X
X

Diário da Região

10/11/2016 - 07h45min

São Paulo

Leda Catunda é a ponte entre a sua geração e os jovens pintores

São Paulo

Há 33 anos, quando Leda Catunda fez sua primeira exposição individual, seus contemporâneos estavam sintonizados com a onda neoexpressionista que marcou a pintura nos anos 1980. Ela, não. Seus interlocutores, na época, eram poucos: Sergio Romagnolo, Leonilson e mais dois ou três nomes. Hoje, graças ao diálogo fácil com a nova geração, ela transita entre jovens artistas como a paulistana Ana Elisa Egreja, nascida em 1983, ano da primeira exposição de Leda, a mineira Ana Prata, três anos mais velha, e o carioca Rafael Alonso, também de 1983, o que faz de Leda Catunda a padroeira pop da novíssima geração, graças à abertura da artista para novas linguagens e sua tentativa de entender, de fato, o que está por trás da cultura de massa e da iconografia da web. Na exposição I Love You Baby, que Leda abre nesta quinta-feira, 10, no Instituto Tomie Ohtake, estão expostos cerca de 80 trabalhos que cobrem o mais recente período de produção da artista (de 2003 em diante) e reafirmam sua ligação com o pop norte-americano - especialmente as "combines de Rauschenberg, nas quais o artista texano empregava materiais pouco usuais em assemblages. No caso de Leda, essas "combines" têm uma ligação estreita com o artesanato, o que a aproximaria do pós-moderno Jeff Koons, associado à cultura pop e às referências ao cotidiano. Mudança A diferença é que, ao contrário de Koons, ela não vê o mundo com olhar paródico. "Koons é duchampiano, enquanto o repertório de Leda é pictórico", observa o curador da exposição, Paulo Miyada, que a concebeu como mostra inaugural do projeto Nossas Artistas, criado pelo Instituto Tomie Ohtake para contar a história da arte brasileira por meio da produção de mulheres artistas, de Tarsila do Amaral a Anna Maria Maiolino. Bichos exóticos A modernista Tarsila do Amaral, lembra Leda Catunda, é outra referência de sua pintura, repleta de figuras enigmáticas que têm algum parentesco com os bichos exóticos da criadora do Abaporu. Eles se espalham por toda a mostra, em especial nas gravuras expostas à direita da porta de entrada. A pintura atual, analisa a autora, "é quase uma negação daquela dos anos 1980". Leda prefere a palavra "tingimento" para se referir aos objetos que cria com molduras almofadadas de manta acrílica e imagens do universo pop. Há na mostra desde pranchas de surfe até recortes de madeira que imitam renda nordestina. "O raciocínio é de collage", define, assumindo seu lado Kurt Schwitters, o protopop alemão que revolucionou a arte entre os anos 1920 e 1930 com suas colagens dadaístas. As de Leda Catunda se aproximam da reciclagem poética de Schwitters ao trabalhar com reverência signos da cultura de massa - anúncios, bichinhos fofos da internet, iconografia das bandas de rock, caveiras dos góticos e selfies. "Quero reforçar o caráter amoroso do fim do capitalismo, do consumo indiscriminado, essa obsessão por pertencer a um grupo." Ela chegou a dar aulas de pintura para surfistas, que, em reconhecimento, encheram seu ateliê de miniboards e funboards, algumas pintadas pela artista e expostas num imenso painel. A incorporação desse repertório visual - tanto o dos surfistas como o dos youtubers - não significa que, ao se apropriar dos elementos da cultura de massa, Leda persiga uma estética camp. Ela, como diz Miyada, não é paródica nem elegíaca. "A graça desse trabalho é que Leda não julga, aceita o excesso de imagens de nosso tempo, mas não entra nesse turbilhão." Superexposta A artista, que passou um tempo como artista residente na China, ficou impressionada com o vertiginoso ritmo com que os chineses imprimem imagens do mundo todo nos mais variados suportes. "Eles criam até tecidos africanos com a nova tecnologia, o que dá o que pensar sobre nosso mundo visualmente saturado de imagens." Duas dessas reflexões, Ásia 1 e Ásia 2, se destacam na exposição, entre obras que saíram diretamente da observação direta em campo ou das redes sociais na internet. Uma delas foi baseada numa modelo real, ex-funcionária da galeria de arte que comercializa o trabalho de Leda, a Fortes Vilaça. A moça, tímida na vida real, é a rainha do selfie na internet. Sua imagem, multiplicada, faz refletir sobre a uniformização cultural que tomou conta do globo e a superexposição em redes sociais de pessoas vulneráveis e reservadas que adotam uma persona para sobreviver em sociedade. Por fim, uma pesquisa no Google cruzando as palavras sexo e romance renderam outra obra (I Love You So Much) em que casais trocam beijos afetuosos e juras de amor, ampliando o repertório kitsch de Leda. LEDA CATUNDA Instituto Tomie Ohtake. Rua Coropés, 88, tel. 2245-1900. 3ª a dom., 11h/20h. Abertura nesta quinta-feira, (10), às 10h. Até 15/1. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso