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Diário da Região

11/10/2015 - 16h59min

Lima, Peru

Autoridades de bancos centrais pedem ao Fed que eleve juros nos EUA

Lima, Peru

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem levado autoridades de mercados emergentes a enfrentar crises repetitivas de volatilidade em suas moedas e de fluxos de capital, bem como a se preocuparem com as dívidas de seus países. Alguns formuladores de políticas, diante dessa incerteza, entregaram uma mensagem aos americanos, enquanto autoridades estavam reunidas na capital peruana para o encontro anual do Fundo Monetário Internacional: "Por favor, parem com a indecisão." "Adiar o aumento não vai resolver a situação", disse Sukhdave Singh, vice-presidente do Banco Negara Malaysia. "Se o problema é que os mercados emergentes assumiram muitas dívidas, haverá um dia de ajuste de contas. Atrasar a alta da taxa de juros não necessariamente resolve esse problema." Os receios do Fed consumiram economias emergentes nos últimos dois anos, depois de um período de estímulo monetário sem precedentes. Mas muitas autoridades na reunião do FMI, que terminou domingo, disseram que preferem a certeza agora à agonia da espera. "Neste ano, em comparação com um ano atrás, muitos presidentes de bancos centrais de mercados emergentes e alguns outros foram mais insistentes na ideia de o Fed simplesmente ir em frente. Não porque estavam interessados em ver as taxas de juros subirem, mas porque queriam reduzir o nível de incerteza", disse Tharman Shanmugaratnam, vice-premiê de Cingapura e ex-chefe do Comitê de Gestão do FMI. Autoridades de mercados emergentes não foram as únicas a aconselharem o Fed a seguir em frente. Jens Weidmann, presidente do banco central da Alemanha, disse que a perspectiva de que os mercados emergentes serão prejudicados por uma saída de capital induzida não é uma razão para adiar a elevação da taxa, que é justificada por dados. O aumento dos juros americanos "seria a reação a uma economia melhor e uma boa notícia para o mundo", disse ele. Autoridades do Fed, depois de anos de apelos para adiar a elevação da taxa, dizem que estão agindo com cautela. "Tem ficado claro, a partir das conversas nesta reunião, que muitas autoridades de mercados emergentes e de outros países se sentem suficientemente prevenidas e preparadas a ponto de pedirem que elevemos a taxa", disse o vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, em Lima, neste domingo. "No entanto, temos de estar cientes dos riscos à frente", disse. Fischer disse não esperar que acontecimentos internacionais prejudiquem a economia americana o suficiente para alterar os planos do banco central. Muitos representantes de bancos centrais de países emergentes disseram que fizeram tudo ao seu alcance para se preparar para a elevação da taxa de juros nos Estados Unidos. Eles deixaram suas moedas flutuarem, indicando a disposição de absorver uma inflação mais elevada em troca de exportações mais baratas. Eles também acumularam reservas em moeda estrangeira para absorver o choque da fuga de capital. E muitos estabeleceram metas de inflação para tranquilizar os investidores. Esse preparo, contudo, não vai protegê-los de oscilações nas suas moedas, com o fluxo determinando o preço do dólar e o nível de inflação nos mercados emergentes. Para aqueles banqueiros que perseguem uma taxa de inflação, podem ser necessárias decisões difíceis, como o aumento das taxas de juros, mesmo diante de economias em desaceleração. Nem todo mundo está ansioso para essa decisão do Fed. Os defensores de uma maior demora do banco central americano na elevação dos juros têm um importante aliado dos EUA no FMI, que alega que a economia global ainda está muito fraca para resistir a um aumento da taxa neste ano. O aperto monetário a ser promovido pelo Fed pode estimular uma onda de defaults corporativos envolvendo empresas tomadoras de dinheiro em dólares, diante dos custos de dívida mais elevados, diz o FMI. Muitos economistas estavam confiantes de que o Fed iria elevar a taxa em setembro, com base no fortalecimento da economia americana. Mas a desvalorização do yuan chinês e a turbulência no mercado acionário do país asiático levantou a hipótese de uma desaceleração mais profunda do que a esperada. Desde então, os dados econômicos fracos nos EUA e o crescimento mundial a um ritmo mais lento do que esperado alteraram perspectivas e pesaram sobre mercados emergentes. Um fator atenuante para mercados emergentes é que as autoridades norte-americanas foram claras sobre suas intenções de aumentar as taxas. Esse aviso tem dado tempo para que investidores e banqueiros movimentem seu capital de modo a se prepararem. Porém, nem mesmo a comunicação mais clara pode proteger totalmente mercados emergentes. "Ninguém pode dizer que foi pego de surpresa", disse Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco. Qualquer um que busca uma certeza depois de o Fed elevar a taxa vai se decepcionar, disse Lesetja Kganyago, chefe do Banco Central da África do Sul. "O primeiro aumento da taxa do Fed só vai levar à incerteza sobre os movimentos subsequentes", disse. "A incerteza parece ser uma característica permanente agora", ele acrescentou. "A volatilidade tornou-se a ordem do dia." Autoridades dizem que estão observando cada palavra de representantes da maior economia do mundo. "Todos falaram de setembro. Depois, passaram a falar de dezembro", disse o chefe do Banco Central do Paraguai, Carlos Fernández Valdovinos. "Neste momento, aqui, depois desta reunião, todos estão falando de janeiro." Como você se prepara diante dessa perspectiva incerta? "Acho que é preciso ser inteligente, sábio e saber dos seus limites", disse.

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