X
X

Diário da Região

25/08/2015 - 12h11min

Palestra

Consumismo infantil é tema de encontro no Sesc

Palestra

Divulgação A palestra será ministrada pela psicóloga Maria Helena Masquetti, do Instituto Alana, que busca garantir condições para a vivência plena da infância. (Foto: Divulgação)
A palestra será ministrada pela psicóloga Maria Helena Masquetti, do Instituto Alana, que busca garantir condições para a vivência plena da infância. (Foto: Divulgação)

O impacto do consumismo na formação das crianças e adolescentes será discutido, nesta quarta-feira, 26, no Sesc Rio Preto. O objetivo do encontro é divulgar e debater ideias sobre as questões relacionadas à publicidade dirigida às crianças, assim como apontar caminhos para minimizar e prevenir os prejuízos. A palestra será ministrada pela psicóloga Maria Helena Masquetti, do Instituto Alana, que busca garantir condições para a vivência plena da infância. O encontro gratuito está marcado para as 19h. Em entrevista ao Diário da Região, a psicóloga adianta alguns pontos da palestra:

Diário - O que você acha da pressão que as crianças vivem hoje em relação ao consumo?

Maria Helena Masquetti - A concorrência entre as empresas e a avidez pelo lucro, fazem com que o mercado encare cada vez mais as crianças como um alvo lucrativo em lugar de entendê-las como sujeitos em um processo delicado de sua formação. Assim, ao assediá-las de tantas maneiras e com tal intensidade diária, falando diretamente com elas, os apelos mercadológicos invadem o território sagrado da infância no qual a produção de brinquedos é praticamente infinita, genuína, criativa e saudável, atraindo-as para o mundo do consumo.

Brincar é a linguagem das crianças e é por meio dele que elas se socializam, inventam, elaboram conflitos e exercitam comportamentos futuros , portanto, é fundamental a preservação desse mundo lúdico para elas. Encurtar a infância é literalmente o fim do mundo.

Diário - Qual o reflexo desse incentivo ao consumo no desenvolvimento infantil?

Maria Helena - Crianças consumistas brincam menos e tendem a preferir o sedentarismo e o comodismo do entretenimento pronto que veem nas telas, dando margem a um círculo vicioso: quanto menos brincam, menos se exercitam, menos criam, mais se ligam aos eletrônicos, mais comerciais assistem, mais seduzidas são para consumir e assim vão deixando rapidamente a infância para aderir a hábitos de consumo adultos. Os impactos desse ciclo são muitos, entre eles: a erotização precoce, a obesidade infantil, a delinquência (pela busca de produtos caros e de marca), o desgaste das relações familiares, o conformismo, o materialismo, entre outros.

O maior dos impactos porém, está na diminuição da brincadeiras criativas, na substituição do desejo genuíno de cada criança por um desejo implantado nela, na maioria das vezes na mesma cor, marca e modelo que outras milhões de crianças também estão afirmando ser seu próprio desejo.

Diário - Qual a sua opinião sobre a publicidade infantil?

Maria Helena - Um adulto é capaz de assistir a um comercial onde um siri abre uma lata de cerveja e julgar o quanto o marketing está se esmerando para chamar-lhe a atenção para o produto, podendo decidir por comprá-lo ou não. Já a criança, por atribuir um caráter de realidade à fantasia, tende a se encantar e acreditar nas possibilidades fantasiosas na qual o produto é envolvido com a ajuda de recursos especiais e lúdicos. Portanto, em relação à criança, trata-se de um jogo desigual onde quem está vendendo sabe perfeitamente o que e porque o está fazendo, enquanto a criança de nada sabe, além de acreditar e se deixar seduzir pela mensagem. Sendo assim, a publicidade dirigida diretamente à criança é prejudicial ao seu desenvolvimento pleno e saudável.

Diário - O questionamento ao consumismo deve acontecer além da família? Como as escolas estão atuando nesse sentido?

Maria Helena - Praticamente onde respirar uma criança, a publicidade lá estará tentando convencê-la a consumir coisas das quais ela, na verdade, nem sempre precisa. A família deve estar atenta a isso, procurando oferecer às crianças alternativas de diversão que não envolvam o consumo, e de preferência, em contato com a natureza.
Como as crianças ainda entendem a felicidade quando ela está estampada na expressão animada e sorridente das pessoas, é importante que elas não cresçam constatando que a felicidade só acontece quando entra em casa um produto novo, momento em que as pessoas costumam expressar um contentamento em relação à novidade. Daí a importância do convívio amoroso e criativo, dos programas em família, de oferecer às crianças alternativas de diversão que não envolvam o consumo e que mostrem a ela o quanto a felicidade está presente em sua vida em diferentes formas e situações.
Quanto à escola, é importante não permitir que a publicidade invada este espaço educacional, por ser um dos poucos ambientes onde, sob o olhar atento dos educadores, a criança pode reconhecer em si talentos e habilidades que, embora não possam ser tocados com as mãos,  são tão valiosos para troca quando os mais caros produtos.
Dessa forma, deve a  escola estar atenta  e não se deixar levar pela suposta proposta educativa de figuras ligadas ao marketing, a exemplo do palhaço Ronaldo Mcdonald o qual, com o argumento de levar uma mensagem meramente sustentável, está, isto sim, levando a cabo uma campanha de fidelização da criança à marca a longo prazo.
Enquanto a família e a escola devem fazer a sua parte para preservar a infância, cabe às autoridades competentes legislarem em favor das crianças por meio da aprovação dos vários projetos que há anos tramitam à espera de aprovação pelo fim da publicidade dirigida à infância a exemplo do Projeto de Lei 5921, do deputado Luiz Carlos Hauly.

Instituto Alana

O Alana trabalha para encontrar caminhos transformadores para as novas gerações, buscando um mundo sustentável e de excelentes relações humanas. Criado em 1994, o Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne os projetos que escolhemos para apostar na busca pela garantia de condições para a vivência plena da infância. Criado em 1994, o Instituto conta hoje com uma série de projetos focados nos direitos da infância, sendo mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança”.

Maria Helena Masquetti

Graduada em Psicologia pela Faculdade Paulistana de Ciências e Letras. Possui especialização em Psicoterapia Breve e de Emergência e realiza atendimento clínico em consultório desde 1993. Graduada também em Comunicação Social pela Fundação Armando Álvares Penteado, em 1983, exerceu a função de redatora publicitária durante 12 anos em várias agências de propaganda e hoje é psicóloga do Instituto Alana.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso