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Diário da Região

07/09/2016 - 00h00min

Mulheres em Luta

Gordofobia e a distorção do que é saudável

Mulheres em Luta

Guilherme Baffi 6/9/2016 A professora Bruna Giorjiani de Arruda, a assistente social Ane Gonçalves Fernandes e a jornalista Mayara Rocha Guimarães, integrantes do movimento Mulheres em Luta, que realiza o evento Gorda, sim! E daí?, na Fred Navarro
A professora Bruna Giorjiani de Arruda, a assistente social Ane Gonçalves Fernandes e a jornalista Mayara Rocha Guimarães, integrantes do movimento Mulheres em Luta, que realiza o evento Gorda, sim! E daí?, na Fred Navarro

Representatividade é uma forma de dar força àqueles que não se veem no outro e sofrem por não se encaixarem em padrões pré-estabelecidos. E é isso que um grupo do movimento Mulheres em Luta quer atingir com o evento Gorda, sim! E daí?, neste sábado, 10, na oficina cultural Fred Navarro.

“A representatividade é para que as pessoas tenham força. Mostrar que todo mundo consegue, que você não precisa abaixar sua cabeça quando entra em um restaurante e todo mundo olha para seu prato. Que você não precisa ficar mal quando, dentro de um ônibus cheio, o único banco vago é o que está ao seu lado e as pessoas preferem ficar em pé a se sentar. Representatividade é resistência coletiva para que as pessoas escutem nossa voz”, argumenta a assistente social Ane Carolina Gonçalves Fernandes, integrante do grupo.

A intenção do encontro é discutir e desconstruir a gordofobia, um preconceito que só tem crescido com a expansão de uma ideia distorcida de vida saudável, afirma Ane. “O que é uma alimentação de qualidade? O que é realmente saudável? Queremos tirar toda a influência do mercado e mostrar que ser saudável não significa viver como escravo”. Uma questão que é apoiada pelo pensamento de que estar gordo é estar doente, completa: “Precisamos diferenciar o preconceito da questão da saúde. Na gordofobia, eles andam juntos, eles se alimentam. As pessoas se sentem no direito de chegar e te dizer que você deveria emagrecer porque você ficaria mais saudável.”

“Nos classificar como doentes gera lucros incalculáveis para a indústria alimentícia e para a indústria farmacêutica. Tem uma socióloga que diz que a dieta é o sedativo político mais efetivo para a mulher. Quando tenho que me dedicar totalmente ao estético, não tenho tempo para me preocupar com os problemas que me cercam”, expõe a professora Bruna Giorjiani de Arruda, do coletivo feminista classista Ana Montenegro, que também participa da organização do evento.

ILUSTRA 07092016 "É preciso diferenciar o preconceito da questão da saúde. Na gordofobia, eles andam juntos, se alimentam. As pessoas se sentem no direito de te dizer que você deveria emagrecer porque ficaria mais saudável" - Ane Carolina Gonçalves Fernandes, assistente social

Com a discussão plantada, o grupo espera que as portas se abram para compreender as questões enfrentadas no dia a dia dessas mulheres. As dificuldades são muitas. Desde o simples desejo de comprar uma peça de roupa e não achar em seu tamanho até a locomoção, especialmente para aquelas que dependem do transporte público.

“A indústria da moda, para mim, é burra. Uma grande parcela da população está acima do peso considerado ideal por eles e ela não atende essas pessoas. Simplesmente as ignora. Por quê? Essas pessoas não se vestem? Não gostam de moda?”, questiona a jornalista Mayara Ísis Rocha Guimarães, também parte do grupo.

Para Ane, Rio Preto é uma cidade muito conservadora, cujas políticas públicas não abarcam a população gorda. “Queremos formar um grupo de mulheres gordas de Rio Preto. Sair daqui com uma ação concreta para partirmos para a luta. Vamos exigir políticas públicas, levar essa discussão para as escolas.”

Criando uma rede entre mulheres gordas, Mayara espera contribuir para que o sentimento de isolamento diminua, permitindo a desconstrução o preconceito.

“Todos os dias as pessoas se sentem no direito de fiscalizar meu prato, meu corpo, minha roupa, e isso é naturalizado, como se as pessoas estivessem fazendo um favor para a gente, de cuidar da nossa saúde. A forma de combater essa opressão é deixar claro que isso não é natural. Essa naturalização da opressão que é o problema. As pessoas acharem que está tudo bem, que é uma brincadeira, que não mata. Gordofobia mata, racismo mata.”

Evento

Além do debate sobre as mulheres gordas (historicidade dos padrões estéticos, preconceitos, gordofobia nos espaços públicos, saúde da mulher gorda, orgulho gordo), o evento contará com apresentação cultural das rappers Issa Paz e Sara Donato, do disco delas Rap Pluss Size, e uma feira de trocas e brechó de roupas exclusivas para mulheres gordas (acima do manequim 46).  

Serviço

Gorda, sim! E daí?, dia 10, das 14h às 19h, na Oficina Fred Navarro

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