Diário da Região

20/07/2015 - 12h46min

São Paulo

Marco da censura, disco 'Calabar' era pichação do nome de um traidor

São Paulo

O disco Calabar (1973), de Chico Buarque, merece capítulo à parte. "Essa capa foi censurada. Só existe uma prova de gráfica dela", conta a artista Regina Vater, criadora do encarte do histórico álbum que traz a trilha sonora da peça escrita pelo músico e pelo cineasta e poeta Ruy Guerra. "Logo que a fiz, ganhei um prêmio e me mudei para os Estados Unidos. Soube lá que a capa do Calabar tinha sido censurada quando um amigo me mostrou a (revista) Veja", lembra a carioca, que voltou a viver no Brasil. "Foi um dos discos mais difíceis de encontrar", diz o artista Bruno Faria, que considera essa obra das mais surpreendentes de sua pesquisa sobre a iconografia dos LPs brasileiros. Na época, Regina Vater morava em São Paulo quando Ruy Guerra a convidou a realizar a capa do álbum. Como a artista destaca, ela havia acabado de realizar uma mostra com sua série dos Nós, de grande repercussão. A criadora rememora que falava mais com Guerra sobre o trabalho. "Só vi o Chico (Buarque) bem depois de fazer uma espécie de rascunho. Fui ao lugar onde queria fazer a imagem para o Calabar e o fotografei para ver se eles aprovavam." Na ocasião, ela encontrou o compositor no Rio. "Ele era muito tímido; me disse: Muito obrigado pelo retrato", diverte-se. A peça e o disco, inspirados na história de Domingos Fernandes Calabar, senhor de engenho que se aliou aos holandeses durante a invasão holandesa ao Brasil, colônia de Portugal, são considerados marcos da censura no regime militar. "Como Calabar foi um traidor, minha ideia foi pichar um muro no Bexiga com seu nome", explica a artista. Mais ainda, ela fez, no Rio, uma fotografia de uma grande família fazendo um "piquenique no asfalto" para o interior do álbum. "A classe média brasileira estava anestesiada." Regina Vater conta, curiosamente, que, antes de Calabar, ela havia realizado uma aquarela que seria utilizada na capa do também histórico LP Tropicalia, de 1968. "O desenho era o corpo de uma mulher sem cabeça numa paisagem tropical, como fazia na época, uma coisa bem sensual." A gravadora, entretanto, preferiu usar o projeto do artista Rubens Gerchman para o álbum. "Fiquei tão decepcionada", ela afirma.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso