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Diário da Região

15/03/2015 - 12h00min

São Paulo

Medidas para proteção de moedas podem não ter efeito duradouro

São Paulo


Muitos bancos centrais de países emergentes estão intensificando seus esforços para tentar se defender das quedas recentes de suas moedas, mas analistas estão céticos sobre se essas medidas vão oferecer suporte duradouro às suas divisas.

O Banco do México informou na quarta-feira que vai fazer leilões diários durante os próximos três meses para dar suporte ao peso mexicano. Desde o anúncio da medida, a moeda subiu 1,6% em relação ao dólar, depois de atingir o mais baixo patamar da história na terça-feira. A última vez que o BC mexicano lançou um plano semelhante foi na esteira da crise financeira de 2008.

Na terça-feira, o banco central da Turquia relaxou suas regras de depósito compulsório, uma medida que visa liberar mais divisas para o sistema bancário. A enxurrada de dólares e euros ajudou a dar suporte para a lira turca, que subiu 1,7% em relação ao dólar nos últimos dois dias. No acumulado do ano, a moeda turca perdeu 11% do seu valor ante o dólar.

A intervenção direta no mercado de câmbio, que muitas vezes exige que os bancos centrais usem as suas reservas em moeda estrangeira, pode dar às divisas um certo alívio. Mas, a longo prazo, essas ações não são páreo para um dólar que deve continuar subindo alimentado por uma perspectiva de melhora da economia norte-americana e pelo início do aperto monetário nos EUA, dizem analistas e investidores do mercado de câmbio.

"O principal efeito dessa medida será moderar a volatilidade, mas eu não acho que isso vá inverter a tendência de alta", disse Jorge Mariscal, diretor de investimentos de mercados emergentes do UBS Wealth Management, que administra US$ 1 trilhão em ativos. Mesmo com as intervenções, os analistas do UBS esperam que a lira e o peso mexicano se enfraqueçam ainda mais em relação ao dólar até o final do ano.

Os movimentos dos bancos centrais do México e da Turquia sugerem preocupações com o impacto da desvalorização rápida das suas divisas. Enquanto uma moeda mais fraca pode ajudar a tornar setores exportadores da economia mais competitivos, pode levar também a uma aceleração da taxa de inflação e a um aumento do peso da dívida denominada em dólar.

"De agora em diante, vamos ver cada vez mais e mais esses ajustes", afirmou Win Thin, diretor global de estratégia de câmbio de mercados emergentes da BBH.

O Banco Central do Brasil intervém regularmente usando derivativos cambiais chamados swaps, mas as autoridades indicaram no passado que gostariam de acabar com o programa. Com a desvalorização de 18% do real ante o dólar registrada até agora este ano, muitos observadores de mercado esperam que a autoridade monetária do País prossiga com o programa.

Juros e intervenção

O aumento das taxas de juros é, muitas vezes, a forma mais ortodoxa de se dar suporte a uma moeda, mas muitos bancos centrais dos mercados emergentes estão relutantes em dar este passo em um momento em que suas economias estão desacelerando.

O BC do México mantém a sua taxa de juros inalterada desde junho do ano passado, mas o peso mexicano já perdeu quase 20% do valor em relação ao dólar desde então. Observadores do mercado local esperam que a instituição passe a aumentar os juros em resposta ao ajuste monetário dos EUA.

"Há preocupações crescentes do BC mexicano no que se refere à estabilidade da moeda, devido à alta participação estrangeira nos títulos do governo do país", escreveu o analista Felipe Hernandez em uma nota divulgada. Os juros dos títulos do governo mexicano com vencimento em dezembro de 2024 subiram para 5,97%, de 5,17% em meados de janeiro. Os preços dos títulos caem quando os yields aumentam.

O banco central turco tem resistido até agora à pressão de seu próprio governo para cortar ainda mais as taxas de juros, apesar da inflação alta. Como resultado, a autoridade monetária está contando com a intervenção para desacelerar o declínio da moeda e controlar as expectativas de inflação.

As intervenções são menos frequentes e em menor escala do que anteriormente visto, à medida que muitos países optaram por deixar o câmbio mais livre. Isso porque, ao tentar manter a estabilidade de suas moedas, alguns países asiáticos sofreram danos econômicos e políticos na esteira da crise financeira de 1997.

Mas a recente volatilidade está forçando os bancos centrais a tomar um novo olhar para a tática.

No ano passado, o BC da Rússia aprovou uma série de medidas para estabilizar o rublo, incluindo a venda de dólares de suas reservas cambiais. Essas medidas ajudaram a fortalecer a moeda russa, que chegou a perder 65% do seu valor ante o dólar como consequência da crise política no leste da Ucrânia.

Ao fazer isso, a Rússia gastou quase um quarto de suas reservas cambiais em 2014.

O banco central mexicano observou que as novas medidas anunciadas ontem não irão causar uma redução de suas reservas internacionais, uma vez que o gasto de US$ 3,1 bilhões estimados nos próximos três meses será compensado pelo aumento das reservas que a autoridade monetária espera fazer durante esse período de tempo.

Os países emergentes têm acumulado reservas de dólares nos últimos dez anos, o que lhes dá uma almofada para enfrentar o mais recente ataque de volatilidade de suas moedas, dizem analistas.

"Eles os bancos centrais compraram dólares porque pretendem usá-los em um cenário nebuloso", disse Danny Tenengauzer, diretor de estratégia para mercado emergentes da RBC Capital Markets. Fonte: Dow Jones Newswires.

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