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Diário da Região

15/03/2015 - 20h45min

Fascinados pelo perigo

Atração antiga do circo, o Globo da Morte ainda fascina

Fascinados pelo perigo

Johnny Torres Globistas do Circo Kroner, instalado em Rio Preto. Eles têm medo da morte, mas não do Globo da morte: “Gostamos muito da adrenalina, mas fazemos isso com consciência”, diz Fernando Fernandes
Globistas do Circo Kroner, instalado em Rio Preto. Eles têm medo da morte, mas não do Globo da morte: “Gostamos muito da adrenalina, mas fazemos isso com consciência”, diz Fernando Fernandes

Você tem medo da morte? "É claro que eu tenho. Quem não tem?" A resposta do jovem Fernando Rodrigues Fernandes, de 20 anos, tão direta quanto a pergunta feita a ele durante entrevista ao Diário, surpreende aqueles que presenciam a forma como ganha a vida desde a infância. Artista circense, Fernandes desafia a morte todas as noites.


Sobre uma motocicleta em movimento, ele divide o pequeno espaço de uma esfera metálica com outros parceiros de circo. A plateia não tira os olhos do picadeiro, acompanhando com uma atenção quase silenciosa às evoluções do Globo da Morte, a principal atração do Internacional Circo Kroner, em cartaz há duas semanas em Rio Preto.


Se a morte lhe causa medo, por que, então, desafiá-la pilotando uma moto dentro de uma gaiola de metal com dois, três, quatro ou até cinco globistas? "Eu gosto muito da adrenalina, do perigo. Mas é claro que eu faço isso com consciência, usando todas as proteções necessárias", declara Fernandes, que pratica o Globo da Morte desde os 13 anos, além de trabalhar como palhaço, malabarista e trapezista.


No trapézio, o artista conta com a segurança de uma rede de proteção, que o impede do impacto com o solo em caso de alguma queda. Mas, dentro do globo, o risco é iminente, pois o deslize de um pode prejudicar todos, colocando em xeque a evolução artística.


Sintonia e confiança


"Globo da Morte exige sintonia entre os globistas. Eu tenho de estar atento não só para a minha evolução, mas para a de todos os meus parceiros de cena. Dificilmente o erro de um globista não prejudicará todos os outros", comenta o argentino Emanuel Coronel, 20, que pratica o Globo da Morte há seis anos e viaja pela primeira vez com o Kroner em turnê pelo Brasil.


Nascido numa família circense, o argentino já dividiu o Globo da Morte com a mãe - uma das pessoas que lhe ensinaram o ofício - e a irmã de apenas 8 anos. "Quando via a minha mãe em cena, eu ficava encantado. Era um sonho poder dominar uma moto dentro do globo", conta o jovem artista.


Ao sair do globo após a apresentação na noite de quinta-feira, a tranquilidade de Coronel era tamanha que parecia que ele tinha acabado de deixar a sua casa. "Eu não tenho medo. Tenho é paixão. É algo difícil de explicar, mas que me renova a cada noite de apresentação. O Globo da Morte é a minha casa", diz ele.


Conforme Fernandes, os tombos são inevitáveis durante os ensaios, principalmente quando os globistas vão preparar uma nova evolução para apresentar no picadeiro. No entanto, os prejuízos físicos não são tão grandes, porque eles dominam a técnica. "A aceleração tem que ser a mesma para todos. É uma arte que exige sintonia e confiança no parceiro de cena", reforça.


'É algo que está no DNA do artista'


Gerente do Internacional Circo Kroner, Welligton Gregório Nogueira, de 52 anos, atuou por mais de duas décadas como globista. Com experiência de sobra na arte de desafiar o perigo, ele dá sua receita de sucesso no Globo da Morte. "O globo não permite vaidade, ego inflado. O globista tem que ser humilde e não querer brilhar mais que os outros parceiros de cena", diz ele, que, apesar da atuação como globista, nunca pilotou uma motocicleta nas ruas.


Nogueira acumula experiências inusitadas ao longo de sua carreira. Nos anos 1990, ele apresentou-se no Globo da Morte em plena Marquês de Sapucaí, como destaque da escola Mocidade Independente de Padre Miguel, que prestou homenagem a Beto Carrero. "Eu integrava a equipe de globistas do circo do Beto Carrero. Foi uma experiência inesquecível. Foi a única vez que me apresentei com o Globo da Morte em movimento", conta.


Em uma das edições do festival Planeta Atlantida, realizado no sul do País, Nogueira apresentou-se nas alturas. "Um Globo da Morte foi colocado sobre a plateia, a uns 10 metros de altura. Enquanto rolavam os shows, a gente realizava evoluções dentro do globo." A carreira como globista foi interrompida após uma apresentação em um cassino de Las Vegas. "Eram seis globistas em cena.


Sofremos um acidente durante a apresentação, que me rendeu um afundamento de crânio", recorda. Segundo ele, apesar de existirem escolas de circo no País, a arte do Globo da Morte é um legado familiar, compartilhado entre as gerações. "O contato começa ainda na infância, sempre por influência dos pais ou de algum familiar que já pratica o Globo da Morte. É algo que faz parte do DNA do artista", enfatiza.


Veja abaixo videorreportagem



Serviço


Internacional Circo Kroner. De segunda a sexta-feira, às 20h30. Sábados, domingos e feriados, às 16h, 18h e 20h30. A partir de R$ 30. www.circokroner.com.br




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