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Diário da Região

07/08/2016 - 00h00min

SILVA

Vinte anos da morte do mais célebre naïf de Rio Preto

SILVA

Arquivo Público/Coleção Particular Na terça-feira, 9, completam-se 20 anos da morte de Silva.
Na terça-feira, 9, completam-se 20 anos da morte de Silva.

“A morte é hoje um sonho. Pra morrer, tem que entrar num estado de coma como eu entrei, 17 dias na UTI... Não vê nada. É um sonho. Então, que coisa boa dormir pra morrer.” A reflexão poética e ingênua sobre a morte foi feita pelo pintor primitivista José Antonio da Silva em 1996, em uma entrevista realizada seis meses antes de sua partida, no dia 9 de agosto, aos 87 anos.

Hoje, duas décadas depois de sua morte, seu legado se mantém vivo com uma força que somente as obras dos grandes nomes da pintura conseguem ter. Ou seja, a morte tem uma relação muito direta com a vida, e essa relação também foi impressa pelo artista em seu trabalho. Representações da morte não predominam na obra de Silva. Apesar de esparsas, são referendadas para afirmar a importância da vida.

Entre elas, a mais emblemática está na tela Só Um Milagre Pode Salvar o Silva, pintada pelo primitivista de Rio Preto no mesmo ano em que ficou internado na UTI do Hospital de Base por conta de problemas cardíacos. No quadro, Silva retrata a si mesmo numa cama de hospital, ao lado de um enfermeiro e da última mulher com quem foi casado, Graciete Ferreira Borges, que virou pintora naïf por influência dele.

O milagre evocado pelo pintor em sua obra veio em forma de reconhecimento, que fez dele um dos personagens centrais no processo de valorização da pintura naïf . Somente o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) fez uma retrospectiva do artista, a José Antonio da Silva em Dois Tempos, por quase um ano, entre 2013 e 2014. Isso sem contar inúmeras publicações e outras mostras em torno de sua arte ingênua e colorida, que integra o acervo de grandes museus como o MAC, o Masp (Museu de Arte Moderna de São Paulo) e o MoMA de Nova York.

Natureza como religião

A relação entre morte e religiosidade é mais presente na obra de Silva, que pintou inúmeras telas sobre o martírio sofrido por Jesus, que morreu para que o amor nascesse no coração dos homens. Pintando até os últimos dias de vida, Silva partiu descrente do rumo dado ao cristianismo, tendo criado uma religião particular. “Eu criei uma religião. De tanto ser tapeado, de ouvir e aturar mentiras da Bíblia e dos entendidos, fiquei completamente descrente. Mas não fiquei ateu não; eu criei uma religião. Minha religião chama-se a natureza. Tudo quanto é vivo, que o bicho homem não fez, que foi deixado por Deus, é o meu Deus, é a minha religião”, disse ele na mesma entrevista em que refletiu sobre a morte, e que integra o acervo do Museu de Arte Primitivista (MAP), de Rio Preto. 

A morte da natureza também ganhou contornos nas telas de Silva. Em uma delas, ele retrata uma florestada sendo tomada pelas chamas, um alerta para a ação nociva do homem sobre o meio ambiente. Homem de temperamento forte e tempestuoso, Silva também recorreu à morte quando protestou contra os curadores da quarta edição da Bienal de São Paulo, em 1957, da qual ficou de fora depois de integrar duas mostras consecutivas e ser premiado em uma delas.

No quadro em forma de protesto, retratou todos os curadores mortos por enforcamento, e de cada um deles uma fina linha branca insinuava que suas almas seriam conduzidas para o inferno, tendo o próprio ‘tinhoso’ na recepção. Sobre os curadores, a imagem do Cristo segurando uma placa com os dizeres: ‘A Justiça Divina não falha”. Para um artista que celebrou a vida, em especial a do povo caipira do sertão paulista, a morte é apenas mais um ato de uma arte pulsante e permanente, já que ele é a grande fonte de inspiração para tantos outros primitivistas.

 

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