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Diário da Região

20/12/2015 - 00h00min

Achados e perdidos

Projeto tira da sombra canções esquecidas

Achados e perdidos

Mara Sousa O idealizador e diretor do projeto, Filipe Murbak (sentado), com músicos e equipe técnica no estúdio
O idealizador e diretor do projeto, Filipe Murbak (sentado), com músicos e equipe técnica no estúdio

Era 1965, e o hoje aposentado Valdecir Donna, 70 anos, terminava mais um dia de trabalho. Parou em um boteco, e lá encontrou um rapaz com um violão, que logo contou a história de uma namorada que havia ido embora e depois retornado. “Nós pensamos: daí vai sair alguma coisa, né”, recorda. Não deu outra: naquela noite, o aposentado compôs a música “Arrependida”, uma das cinco canções que ganham vida com o projeto “Música Perdida”, de Filipe Murbak, uma das atividades do festival de artes Breu, do Sesc Rio Preto, que termina hoje.

O projeto resgata composições de moradores de Rio Preto e de outras cidades do interior paulista que não estão na cena musical, mas que têm na música uma paixão. São canções que ficaram esquecidas ao longo dos anos, perdidas em gavetas, mas guardadas na memória. “Sempre por onde vou fico muito atento às pessoas desconhecidas à minha volta. A partir disso, resolvi fazer uma pesquisa, descobrir pessoas anônimas que poderiam ter músicas perdidas, que pudessem ser gravadas e levadas ao público”, comenta Murbak, que, além de idealizador, é o diretor musical do projeto.

As canções resgatadas são registradas em uma série de vídeos, com a participação de diversos músicos da cidade. Durante o processo, melodias e arranjos foram recriados, e cada uma das canções ganhou uma sonoridade bem particular. Composta originalmente como um samba, “Arrependida” assim foi mantida, cumprindo a vontade do autor. Mesmo aposentado, Valdecir faz bico de pedreiro e ainda arruma tempo para frequentar aulas de clarinete no Núcleo de Arte Roberto Farath. Quem dá voz ao seu samba em “Música Perdida” é o músico e compositor rio-pretense Zeca Barreto.

 

Valdecir Donna - 20122015 Valdecir Donna é aposentado, faz bico de pedreiro e tem aula de clarinete: sua música, "Arrependida", foi composta em 1965, na mesa de um boteco

Outra canção descoberta pelo projeto é “Maria Fumaça”, do auxiliar de serviços gerais José Carlos Cândido, 49 anos, que compôs a letra há cerca de 15 anos. A música fala de uma mulher que fuma e toma café em excesso, e nasceu como rap. “Tenho uma irmã chamada Maria, que fuma muito e toma muito café, e minha sogra também. Fiz a música como uma brincadeira em família. Brincava, cantando com meus filhos e meus sobrinhos. Fiz um rap, não que eu goste muito de rap, mas é mais fácil de cantar”, fala o autor.

No projeto, “Maria Fumaça” foi transformada em rock, com Caio Lobo e Fred Pala nos vocais. Cândido aprovou o resultado e diz que tem espalhado a notícia entre seus colegas de trabalho. Ele revela ter outras músicas guardadas na gaveta. No dia a dia, o auxiliar de serviços gerais faz dupla jornada. À noite, trabalha na cantina de um cemitério de Rio Preto.

Vídeos

Três episódios da série de vídeos do projeto “Música Perdida” já foram disponibilizados no canal do Sesc Rio Preto no YouTube e também na página do Breu. Além de “Arrependida” e “Maria Fumaça”, há o episódio de “Então Tá”, composta pelo jornalista mirassolense Jair Lemos, interpretada por Taroba e Tainá Maia. Neste domingo, vai ao ar o último episódio, em formato especial, com duas composições, “Porosas Pupilas”, de Jhenifer Silva, e “Primeiro de Abril”, de Lázaro Dias, morador de Votuporanga. 

Os dois vídeos misturam depoimentos com cenas captadas em estúdio, durante a gravação. A equipe técnica é composta por Fernando Macaco, na direção dos vídeos, Samuel Merighi, câmera, Alberto Sabella, técnico de áudio, e Junior Muelas, assistente técnico de áudio. A gravação foi realizada no estúdio Área 13. Segundo Murbak, a ideia é que o projeto não se encerre com o término desta edição do Breu. Ele pretende resgatar outras músicas. Um show também está em seus planos.

 

 

 

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