólito Martins Filho.

Além disso, é importante que o empresário planeje seu projeto e faça uma pesquisa de mercado antes do investimento. "É preciso saber se há espaço para aquela ideia no mercado, se ele já não está bem abastecido na aquela área o que ele poderá oferecer de diferente", diz o presidente do Sindicato de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Rio Preto, Paulo Roberto da Silva.

Para auxiliar na abertura do empreendimento, a regional de Rio Preto do Sebrae-SP oferece consultoria para todo o processo, desde a concepção da ideia até a manutenção do espaço, afirma o gerente regional da entidade, Marcos José Amancio. "Esse é um segmento que está se destacando em Rio Preto e o Sebrae possui vários produtos que acompanham esse empreendedor em todo o caminho, afinal, o consumidor de restaurantes está cada vez mais exigente e o nível do empreendimento deve seguir esse nível de exigência."

Segundo Amancio, um fator essencial para a sobrevivência de um restaurante é o foco na gestão. "O proprietário não pode esquecer-se dessa parte nunca. Ele precisa conhecer o mercado em que está atuando, o perfil de seu cliente, como ele vai se relacionar com esse cliente, como lidar com as finanças para todas as áreas do restaurante e seu faturamento."

Atendimento

Outro fator primordial em um estabelecimento do gênero é a gestão de pessoas. "A pessoa não aceita ser mal atendida. Ela sai de casa para ir a um restaurante com o intuito de se divertir, é um momento de lazer. Por isso, é importante que haja um treinamento e que os funcionários saibam como atender. O Sebrae oferece aos proprietários orientação sobre como deve ser a gestão de seus funcionários", explica Amancio.

Por fim, o empresário do ramo precisa estar sempre ciente da necessidade de novos investimentos e da inovação constante, diz o gerente regional do Sebrae-SP. "Sempre evoluindo e acompanhando a evolução dos clientes." Mas não são só os novos empreendedores que precisam se preocupar com esses detalhes. Para o presidente do sindicato do setor em Rio Preto, restaurantes de sucesso que estão pensando na expansão precisam se atentar a alguns pontos. "Para investir em outras unidades é preciso diversificar seu negócio, criar um segundo meio de renda e não um concorrente para o próprio estabelecimento." 

 

economia restaurante - Chef Lucas Alves Chef Lucas Alves vai abrir sua segunda loja neste ano

Le Pinguê está em expansão


Chef de cozinha autoditada, o jovem empresário Lucas Peres Alves não enxerga crise no mercado de gastronomia de Rio Preto. Tanto que sua empresa, a Le Pinguê Hamburgueria está em pleno projeto de expansão. A primeira unidade foi aberta em janeiro deste ano e a outra será inaugurada hoje. "O retorno do investimento inicial foi obtido em dois meses." A primeira unidade, localizada no Centro, recebeu investimentos de R$ 150 mil e gerou nove empregos. A segunda, que fica na região dos Damha, teve investimentos de R$ 200 mil e gerou dez postos de trabalho. "A região tem um movimento muito intenso de consumidores, daí a escolha."

A expansão não para por aí. Alves já fechou contrato com um empresário de Londrina, no Paraná, que obteve a licença e vai montar uma unidade da Le Pinguê. Outra negociação na região de Rio Preto também está em andamento. "Essa pessoa de Londrina nos conheceu pelas redes sociais, veio aqui, gostou do produto e em dois ou três meses vai abrir uma unidade da empresa lá".

O forte do Le Pinguê é o hambúrguer gourmet, com preço acessível, a partir de R$ 17,90. A casa trabalha com três lanches fixos e, semanalmente lança uma edição limitada a 200 unidades, o que tem atraído bastante público. Uma das opções leva cheddar, cebola caramelizada, bacon crocante e whisky Jack Daniels. Os molhos especiais também são atrativos do restaurante.

Alves já morou no exterior, trabalhou com comércio exterior, em multinacionais e sempre cultivou a paixão por cozinhar, desde criança. Ao voltar para Rio Preto, há dois anos, decidiu ter o próprio negócio. "Queria montar algo que fosse inovador e que desse lucro".


Colaborou: Liza Mirella

 

 

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