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Diário da Região

03/05/2015 - 20h35min

RIO PRETO OFF ROAD

Ondulações e farelo criam ruas treme-treme em Rio Preto

RIO PRETO OFF ROAD

Sidnei Costa Na avenida Brasilusa, as pedras soltas são um desafio a mais para o motorista
Na avenida Brasilusa, as pedras soltas são um desafio a mais para o motorista

Um buraco incomoda muita gente. Uma sucessão deles, com elevações, ondulações, remendos e esfarelamento incomoda muito mais. Nem sempre são as crateras que mais irritam os motoristas. Tapa-buraco e recapeamento mal executados bastam para tirar qualquer um do sério. E algumas das principais ruas e avenidas rio-pretenses são exemplos da falta de qualidade do asfalto. O carro balança tanto, que até parece participar de um rali. É a Rio Preto "off road".

Nessa reportagem, o Diário reuniu exemplos de 15 vias movimentadas da cidade. Mas o mesmo problema pode ser constatado em diversos outros pontos de menor fluxo de veículos. São locais em que o tempo foi passando, vários consertos foram feitos e criou-se nova situação: a pista de rolamento não fica lisa, tornando cada passagem um festival de trepidações.

O porteiro Aparecido Donizete Marques, 60 anos, não tem dúvidas. Esse tipo de rua foi o responsável pela ida dele ao mecânico. Quebrou dois pivôs (componentes da suspensão do veículo) e vai ter de alinhar e balancear o carro. "Claro que isso foi provocado pelos buracos. Está muito ruim. Nessa brincadeira são R$ 150."

Ele mora no Parque da Cidadania e diz que por onde passa encontra ruas nessas situações. Daí, sempre surge a dúvida: ir devagar e ter menos impacto ou passar rápido para se livrar logo do trecho. Em qualquer uma das alternativas, a sensação é a mesma. "Parece que estou em uma estrada de terra, em um rali, de tanto solavanco que tem."

Tapa-buracos

Em 2014, a Prefeitura atendeu a 1.560 pedidos de tapa-buracos e consumiu 538,7 mil metros quadrados de massa asfáltica. Apenas tampar o buraco não é o ideal, segundo o diretor da usina de asfalto de Rio Preto, Newton Cesar Silva Pinto (leia mais nesta página). Mas essa acaba sendo a principal solução municipal para diminuir os buracos.

Em algumas avenidas, como a Ernani Pires Domingues e a Cenobelino de Barros Serra, trechos específicos concentram buracos, relevos no solo e rachaduras. No restante, a pista está em bom estado. A vendedora Roberta Santos de Oliveira Martins, 30 anos, tem de enfrentar os buracos da Domingos Falavina todos os dias. E, o pior, com carga frágil no carro.

"Tem que ir muito devagar, principalmente do trecho que vai do shopping Cidade Norte até a nossa loja. Carrego vidro no carro e é delicado, pode quebrar." O cuidado também é mantido quando dirige o próprio carro. Mesmo assim, não está livre dos problemas. Em março, quebrou uma das rodas ao passar em um buraco que não viu. Nessa semana, arranhou toda a calota pelo mesmo motivo. "A solução seria recapear todo o trecho, em vez de fazer esses quadradinhos só para tampar o buraco."

Os problemas não são restritos apenas às avenidas da zona norte. Pelo contrário, a avenida Brasilusa, por exemplo, é a que apresenta a pior situação entre todas. Há buracos, remendos, rachaduras e desníveis por toda a extensão da via. Duas marginais da BR-153, Aniloel Nazareth e Lineu de Alcântara Gil, também apresentam bastante problema.

 

VIDEO DO YOUTUBE
Zé Buracão faz um tour pelas ruas de Rio Preto

Lisinho no Quinta e deteriorado no Nova Esperança

A avenida que dá acesso ao condomínio Quinta do Golfe foi asfaltada em setembro de 2008, mês de lançamento do residencial. A área é pública, mas o asfalto foi custeado pelo empreendimento responsável pelo condomínio. De lá pra cá, nunca passou por recapeamento. Nem precisa, o asfalto continua como se fosse novo.

Situação completamente diferente da encontrada no bairro Nova Esperança. Apesar de mais novo - foi inaugurado em 2011 -, o asfalto do lugar está deteriorado em diversos pontos. O que chama mais atenção é uma cratera aberta na avenida principal do bairro, a Osmani Soares Publio. A situação persiste há algum tempo, tanto que o buraco já virou ponto de referência.

Mas ele não é o único. Em frente à casa da manicure Jaqueline Baungarte, 29 anos, um buraco vai de um lado a outro da rua. Está ali, segundo ela, há um ano e dois meses. "Começou pequeno, no canto da rua. Aí um dia, veio uma equipe e abriu de um lado a outro para consertar alguma coisa. Colocaram terra e disseram que iam esperar assentar para depois asfaltar. Nunca mais voltaram."

Como a terra não está no nível do asfalto, criou-se uma valeta no local, que fica na rua Dalva Regina Gimenez. Os próprios moradores têm de jogar pedras para melhorar um pouco a situação. "Já liguei para diversos lugares e ninguém resolve." Em outro ponto, na rua Accacio Fernandes, o asfalto formou uma ondulação no meio da via. O que deixa o local perigoso, principalmente, para quem passa de moto. "Nunca vi ninguém consertando nada aqui. Só vão arrumar quando alguém morrer em um desses buracos", diz o morador José Elisvaldo, 41.

De acordo com o diretor da usina de asfalto de Rio Preto, Newton Cesar Silva Pinto, a pavimentação do bairro Nova Esperança não foi feita pela Prefeitura. "Uma empresa foi contratada para o serviço e ele ainda está na garantia. Com certeza, a empresa vai ser notificada para que resolva esses e outros problemas."

 

arte mapa buracos rio preto Clique na imagem para ampliar

Economia de gastos. Esse é o motivo que leva qualquer Prefeitura a optar por fazer diversas vezes o serviço de tapa-buraco para só depois recapear todo o trecho com asfalto deteriorado, segundo o engenheiro, especialista em pavimentação Ademir de Brito. “O tapa-buraco dá uma sobrevida à rua. Quando ela fica deteriorada é que vão tentar recapear. Isso acontece porque para tampar um buraco se gasta muito menos em material, o que torna a ação bem mais barata. É por economia mesmo.” Segundo ele, normalmente o tipo de asfalto para tampar um buraco é o mesmo usado para recapear uma rua. O tempo de vida útil do pavimento de uma rua é de 7 a 10 anos, dependendo do fluxo e dos tipos de veículos que trafegam pelo local. Asfalto deveria durar de 7 a 10 anos

Em três pontos localizados pelo Diário, o asfalto formou espécie de onda no meio da via. Umdegrau que pode ser perigoso para quem passa, principalmente de moto. As situações podem ser verificadas na avenida Arthur Nonato - quase na esquina com a Murchid Homsi - na avenida Antônio Antunes Júnior - próximo à Mirassolândia - e na rua Accacio Fernandes - no Nova Esperança. Sobre essas “ondas” formadas pela camada asfáltica, o engenheiro diz que o problema está no excesso de peso que passa pelo local ao longo do tempo. “Uma carga de peso muito grande em um mesmo local acaba forçando o asfalto e ele 'corre', formando essa lombada”. 

A saída seria o nivelamento do local. Outra espécie de degrau foi formada nas avenidas dos Estudantes e na Clóvis Oger. O recape das vias é novo e, entre as duas faixas de rolamento, ficou um desnível em alguns pontos. Nada com que se preocupar, segundo o diretor da usina de asfalto de Rio Preto, Newton Cesar Silva Pinto. “Geralmente, as duas faixas são recapeadas ao mesmo tempo. Mas, pelo fluxo alto de veículos nesses locais, tivemos que fazer em duas vezes, o que deixou essa leve diferença. Com o tempo, quando a massa asfáltica assentar, vai diminuir a diferença.”

Trepidação faz acelerar desgastes

Nem todo mundo fica bravo com os sobressaltos, desníveis e demais problemas das ruas e avenidas rio-pretenses. "Pra gente é ótimo. Sempre tem serviço, a oficina nunca para", diz o alinhador Jesus Rogério Cocolo Teixeira, 42 anos. Brincadeiras à parte, ele diz que a durabilidade das peças e serviços diminui com tantos solavancos. "A ondulação vai forçando a suspensão, desgasta o pneu e amassa a roda." Na oficina em que trabalha, pelo menos dez carros chegam diariamente para alinhamento e balanceamento. O vendedor José Adami, 48, atende ainda mais veículos. São cerca de 20 por dia. Esse serviço custa em média R$ 50. Valor que aumenta caso seja necessário fazer cambagem em algum dos lados do carro.

"A cambagem é quando entorta a coluna do amortecedor, geralmente por impacto forte. Tem um aparelho que identifica a necessidade de se fazer ou não. Custa R$ 40 cada lado." Normalmente, o aconselhado é alinhar e balancear o carro a cada 8 mil quilômetros rodados. Mas com tantas chacoalhadas, esse tempo costuma cair pela metade. Além desses serviços, e de tirar o humor de quem dirige, a irregularidade do asfalto prejudica a suspensão do carro. "Peças como amortecedor, buchas, terminais, pivôs, entre outras, principalmente da parte dianteira que é mais pesada por causa do motor, são afetadas", diz o mecânico Paulo Cesar Aguiar.

 

buracos cuidados com o carro Clique na imagem para ampliar

Segundo ele, a vida útil dos amortecedores, normalmente, é de até 70 mil quilômetros rodados. Passando por muitos sobressaltos, essa quilometragem diminui. "Não dá para determinar o quanto, porque é muito relativo. Depende do motorista, das ruas, do carro. A dica é diminuir a velocidade em vias assim." Para carros populares, o par de amortecedores custa a partir de R$ 250. 

'Problema é na estrutura das ruas'

Para o diretor da usina de asfalto de Rio Preto, Newton Cesar Silva Pinto, o serviço de tapa-buraco é uma solução momentânea e não deve ser encarado como resolução do problema. "É um paliativo. Não é o ideal, mas não é possível recapear todas as ruas. Rio Preto tem 1,7 mil quilômetros de superfície asfáltica. Nos últimos cinco anos, 500 quilômetros foram recapeados. "

O problema é agravado, segundo o diretor, devido a falhas na estrutura das ruas. "Algumas vias têm problemas na base. A Ernani Pires Domingues é um exemplo. São locais que recebem tráfego intenso e pesado e não resistem. A solução é recuperar a estrutura e recapear. Para isso, temos um cronograma com prioridades."

Na fila de espera do recapeamento estão, na ordem, as avenidas Mirassolândia, Osvaldo Aranha, Domingos Falavina e Monte Aprazível. "Temos um controle. Quando a via chega a um limite, temos de recuperar. Como são muitas, temos de dar preferência a algumas. Na lista de prioridades sempre vão estar vias arteriais (que atravessam a cidade), coletoras (ligam um bairro a outro) e locais (dentro do bairro). O telefone para solicitar serviço de tapa-buracos é (17) 3212-6312 . 

 

 

 

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