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Diário da Região

14/02/2016 - 08h23min

Nova York

Petrolíferas quebram nos EUA e setor não ajuda no PIB

Nova York

A produtora de petróleo e gás norte-americana Swift Energy, com operações nos estados do Texas e Louisiana, cortou 60% de seus investimentos, demitiu 20% de seus funcionários e até reduziu o tamanho de sua sede, em Houston, tudo para lidar com a queda de mais de 70% do preço da commodity desde meados de 2014. Nada disso adiantou. A companhia entrou no mês passado com pedido de falência em um Tribunal dos Estados Unidos e se transformou no mais recente exemplo de como os baixos preços da matéria-prima estão afetando a maior economia do mundo. Como a Swift Energy, outras 41 empresas de médio porte na área de produção de petróleo e gás entraram com pedido de falência desde o início de 2015, conforme levantamento do escritório de advocacia Haynes & Boone. Essas companhias têm uma dívida de US$ 17,4 bilhões, contraída para financiar a extração de petróleo e, principalmente, para o boom de gás de xisto quando o petróleo estava acima de US$ 100. Além dessas, outras 39 empresas da cadeia, prestadoras de serviços ao segmento, também entraram com pedido de falência no ano passado. "A empresa teve de tomar medidas em resposta à redução significativa dos preços do petróleo e do gás que tem afetado toda a indústria", disse o presidente da Swift, Terry E. Swift, fundada em 1979. Com U$$ 1 bilhão em ativos, a companhia viu sua dívida bater em US$ 1,35 bilhão e as receitas caírem 55% no último trimestre de 2015, ante igual período de 2014. Após fazer ajustes e os preços da matéria-prima continuarem caindo, restou entrar com pedido de falência e recuperação judicial. Os números das falências nos EUA até agora ainda são pequenos quando comparados às centenas de empresas que operam no setor, mas prevalece o pessimismo entre os especialistas, que alertam para mais deterioração da situação financeira das empresas. Para 2016, o quadro esperado para as falências é ainda pior do que foi em 2015. A IHS, consultoria do setor de energia, estima que mais 150 companhias podem falir em 2016, quase quatro vezes mais do que o apurado em 2015. Nas gigantes do setor de petróleo dos EUA ainda não houve falências, mas o cenário também não é animador. Corte de investimento, demissões em massa, redução de dividendos e forte piora dos resultados financeiros vêm marcando o setor desde meados de 2014. A maior petroleira dos EUA, a ExxonMobil viu seu lucro cair 58% no quarto trimestre de 2015. No mesmo período, a Chevron, a segunda maior, passou de ganho para prejuízo de US$ 588 milhões no final do ano passado. 'Lado bom' Os esperados benefícios que a queda da cotação do petróleo trariam para a economia dos Estados Unidos não ocorreram como o previsto. A expectativa de organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, e de casas financeiras de Wall Street, como Morgan Stanley, Bank of America e Goldman Sachs, era de que a redução dos preços dos combustíveis nos postos liberaria mais recursos para as famílias norte-americanas gastarem com consumo, o motor do crescimento dos EUA. "A redução dos combustíveis equivale a um corte anual de impostos de US$ 200 bilhões para os americanos", afirmou o presidente da gestora Cumberland Advisors, David Kotok. Mas os recursos que as famílias deixaram de gastar com gasolina não foram direcionados, na intensidade esperada, para o mercado de consumo, afirmou o economista-chefe da consultoria Pantheon Macroeconomics, Ian Shepherdson. Os dados mais recentes, de dezembro, mostram que os americanos estão preferindo poupar o aumento da renda ao invés de consumir mais. As vendas de final de ano em várias redes de varejo, como a Macys e a Amazon, decepcionaram. Em janeiro do ano passado, os economistas do JPMorgan previram que a queda do preço do petróleo faria o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA crescer mais 0,7 ponto em 2015. O banco reviu a projeção e espera agora que a retração do preço reduza em 0,3 ponto porcentual o PIB do país em 2015, por conta dos impactos negativos na cadeia produtiva do setor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Altamiro Silva Junior, correspondente)

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